A pedra e a vidraça

stoneAs fotos de uma das pedras de vidente usadas por Joseph Smith divulgadas pela Igreja ontem estão gerando reações variadas. Há aqueles que expressam o prazer da descoberta ou o alívio de verem a informação divulgada mais amplamente. As reações mais visíveis, porém, são de deboche (por parte de críticos rasos) e medo (por parte de crentes rasos). Reações infelizmente bastante previsíveis.

Por que muitos santos dos últimos dias sentem medo? Fazendo de Joseph Smith uma Autoridade Geral engravatada e/ou fazendo de Deus um mórmon ortodoxo, muitos parecem sentir uma ameaça na pedra marrom. Talvez ela não pareça especial o suficiente. Talvez seja trabalhoso demais reimaginar uma narrativa. Talvez pensem que ela será jogada contra sua vidraça. Continuar lendo

Igreja publica fotos da pedra de vidente de Joseph Smith

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias divulgou hoje pela primeira vez fotos da pedra de vidente que acredita ter sido utilizada por Joseph Smith.

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Pedra de vidente que a Igreja acredita ter pertencido a Joseph Smith e ilustra o artigo da revista Ensign. (Imagem: Welden C. Andersen e Richard E. Turley Jr.)

As fotos foram mostradas no anúncio de lançamento do próximo volume do Projeto Joseph Smith Papers, intitulado Revelações e Traduções, Volume 3: o Manuscrito do Tipógrafo do Livro de Mórmon (em tradução livre). O volume traz fotos da pedra oval de cor marrom que teria sido utilizada na tradução do Livro de Mórmon, bem como de uma bolsa de couro utilizada para guardá-la, feita provavelmente por sua esposa Emma Smith. Continuar lendo

Desafio de História Mórmon: Carta de Joseph Smith

O Profeta Joseph Smith escreveu essa carta no dia 11 de abril de 1842. Embora trate-se de correspondência pessoal, ela foi publicada pela Igreja na História da Igreja (vol. 5, pp. 134-136)

Pintura entitulada 'Joseph Smith Pregando aos Lamanitas' por William Armitage (1890)

“Aquilo que é considerado errado em uma circunstância pode ser, e freqüentemente é, correto em outra.” — Joseph Smith (Pintura intitulada ‘Joseph Smith Pregando aos Lamanitas’ por William Armitage, 1890)

Para quem ele escreveu e enviou essa carta?

Qual o seu contexto histórico?

O que Joseph Smith queria expressar com essa carta?

Qual o seu resultado imediato?

Como o contexto altera a interpretação do seu conteúdo?

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Joseph Smith e a semente escolhida

O Ancião de Dias, de William Blake.

O Ancião de Dias, de William Blake.

A restauração do sacerdócio na dispensação de Joseph Smith teve início muito antes da vinda de João Batista em 1829 (D&C 13). Joseph Smith não apenas recebeu mensageiros que lhe entregaram chaves do sacerdócio, mas ele próprio foi um dos mensageiros divinos com a missão de restaurar o governo de Deus.

Em uma revelação dada em 1832, Cristo disse que “sem suas ordenanças e a autoridade do sacerdócio, o poder da divindade não se manifesta aos homens na carne; pois sem isso [o sacerdócio], nenhum homem pode ver a face de Deus, o Pai, e viver” (D&C 84:21-22).

No entanto, aos 14 anos Joseph Smith viu o Pai e seu Filho e sobreviveu. Como isso teria sido possível sem uma ordenação prévia ao sacerdócio? É minha opinião que isso foi possível porque Joseph Smith havia nascido com uma porção de autoridade sacerdotal, ou com uma ordenação prévia ao seu nascimento em 1805. Continuar lendo

Como Você Traduziria Ezra Taft Benson?

Em 2015, mórmons pelo mundo afora estarão estudando os ensinamentos de Ezra Taft Benson, 13° Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias entre 1985 e 1994.

 

Durante o ano, aproveitaremos esta oportunidade para relembrar e discutir a interessantíssima e idiossincrática passagem desta marcante figura histórica do mormonismo, que serviu como Apóstolo entre 1943 e 1985, como Ministro da Agricultura dos Estados Unidos entre 1953 e 1961, e protagonizou as maiores controvérsias na história da liderança Mórmon no século 20.

Antes de entrarmos na celebração deste importante homem, ponderemos talvez seu legado filosófico e teológico mais famoso.

Uma das citações icônicas no mormonismo associadas a Benson é, ironicamente, anônima. Publicada em uma revista oficial da Igreja como mensagem oficial para Mestres Familiares, ela, não obstante, encapsula tão profunda e sucintamente um dos discursos mais icônicos da carreira apostólica de Benson que é, até hoje, usada para resumir a sua filosofia profética. Ela é, também, uma das mais difíceis de se traduzir. Como qualquer tradutor competente e experiente sabe, uma tradução bem sucedida deve muito mais que transliterar as palavras entre uma língua e outra, mas sim transpassar a totalidade das ideias e dos sentimentos expressado em uma língua para outra. E isso, como bons tradutores admitem, nem sempre é simples, fácil, ou mesmo possível.

Portanto, estamos solicitando uma colaboração coletiva para traduzir esta pérola dos arquivos literários da Igreja SUD: Continuar lendo

Wilford Woodruff: Revelação de 1880

woodruffTrechos da revelação recebida por Wilford Woodruff, em 26 de janeiro de 1880, perto das Montanhas Sunset, no Arizona, conforme registrada em seu diário.

Wooduff era à época membro do Quórum do Doze. Sete anos mais tarde, com a morte de John Taylor, ele viria a assumir a liderança da hierarquia mórmon, sendo escolhido como Presidente da Igreja em 1889. Continuar lendo

Livro de Abraão pode não ser uma tradução, afirma Igreja

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Novo ensaio publicado no site oficial da Igreja sud afirma que o Livro de Abraão é uma escritura inspirada,  mas não necessariamente uma tradução literal dos papiros egípcios usados por Joseph Smith. Publicado no último dia 08, o texto afirma que

Sabemos algumas coisas sobre o processo de tradução. A tradução da palavra normalmente pressupõe um conhecimento especializado de vários idiomas. Joseph Smith não alegou experiência em qualquer idioma. Ele prontamente reconheceu que era uma das “coisas fracas do mundo”, chamado a falar palavras enviados “do céu”. (…) O Senhor não exigiu Joseph Smith ter conhecimento de egípcio. Pelo dom e poder de Deus, Joseph recebeu o conhecimento sobre a vida e os ensinamentos de Abraão.

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Ordenanças do templo – parte 2

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Planta do templo de Kirtland

O que significavam “investidura” e “selamento” para os mórmons na década de 1830?

Em dezembro de 1830, Joseph Smith recebeu uma revelação que ordenava a migração para o estado americano de Ohio, onde, além da maior segurança, os santos seriam “investidos com poder do alto”. ¹ Na década de 1830, mórmons interpretavam a palavra “investidura” como um fenômeno espiritual a ser buscado, pelo qual indivíduos seriam dotados de poder ou dons espirituais, manifestos em profecias, visões ou dom de línguas. Os relatos do período de Kirtland são ricos na descrição de experiências dessa natureza. Os rituais realizados em Kirtland para a busca de tal “investidura” do Espírito eram mais simples do que os que seriam desenvolvidos em Nauvoo. As abluções e unções seguiam um padrão semelhante ao descrito no texto bíblico.² Continuar lendo

Ordenanças do Templo – parte 1

O Templo Antes dos Templos e os Precedentes para os Círculos de Oração 

Unções e abluções, investiduras, selamentos e segundas unções constituem as mais sagradas cerimônias do mormonismo. Elas são geralmente chamadas pelos santos dos últimos dias de “ordenanças do templo”, uma vez que, para a imensa maioria dos mórmons que as praticam, são realizadas unicamente em templos, longe da esfera pública, onde a admissão não é livre sequer para qualquer membro. É importante lembrar, no entanto, que a prática de tais cerimônias “do templo” antecedeu a construção de qualquer templo mórmon, sendo realizadas ao ar livre ou em casas e outros prédios sem um uso exclusivamente religioso.

js_portraitFalando sobre a investidura, em 1 de maio de 1842, Joseph Smith fez questão de lembrar que as cerimônias do templo poderiam ser obtidas fora de prédios especiais:

Há certos sinais e palavras pelos quais falsos espíritos e personagens podem ser detectados dos verdadeiros, que não podem ser revelados aos élderes até que o templo esteja completo. O rico pode obtê-los apenas no templo. O pobre pode obtê-los no topo da montanha como fez Moisés. Há sinais no céu, terra e inferno e os élderes devem conhecer todos para ser investidos de poder, para terminar seu trabalho e evitar falsificação. O demônio conhece muitos sinais mas não conhece o sinal do Filho do Homem, ou Jesus. Ninguém pode dizer que conhece Deus até que tenha tocado algo, e isso só pode ser feito no Santo dos Santos. [1] Continuar lendo

Brigham Young: Por Que Adão?

Brigham YoungBrigham Young, em discurso no famoso Tabernáculo Mórmon em 08 de junho de 1873, explica porque Adão se chamava Adão:

“O mistério é assim, como com os milagres, ou qualquer outra coisa, apenas um mistério para aqueles que são ignorantes. O Pai Adão veio até aqui, e então lhe trouxeram sua esposa. ‘Bom’, dirá alguém, ‘por que Adão foi chamado de Adão’? Ele foi o primeiro homem na Terra, e seu arquiteto e seu criador. Ele, com a ajuda de seus irmãos, a trouxe à existência.

Então Ele disse: “Eu quero que meus filhos, que estão no mundo espiritual, venham e habitem aqui. Certa vez Eu habitei uma Terra parecida com esta, num estado mortal, Eu fui fiel, Eu recebi minha coroa e minha exaltação. Eu tenho o privilégio de extender minha obra, e ao seu acréscimo não haverá fim. Eu quero que meus filhos, que me foram nascidos no mundo espiritual, venham até aqui e assumam tabernáculos de carne, para que seus espíritos possam tem um lar, um tabernáculo ou um habitáculo como o meu tem, e onde está o mistério?”

O discurso inteiro de Brigham Young merece atenção cuidadosa (publicado originalmente no Deseret News, pp.4-5, vol. 22:308, 18 Junho 1873). Seguem alguns trechos interessantes deste mesmo discurso: Continuar lendo

A Última Revelação de Joseph Smith

Ou como Joseph e Hyrum Smith iniciaram sua fuga para as Montanhas Rochosas e voltaram atrás aa228c9a-7830-4d73-b819-fd4c7e5de0a2_zps369ddf72aa228c9a-7830-4d73-b819-fd4c7e5de0a2_zps369ddf72aa228c9a-7830-4d73-b819-fd4c7e5de0a2_zps369ddf72

Por que houve uma crise de sucessão entre os santos dos últimos dias com a morte de Joseph Smith? Por que houve uma divisão da Igreja com diferentes indivíduos dizendo ser os legítimos sucessores do profeta assassinado – e encontrando apoiadores? A resposta mais simples, ainda que menos conhecida entre o público sud: não apenas a situação era inédita para aquela jovem organização, como não havia sido sequer esboçado um procedimento claro para a eventual morte de Joseph Smith. (Que possibilidades existiam e como foi consolidada a sucessão pela via apostólica será assunto para outra conversa.)

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Apesar de sofrer hostilidade interna e externa, Joseph Smith aparentemente não esperava morrer aos 39 anos. Por isso, nunca apresentou à Igreja um processo de sucessão claro. Ele não só recebeu pelo menos uma revelação que sugeria a possibilidade de uma vida bem mais longa como sua ida à cadeia de Carthage foi contrária à última revelação por ele recebida. Em uma reunião no dia 22 de junho, Joseph Smith teve o seguinte diálogo com Hyrum Smith, após ler a carta do governador Ford: Continuar lendo

Progresso Entre Reinos – parte II

byO progresso espiritual é eterno? Ou encontra um ponto final? Como discutimos na primeira parte desta série, várias afirmações feitas por autoridades gerais no séc. XIX apontam para a possibilidade de progresso do ser humano por toda a eternidade, sem um ponto final.

No ano de 1855, Wilford Woodruff ouviu Brigham Young falar a respeito do tema, após terem realizado um círculo de oração: Continuar lendo

John Taylor, Sobre Casamento e Família

Citação de John Taylor, sobre casamento e família.

“…[O] sistema [de casamento] com apenas uma esposa não apenas degenera a família humana, tanto fisicamente como intelectualmente, mas é inteiramente incompatível com noções filosóficas de imortalidade; é uma isca para tentação, e comprovadamente sempre foi uma maldição para os povos. Portanto, eu vejo a sabedoria de Deus em não tolerar qualquer sistema semelhante entre os dignos [da glória] celestial que serão reis e rainhas em Deus para sempre.”

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Fonte: The Latter-day Saints’ Millenial Star, volume 15, página 227

John Taylor: Revelação de 1886

John Taylor

Texto de revelação dada a John Taylor, Presidente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 27 de setembro de 1886. Escrito de próprio punho.

1886

“Meu filho John, hás me questionado sobre o Novo e Sempiterno Convênio e o quão obrigatório deve ser ao meu povo. Assim diz o Senhor: Todos os mandamentos que Eu comando devem ser obedecidos por aqueles que Continuar lendo

Professor da BYU Criticado por Livro Sobre Mulheres

lost+teachingsO Professor da BYU Alonzo L. Gaskill está sendo severamente criticado por seus pares acadêmicos, por acadêmicos Mórmons e pelo público Mórmon leigo, por grosseira incompetência intelectual.

Em seu livro recém-publicado ‘O Ensinamentos Perdidos de Jesus Sobre o Papel Sagrado da Mulher’, o professor de História da Igreja e Doutrina se propõe a estabelecer uma reconstrução acadêmica dos ensinamentos de Jesus de Nazaré sobre o papel apropriado de mulheres na sociedade Cristã. Uma das fontes principais, na qual Gaskill ancora seu livro  e seus argumentos nos manuscritos de Pali, que descrevem a vida e os ensinamentos de Jesus durante Sua adolescência no sub-continente Indiano, e descobertos num monastério Indiano no final do século XIX pelo jornalista e explorador russo Nicholas Notovich. Compilados e traduzidos para Francês (e, rapidamente, para vários outros idiomas) por Notovich nos anos 1890 sob o título ‘A Vida Desconhecida de Jesus’. O grande problema, contudo, é que o livro não só foi demonstrado por acadêmicos como um falsificação clara, como o próprio Notovich confessou o embuste.

Mas este nem é o maior problema do livro do historiador da BYU. Continuar lendo