Plágio e as Escrituras

Plágio significa “copiar ou imitar, sem engenho, as obras ou os pensamentos dos outros e apresentá-los como originais”.

Apesar de conceito simples e claro, muitas pessoas tem dificuldade para compreendê-lo e, ainda mais frequente, reconhecê-lo.

Felizmente, a esposa do candidato Republicano a presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu o perfeito exemplo ilustrativo.

Melania Trump plagia Michelle Obama em seu discurso na Convenção do Partido Republicano em Cleveland, Ohio

Durante seu discurso na Convenção Nacional do Partido Republicano dessa semana, a candidata à primeira dama dos EUA Melania Trump liberalmente plagiou de trechos de um discurso de 2008 da então candidata à primeira dama dos EUA Michelle Obama:

Inicialmente, Donald Trump e aliados insistiram em negar que Melania Trump havia plagiado Michelle Obama. Contudo, as evidências eram tão óbvias, e foram tão rápida e amplamente divulgadas, que uma membro de sua equipe, a escritora formada pela Universidade de Utah Meredith McIver assumiu responsabilidade e culpa pelo plágio.

A empresa Turnitin, especializada em detecção de plágio em trabalhos acadêmicos, analisou os discursos e demonstrou com alto grau de confiança que Trump plagiara de Obama [ênfases nossas]:

“O tipo ‘clone’ de plágio copia de outro trabalho literalmente, palavra por palavra. O início da seguinte frase de ambos discursos de Melania Trump de 2016 e o de Michelle Obama de 2008 exemplificam isso. Ambas são exatamente as mesmas. (…) Só para oferecer um contexto… há uma chance em um trilhão que uma frase de dezesseis palavras correspondam a uma outra frase do mesmo comprimento apenas por coincidência. Quanto mais o número de palavras correspondentes aumenta, a probabilidade de uma correspondência por pura coincidência cai por ordens de magnitude. (…) O final da mesma frase, mencionada acima, fornece um exemplo de plágio do tipo “localizar e substituir”, um caso em que algumas palavras-chave ou frases são alteradas, mas o texto mantém o conteúdo ou o significado do trabalho copiado.”

A comparação lado a lado das frases em questão não deixa nenhuma dúvida para o investigador racional e imparcial dos dois tipos de plágio dentro os 10 tipos categorizados (i.e., “clone” e “localizar e substituir”) inclusos no discurso de Trump.

Plágio não é exclusividade acadêmica ou política, aparecendo com frequência no universo religioso. Thomas Monson, por exemplo, é fã pessoal de plágio, havendo plagiado de seus próprios discursos passados em Conferências Gerais de 2014 e 2016. Alguns sites de notícias SUD plagiam rotineiramente.

Plágio também ocorre nas escrituras. Continuar lendo

Igreja Mórmon e Bullying

Como você trata pessoas em grupos minoritários ou diferentes de você diz muito mais sobre quem você é do que o que você diz de si mesmo.

'PARE DE FAZER BULLYING COM AS PESSOAS', “Mormon Church & Bullying” por David Hayward

‘PARE DE FAZER BULLYING COM AS PESSOAS’ diz a charge entitulada “Igreja Mórmon & Bullying” por David Hayward

O pastor David Hayward se inspira no drama e sofrimento de Continuar lendo

Aprendendo a Ler (as Escrituras)

Ler é difícil. Compreensão e interpretação de textos também são difíceis.

Infelizmente, é um fato inconteste que a maioria dos cristãos, incluindo a maioria dos mórmons, não dispõe das ferramentas intelectuais suficientes para ler e estudar as escrituras adequadamente.

Casal Lendo Livros (Foto por Erin Kelly, reproduzido com permissão)

Ontem publicamos uma citação do Apóstolo Paulo de Tarso ensinando obediência e submissividade às autoridades governamentais. Hoje iríamos discutir o motivo pelo qual Paulo pregava essa doutrina, mas optamos por pausar em um comentário de um leitor que exemplifica falhas comuns de muitos fiéis ao ler os textos bíblicos (e demais leituras, em geral).

Essa discussão é importante porque, sem as técnicas literárias básicas necessárias para ler, compreender, e interpretar um texto, é absolutamente fútil qualquer tentativa para discutí-lo.

Vejamos, portanto, o texto em discussão e o comentário que tentara interpretá-lo:

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Paulo de Tarso: Submissão Ao Estado

O Apóstolo Paulo de Tarso ensinou, sem margens para equívocos, que o bom cristão é inteiramente obediente e submisso às autoridades governamentais em todos os momentos.

Relevo do ARCO

Relevo do Arco de Tito na Via Sacra Romana, celebrando a destruição de Jerusalém e a subjulgação dos judeus rebeldes em 70 EC

Independentemente da qualidade do governo, o bom cristão será tão obediente ao governo e às autoridades constituidas quanto a Deus:

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Ensinamentos da Bíblia: Violência Sexual

Com a recente discussão sobre violência sexual na universidade Mórmon, muitos membros da Igreja SUD saíram em defesa da escola, sugerindo que mesmo vítimas de violência sexual e estupro devem ser punidas por quaisquer regras quebradas no contexto do estupro, ou até (pasmém) por sua culpabilidade em seus ataques.

O Sermão da Montanha por Carl Bloch (1890)

O Sermão da Montanha por Carl Bloch (1890)

Considerando a estranheza dessa postura misógina de tantos Mórmons, voltamos a nossa atenção aos ensinamentos bíblicos sobre o assunto.

O que, então, a Bíblia nos ensina sobre violência sexual contra mulheres? Continuar lendo

Páscoa: Evangelho de João

Celebramos a Páscoa Cristã.

Páscoa vem da palavra grega pascho, que significa “sentir” ou “viver a experiência”. Nos Evangelhos canônicos, especialmente nos relatos da Páscoa Cristã, ela foi invariadamente usada com o significado de “sofrer” ou “sentir dor” ou “viver uma experiência dolorosa ou pesarosa”. Para os autores dos Evangelhos, pascho (páscoa) significava o sofrimento e a dor que Jesus de Nazaré vivenciou no seu martírio em Jerusalém. Daí o nosso uso do têrmo Páscoa para nos referir ao martírio (sofrimento e morte) de Jesus.

Celebremo-na considerando os quatro relatos mais antigos, e coincidentemente canonizados, da Páscoa.

Ao contrário do que a maioria dos Cristãos imagina, os quatro relatos canonizados (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram o mesmo evento, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).

Portanto, honramos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu a Páscoa de acordo com o autor do Evangelho de João? Continuar lendo

Páscoa: Evangelho de Lucas

Celebramos hoje a Páscoa Cristã.

Páscoa vem da palavra grega pascho, que significa “sentir” ou “viver a experiência”. Nos Evangelhos canônicos, especialmente nos relatos da Páscoa Cristã, ela foi invariadamente usada com o significado de “sofrer” ou “sentir dor” ou “viver uma experiência dolorosa ou pesarosa”. Para os autores dos Evangelhos, pascho (páscoa) significava o sofrimento e a dor que Jesus de Nazaré vivenciou no seu martírio em Jerusalém. Daí o nosso uso do têrmo Páscoa para nos referir ao martírio (sofrimento e morte) de Jesus.

Celebraremo-na considerando os quatro relatos mais antigos, e coincidentemente canonizados, da Páscoa.

Ao contrário do que a maioria dos Cristãos imagina, os quatro relatos canonizados (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram o mesmo evento, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).

Portanto, honramos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu a Páscoa de acordo com o autor do Evangelho de Lucas?
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Páscoa: Evangelho de Mateus

Celebramos hoje a Páscoa Cristã.

Páscoa vem da palavra grega pascho, que significa “sentir” ou “viver a experiência”. Nos Evangelhos canônicos, especialmente nos relatos da Páscoa Cristã, ela foi invariadamente usada com o significado de “sofrer” ou “sentir dor” ou “viver uma experiência dolorosa ou pesarosa”. Para os autores dos Evangelhos, pascho (páscoa) significava o sofrimento e a dor que Jesus de Nazaré vivenciou no seu martírio em Jerusalém. Daí o nosso uso do têrmo Páscoa para nos referir ao martírio (sofrimento e morte) de Jesus.

Celebraremo-na considerando os quatro relatos mais antigos, e coincidentemente canonizados, da Páscoa.

Ao contrário do que a maioria dos Cristãos imagina, os quatro relatos canonizados (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram o mesmo evento, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).

Portanto, honramos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu a Páscoa de acordo com o autor do Evangelho de Mateus?
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Páscoa: Evangelho de Marcos

Celebramos hoje a Páscoa Cristã.

Páscoa vem da palavra grega pascho, que significa “sentir” ou “viver a experiência”. Nos Evangelhos canônicos, especialmente nos relatos da Páscoa Cristã, ela foi invariadamente usada com o significado de “sofrer” ou “sentir dor” ou “viver uma experiência dolorosa ou pesarosa”. Para os autores dos Evangelhos, pascho (páscoa) significava o sofrimento e a dor que Jesus de Nazaré vivenciou no seu martírio em Jerusalém. Daí o nosso uso do têrmo Páscoa para nos referir ao martírio (sofrimento e morte) de Jesus.

Celebraremo-na considerando os quatro relatos mais antigos, e coincidentemente canonizados, da Páscoa.

Ao contrário do que a maioria dos Cristãos imagina, os quatro relatos canonizados (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram o mesmo evento, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).

Portanto, honramos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu a Páscoa de acordo com o autor do Evangelho de Marcos?
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Mórmons Leem As Escrituras?

Reagindo às notícias do vazamento, da reação oficial da Igreja SUD, e das reações de outros Mórmons, sobre a nova política da Igreja discriminar contra crianças em famílias LGBT, muitos membros da Igreja abriram as escrituras para defender a posição oficial da Igreja.

Citando passagens de escrituras, esses membros SUD se propõem a demonstrar que a discriminação institucionalizada com essa nova medida está em linha com o comportamento esperado de um discípulo de Cristo.

Nem todos os Mórmons creem que Jesus chama para si as criancinhas

Nem todos os Mórmons creem que Jesus chama para Si as criancinhas

O que nos leva a indagar: Será que Mórmons leem as escrituras?

Eis aqui dois exemplos ilustrativos.

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A Mãe de Jesus

Pintura de Galen Dara (2012).

Pintura de Galen Dara (2012).

João também menciona a mãe de Jesus na crucificação. Ele descreve as mulheres perto da cruz, mas há um problema de pontuação, e não há certeza sobre quantas mulheres havia. A primeira mencionada é a mãe de Jesus, mas ela não é nomeada. Isso porque talvez seu nome fosse bem conhecido, ou talvez haja algo a mais. João pode estar implicando a presença da Senhora. Os outros evangelhos não mencionam a Virgem Maria perto da cruz; como João, mencionam Maria Madalena, a outra Maria, e uma terceira mulher. João tem a misteriosa quarta mulher sem nome. Lemos que Jesus confia sua Mãe a João, e confia João à sua Mãe, o que pode simplesmente significar que Jesus esteja fazendo provisões para sua Mãe. Mas há outra possibilidade: que João se tornou o filho da Mãe celestial de Jesus, outro filho da Sabedoria, porque foi a João que Jesus revelou suas visões e ensinamento secreto.

Margaret Barker. Jesus The Nazorean: On the publication of King of the Jews. Temple Theology in John’s Gospel. Abril 2014. p. 05.

A autora Margaret Barker é metodista e conhecida pelos seus estudos bíblicos em “teologia do templo”, a qual procura traçar as origens da teologia cristã ao Primeiro Templo.

Antigo talismã cristão descoberto

O fragmento de um papiro de aproximadamente 1500 anos foi descoberto na semana passada e está sendo considerado um dos mais antigos talismãs cristãos. Escrito em grego, o papiro utiliza a simbologia da Última Ceia para fins de proteção, combinando as passagens de Salmos 78:23-24 e Mateus 26:28-30.

Dra. Roberta Mazza

Dra. Roberta Mazza. (Imagem: Universidade de Manchester)

A descoberta foi feita pela Dra. Roberta Mazza, pesquisadora da Universidade de Manchester, Inglaterra, enquanto trabalhava com documentos raros do acervo da Biblioteca John Rylands. Ela explica que o papiro é significativo por mostrar aspectos importantes do cristianismo primitivo. Segundo Mazza, cristãos adotaram a prática egípcia de usar ou carregar talismãs contendo papiros, substituindo as orações feitas a deuses egípcios ou greco-romanos por passagens bíblicas. Continuar lendo

Igreja processada por violar direitos autorais

Prédio do Escritório da Igreja

Prédio do Escritório da Igreja

A Corporação do Presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem sido bastante zelosa em relação aos seus direitos de propriedade intelectual, processando indivíduos ou empresas que usem o que considera ser suas marcas registradas. Agora é a vez da Igreja ser processada por violar os direitos de uma empresa nos Estados Unidos. A Litchfield Associates, sediada na Flórida, está processando a Igreja – juntamente com as empresas Intellectual Reserve, Inc.e Deseret Book Company – por desrespeitar o acordo envolvendo o uso de sua Bíblia em versão audiolivro.¹ Continuar lendo

Por Que Jesus Expulsou Cambistas?

Exegese é a prática de analisar criticamente e interpretar textos, especialmente textos religiosos.

O maior obstáculo para a prática da exegese bíblica (ou de qualquer texto, para dizer a verdade, mas é particularmente comum em exegese bíblica) é a ignorância dos contextos históricos, sociais, e culturais dos textos envolvidos. Removidos de seus respectivos contextos, os textos dizem ao leitor precisamente aquilo que ele traz ao texto de seu próprio contexto — e nada mais simples de se demonstrar este fenômeno interpretativo do que a miríade de diferentes leituras de passagens bíblicas dentro dos mais diversos contextos religiosos existentes.

Jesus Expulsa Cambistas

Detalhe de “Jesus Purificando o Templo” por Carl Heinrich Bloch. Historiadores modernos contestam a historicidade desse conto baseando-se nas evidências existentes.

Para Mórmons isso é particularmente comum devido a usual falta de familiaridade de Mórmons com a Bíblia, seja com seus textos presentemente constituídos, seja com os estudos acadêmicos e literários dos textos bíblicos. Recentemente, durante uma discussão sobre shoppings SUD para missionárias eu levantei a comparação com a perícope [1] sobre Jesus expulsando cambistas do templo de Jerusalém, o que levantou algumas perguntas (e tentativas de contra-argumentos) que ilustraram perfeitamente o acima-mencionado problema.

Apresentou-se, assim, uma excelente oportunidade para 1) discutir a perícope de Jesus expulsando cambistas, e 2) ilustrar a importância de se familiarizar adequadamente com estudos acadêmicos em história, arqueologia, e estudos bíblicos para se formar opiniões informadas sobre a Bíblia.

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Usando As Escrituras

Como você lê as escrituras diz muito mais sobre quem você é do que sobre as escrituras.

“A Bíblia: Apenas Mais Um Tijolo Na Parede” pelo pastor David Hayward

“A Bíblia: Apenas Mais Um Tijolo Na Parede” pelo pastor David Hayward

O pastor David Hayward se inspira nas letras da canção de Pink Floyd Continuar lendo