Jeffrey Holland: Mentindo Sobre o Templo

O Apóstolo Jeffrey R. Holland mentiu sobre as ordenanças do templo durante uma entrevista para um documentário da emissora britância BBC em 2012.

Jeffrey R. Holland acha que se algo não é feito hoje em dia, nunca foi feito!

O desconforto com o resultado final da entrevista foi tamanho que a Igreja tentou pressionar a BBC a editar ou remover a entrevista do documentário  antes de ir ao ar.

A entrevista ocorreu durante as filmagens de um documentário sobre o então candidato à presidência Mitt Romney. Holland, que havia, recentemente, saído-se bem em outro documentário para a emissora norte-americana,  foi designado para ser entrevistado pelo jornalista John Sweeney. Sweeney pergunta-lhe sobre os juramentos que Romney teria feito no Templo, e que se dentre os juramentos teria havido uma promessa de guardar segredo sobre os rituais e os demais juramentos templários, sob pena de “ter sua garganta cortada”.

A resposta instintiva e imediata de Holland foi negar enfaticamente: “Isso não é verdade!” Além de repetir a negação, Holland ainda complementa afirmando que “[N]ós não fazemos isso”.

Sweeney, contudo, está preparado, e sabendo que os rituais templários foram alterados em 1990 para remover as penalidades, indaga se isso não “teria sido verdade” no passado. Surpreso ao ser pego numa óbvia mentira, Holland fracamente admite que as mudanças realmente ocorreram e, ao ser pressionado por Sweeney se Romney não teria feito tal juramento, Holland desconversa.

Holland também se enrola na discussão sobre o Comitê para Fortalecer os Membros da Igreja, que é sabidamente um comitê designado para espionar e monitorar a vida de membros da Igreja que possam “causar problemas“, como intelectuais e acadêmicos. Apesar de tentar fingir que o propósito central do comitê é investigar poligamistas, quando há décadas sabe-se que ele espiona intelectuais, Holland relutantemente acaba admitindo a existência de um comitê que oficiais da Igreja vinham negando existir por décadas.

Holland sofre, igualmente, com perguntas sobre o Livro de Abraão e o passado criminoso de Joseph Smith, preferindo demonstrar, ou fingir, ignorância completa em assuntos de história mórmon.

Descontentes com o resultado da entrevista, líderes da Igreja enviam membros-funcionários do departamento de relações públicas para “invadir” os escritórios da BBC e entregar pessoalmente um protesto formal, supostamente solicitando diretores da BBC a editar ou remover a embaraçosa entrevista com Holland.

Republicamos essa controversia relativamente antiga porque, ao citá-la no artigo de ontem, alguns leitores demonstraram desconhecer esse episódio recente, porém marcante, da história mórmon.

Assista um trecho da entrevista aqui:

Assista o documentário da BBC na íntegra aqui:

Leia uma transcrição de trechos da entrevista aqui:

Sweeney: O Sr. Smith recebeu estes papiros e ele os traduziu e, posteriormente, quando os egiptólogos quebraram o código algo completamente diferente…

Holland: (interrompendo) Tudo o que eu estou dizendo … tudo o que eu estou dizendo é que o que foi traduzido, foi traduzido para a palavra de Deus. O veículo para isso eu não entendo e não pretendo conhecer ou saber egípcio.

Sweeney: É um fato histórico registrado que Joseph Smith foi legalmente condenado como vigarista em 1826 …

Holland: Eu não tenho idéia.

Sweeney: Há um registro do tribunal em Nova York.

Holland: Há um … há uma boa dose de dificuldade no … no início da vida de fronteira na América mas isso é uma questão irrelevante ao caráter e integridade do homem.

Sweeney: Vamos falar sobre Mitt Romney. O homem que pode muito bem se tornar o homem mais poderoso do mundo. Como um Mórmon no Templo… Eu ouvi dizer, ele teria feito um juramento afirmando que ele não iria revelar o que acontece no Templo, sob pena de ter a garganta cortada. É verdade?

Holland: Isso não é verdade. Isso não é verdade. Não temos penalidades no Templo.

Sweeney: Vocês costumavam ter?

Holland: Nós costumávamos ter.

Sweeney: Portanto, ele fez um juramento dizendo: ‘Eu não vou contar a ninguém os segredos de lá’, sob pena de ter a garganta cortada.

Holland: Bem, o … o … o voto que foi feito foi sobre a ordenança … a ordenança do Templo.

Sweeney: Isso me parece maçônico, meu senhor. Parece maçonaria.

Holland: Bem, é semelhante ao… a… a uh … um relacionamento maçônico.

Sweeney: O homem mais poderoso do mundo jurou um juramento que ele levou a sério na época, independente de como seja agora, que ele jamais contaria a alguém sobre o que ele viu …

Holland: (Interrompendo) Que ele não contaria a ninguém sobre sua promessa pessoal ao Senhor. Estou assumindo que qualquer candidato religioso evangélico, um católico romano – Rick Santorum, Newt Gingrich, Osama … Quer dizer, (risada nervosa), o presidente Obama, Uh, eu estou supondo que qualquer um que tem uma relação com Deus fez uma promessa de algum tipo a Deus. Haveria algum tipo de lealdade a Deus ou que tipo de Deus seria?

Sweeney: O que é o Comitê para Fortalecer os Membros da Igreja?

Holland: O Comitê para Fortalecer os Membros da Igreja nasceu há alguns anos para … proteger as práticas predatórias de polígamos.

Sweeney: Eu perguntei o que é?

Holland: Isso é o que é.

Sweeney: Então, ele ainda existe?

Holland: É, ainda existe. Ele ainda existe.

Sweeney: E olha para fora … ele está lá para defender a igreja contra os polígamos?

Holland: Principalmente. Isso ainda é sua principal tarefa.

Sweeney: E … o que são suas tarefas subsidiárias?

Holland: Uh, eu suponho, só para ser protetor em geral … apenas para assistir e cuidar que uh … uh … quaisquer influências insidiosas mas para todos os efeitos, tudo o que eu sei sobre ele é principalmente para proteger contra a poligamia, que seria a parte essencial substancial do trabalho. Eu não faço parte dessa comissão, então não posso falar …

Sweeney: A Igreja Mórmon faz ostracismo de pessoas?

Holland: Não, não … Claro que não. Nós não usamos essa palavra e não sabemos o que essa prática. Se eu tivesse um filho … no dia de hoje … dado a posição que eu tenho e a visibilidade que vem com ela, se eu tivesse um filho ou uma filha que deixara a igreja ou foi alienada ou tivesse um problema, eu não posso lhe dizer que eu não iria cortar essa criança da vida familiar.

Sweeney: Batismos pelos mortos … por quê?

Holland: Porque acreditamos que, na justiça e misericórdia de Deus, todo mundo deveria ter uma chance de salvação.

Sweeney: Mas vocês batizam vítimas do Holocausto.

Holland: Não mais.

Holland: Nós … nós … nós lutamos pela mesma razão. O mesmo … a mesma conversa seria realizada com qualquer um, isto é uh … um convite …

Sweeney: Mas se você fosse judeu e seu avô ou avó foi morta no Holocausto porque eles eram judeus, não lhe parece um tanto insensível rebatizá-los …

Holland: Nós já passamos por isso e nós concordamos com a insensibilidade e por isso paramos … paramos de fazer isso. Mas nunca foi concebido para ser uma ofensa. Ele nunca foi concebido para ser qualquer coisa que possa reclamá-los para longe de seu Judiasmo. No tempo e na eternidade a liberdade era para se escolher, se você optar por ter esta oferta, é a mesma oferta que fazemos a um cidadão judeu ou a um muçulmano ou a qualquer outra pessoa. Se você estivesse interessado, se você quisesse isso, você pode vir para reivindicá-la.

Sweeney: Alguns críticos dizem que vocês ainda estão [batizando vítimas do Holocausto].

Holland: Não com a nossa bênção. Não com o nosso esforço, nós não batizamos.

Sweeney: Um número de pessoas deixaram a igreja – mais de 30 – e há uma enorme lacuna entre o que eles me disseram e o que você está me dizendo.

Holland: Bem, então devemos sentar todos juntos – isso ajudaria. Se você me der essa lista, então, e se você quiser se sentar com a gente, vamos sentar juntos e vamos conversar.

Sweeney: O que eles disseram para mim é que eles acreditam que a Igreja Mórmon é uma seita. Eles acreditam que é uma seita como a Igreja da Cientologia, mas na verdade é mais inteligente e mais poderosa.

Holland: Bem, eu acho que se isso é o que eles acreditam, é provavelmente uma boa coisa que eles escolheram deixá-la. Porque não somos uma seita. Eu não sou um idiota. Você sabe, eu li alguns livros e fui para uma boa escola. E eu escolhi estar nesta igreja por causa da fé que eu sinto e a inspiração que vem.

Sweeney: Eu não estou lhes chamando de seita. Eu só estou dizendo que eu conheci pessoas …

Holland: (Interrompendo) Eu conheci pessoas. E se as pessoas querem chamar-nos de seita, eles podem chamar-nos de seita e você pode chamar-nos de seita mas nós somos 14 milhões e crescendo e eu gostaria de pensar que o seu respeito por mim seria suficiente para saber que este homem não lhe parece ser um palhaço.

Por que Holland acharia importante mentir sobre as penalidades do templo, ao invés de admitir que elas existiram mas não existem mais? Ou simplesmente aceitar sua existência mas contextualizá-la apropriadamente? Mentir para passar uma imagem pública melhor ou mais palatável é justificado ou válido? Trata-se de uma tradição dentro dos valores mórmons?


(Curiosidade: O ato falho de Holland de chamar o Presidente os EUA Barack Obama de “Osama” reflete uma tradição popular na época entre conservadores norte-americanos de racismo jocoso de misturar o presidente negro com o nefasto terrorista islâmico Osama bin Laden. Teria Holland deixado escapar uma janela aos círculos políticos que frequenta?)

6 comentários sobre “Jeffrey Holland: Mentindo Sobre o Templo

  1. Mentiras, mais mentiras e mais mentiras, até quando tudo isso vai continuar numa igreja que diz ser exemplo moral para sociedade?

  2. Membros Sud mentem o tempo todo.

    Mentem sobre a sua história (história sud, mórmon). Mentem para agradar as pessoas, mentem para se posicionar melhor, mentem até para si mesmo para não perder sua fé, mentem na reunião de testemunho para fazer parte do grupo. A mentira para instituição e pessoas que frequentam se tornou cultural.

    Uma dúvida parte da entrevista fala sobre a condenação de Joseph em 1826, essa condenação foi quando ele tentou abrir um banco e vendeu papeis sem valor a diversas pessoas?

  3. Penso que os apóstolos poderiam receber orientações de um Relações Públicas, acho que estamos tão arraigados e condicionados a manter uma boa imagem que não estamos preparados para quando ela for confrontada com nossas fraquezas e defeitos, inclusive os pseudo defeitos.Penso que estamos vivendo um conflito de se inserir numa sociedade extremamente crítica, e pensamos como os pioneiros com sua cultura e mundo mais isolado.Devemos orar e buscar nos melhores livros ,orientação e respaldo para explicação de nossa história. Defendo a espiritualidade junto com a intelectualidade para sairmos de situações embaraçosas. Fico curioso se ressuscitasse Hugh B Brow para fazer essa entrevista.Ao isolar se das críticas ,perdemos a oportunidade de ponderar e ampliar a visão de nossa história, perdemos também a benção de nos auto-criticarmos de modo franco.

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