Rapaz Proibido de Servir Missão

“Eu morri por dentro!”

Emmett C. é um rapaz de 20 anos de idade, membro ativo e fiel da Igreja SUD e aluno dedicado na Faculdade Pacific Northwest. No ano passado, ele enviou seus papéis para servir uma missão de tempo integral para a Igreja após preparar-se para isso por duas décadas. Contudo, seus líderes locais negaram-lhe a oportunidade de servir. Emmett nunca quebrou nenhuma regra ou mandamento da Igreja, sempre dedicou-se a seus chamados no Sacerdócio Aarônico, estudou com afinco no Seminário e Instituto, e manteve-se fiel e ativo por todos esses anos.

Não obstante, Emmett acredita que membros da Igreja que sejam LGBT devem ser tratados e respeitados igualmente como ele, que é heterossexual. Por conta disso, proibiram-no de servir uma missão.

Emmett diz-se devastado com essa decisão de seus líderes, e que está sofrendo para ajustar sua vida à essa inesperada realidade. Ele explica em suas próprias palavras:

“Eu venho de uma família com onze filhos. Tenho um irmão gay e uma irmã gay. Minha irmã saiu do armário quando eu tinha três ou quatro anos de idade. Então, meu irmão – o segundo mais velho da família – saiu um ano depois que ele voltou da sua missão, durante o seu segundo ano na BYU. Eu tinha três ou quatro anos de idade. Ambos disseram que sempre souberam que eles eram gays, mas levaram muito tempo para sair do armário. No início, foi muito difícil para a minha família, mas meus pais realmente decidiram apoiar os seus filhos, mesmo enquanto eles continuavam como Mórmons ativos e fiéis. Assim é como eu fui criado.

Mas eu sabia que havia tensão. Quando a Proclamação da Família da Igreja saiu, eu senti que estava abordando questões gays. E isso me assustou. Quando eu fiz doze anos e fui ordenado, fiquei mais sério sobre a minha fé, comecei a ler as escrituras, e realmente tornei-me mais responsável com meus deveres na Igreja. Foi quando eu comecei a enfrentar a tensão entre o que a Igreja estava a ensinar e a realidade das vidas de meu irmão e minha irmã.

A Igreja era toda a minha vida. A única maneira que eu poderia descobrir como fazer com que tudo se encaixasse foi acreditar que eu tinha um propósito em ajudar a Igreja a resolver isso, para se tornar um lugar mais consciente e compreensivo – de dentro dela. Essa era a minha esperança. Eu queria ficar e ajudar.

Eu sou muito próximo ao meu Bispo. Ele é um amigo e um homem maravilhoso. Eu pedi para falar com ele em particular e compartilhei com ele minhas preocupações. [Eu levantei a questão até porque eu tinha medo de ser enviado a uma missão e a questão do casamento gay surgisse e não fosse capaz de pregar que era errado. Eu não queria ser mandado para casa. Eu queria resolver tudo isso antes de sair.] Ele sinceramente não sabia o que fazer e pediu um tempo para conversar com o Presidente da Estaca. Então, eu conversei com o Presidente da Estaca uma semana depois. Eu compartilhei minhas preocupações e disse-lhe sobre o meu contexto familiar – como ele tinha mudado meus pontos de vista, a minha perspectiva sobre o casamento gay. Neste momento, ele quis que eu fosse mais específico sobre as minhas crenças. Ficou claro que para mim era mais do que uma crença política na igualdade do casamento – estamos autorizados a ter os nossos próprios pontos de vista políticos na Igreja. Era realmente uma opinião doutrinária, porque acredito que os gays devem ser autorizados a se casar no templo Mórmon. Essa foi a coisa errada a se dizer. Toda a minha vida eu sempre consegui ser vago quando entrevistado. As perguntas da entrevista são geralmente muito diretas, e eu posso honestamente responder a todas elas. Mas eu nunca entrava em detalhes. É bem como “Não me pergunte que eu não conto”. Mas ele queria que eu fosse mais específico. Eu tive que abrir-me, e ficou claro que não concordava com a Igreja sobre uma questão doutrinária. Ele me deu um sermão. Eu não discuti com ele.

[S]ua conclusão foi que eu não seria capaz de servir. Eu teria que jejuar e orar até que eu percebesse que eu estava errado e teria que mudar minhas crenças, a fim de apoiar a liderança da Igreja em suas decisões. Ele também me disse que ele não me permitiria ter uma recomendação para o templo se eu continuasse com essas crenças, o que me chocou ainda mais duramente do que ser negado uma missão. Isso significava meu sacerdócio – que eu honro – a minha esperança de me casar no templo. Isso realmente deixou claro para mim a realidade da minha situação como alguém que acredita que os gays são iguais mas que não pode ser franco sobre isso.

Eu completamente entrei em parafuso e eu tive que começar tudo de novo. Eu morri para dentro. Eu me tranquei no meio quarto e fechei as persianas. Eu nem saí da cama por um mês. Por um longo tempo, durante a minha depressão, eu estava cheio de sentimentos de raiva, mas eu tenho sido capaz de reiniciar e ser mais sensível. Esta experiência é apenas uma pequena parte do meu testemunho, a minha vida na fé. Mas eu só posso imaginar como não é para os gays – é tudo isso.

Penso em quando a Igreja finalmente começou a ordenar os negros. Os líderes da igreja disseram: “Está tudo no passado agora; Vamos seguir em frente.” Mas quantas pessoas não sofreram no processo? Quantas tiveram que desistir de suas vidas para que a mudança ocorresse? Servir em uma missão era tudo para mim, e ainda é.”

Leia a entrevista com Emmett C. na íntegra aqui.


 

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38 comentários sobre “Rapaz Proibido de Servir Missão

  1. Após ler os diversos comentários tanto aqui quanto no face, gostaria de deixar a minhã opinião.
    Estamos novamente voltando a idade média ou melhor idade das trevas, onde ninguém poderia pensar a não ser os lideres religiosos da época, não sei se todos aqui conhecem historia, mas não vejo diferença entre os métodos da igreja católica da idade média, com métodos da igreja SUD do séc XXI.
    Pessoas não podem pensar se não serão excomungadas, humilhadas, proibidas de exercer funções.
    A igreja cristã da idade média criou a inquisição, milhares de inocentes foram mortos, pensar era mais mortal do que qualquer doença. A igreja SUD impõem o preconceito desde sua fundação, a impunidade, cegueira de seus membros e por fim o medo.
    Tanto a igreja cristã da idade média quanto a igreja SUD amedrontam seus fieis com perda, a perda da salvação, a perda da família a perda de Deus. O terrorismo psicológico é tão intenso que os membros param de pensar e seguem fielmente seus preceitos, não pensam se é honesto, se é digno ou se é justo. Apenas seguem sem nunca reclamar, questionar ou se perguntar se é correto.
    Lembro que Deus criou seus filhos e o primeiro mandamento é o livre arbítrio, mas, em algum momento, toda religião tenta impedir seus filhos de serem livres, não podemos pensar, agir, não podemos nos relacionar fora dos padrões e dogmas designados e exigidos, não podemos nem falar caso não estejamos de acordo com alguns lideres do alto escalão.
    Estes Lideres religiosos nem sempre estão certos, nem sempre tem caráter e nem sempre falam em nome de Deus, mas o que importa, temos que seguir um conselho que cega milhares “obedecer aos lideres acima de todas as coisas”, se tornou a maneira de obedecer a Deus, fazem de homens comuns o espelho da divindade na terra.
    Lembro também que Cristo foi perseguido crucificado por ter ideias e pensamentos divergentes a sua época, a diferença é que ele sabia a verdade e ensinou, ele morreu para que sua ideologia permanecesse.
    E quantos homens e mulheres terão que perecer para que o mundo mude, e para que as ideias e pensamentos divergentes não sejam mais um problema e sim possam agregar para evolução humana.
    Quantos passaram por situações embaraçosas como a do rapaz acima, por apenas ser sincero.
    Na ideologia Sud quem queria impor as ideias e impor a forma de agir e pensar foi Lúcifer e não Cristo, a quem de fato seguimos?
    Que possamos ser mais como Cristo, que jamais julgou, jamais impôs e jamais ignorou a minoria que sofria.
    Ele amou a todos incondicionalmente, ele aceitou as diversas opiniões, ele lutou por direitos, ele lutou pela liberdade de expressão, ele jamais desrespeitou um semelhante.
    A diferença de Cristo para os “lideres” que se dizem cristão é que independente da escolha, independente da historia, independente do caráter,independente da cor,independente da religião ou opção sexual, ele deu a graça da salvação, ele deu a honra da escolha e nos deu o amor incondicional.

  2. Ainda bem que o proibiram de servir missão.
    A Igreja é clara no tocante a este tema. Se Alguém quer ser gay, fique à vontade. Mas tal pessoa não será admitida para o batismo sem reconsiderar sua posição. Tornou-se gay depois do batistmo? Ação disciplinar. É batizado na Igreja, mas é simpatizante? Não pregará na igreja, nem terá cargo de liderança.
    Parabéns a igreja por ser coerente com o que vem pregando a anos sobre ao assunto.

    • As pessoa postam sem ao menos entender o post.

      Estou achando que muitos membros vivem no mundo da fantasia e vêem a perfeição na discriminação, na intolerância e imposição de normas ou regras.

      Se pelo menos as pessoas mórmons (Sud) se dessem ao luxo de pensar, compreenderiam que não há nada de mal pensar diferente.

      E se no mínimo prestasse atenção ao texto, perceberia que o mal cometido pelo rapaz foi falar a verdade e ser honesto com os líderes. Ele não é gay.

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