Nova Vitória Política, Financeira para Igreja Mórmon

A Igreja Mórmon ganhou importante vitória política para um de seus ambiciosos planos imobiliários no Condado de Salt Lake quando o conselho municipal da cidade de Riverton votou unanimamente pela autorização dos planos da Igreja.

Igreja Mórmon foca em centros comerciais e residenciais para afluentes em Utah

Entenda o caso

O que fora em décadas passadas uma fazenda destinada ao Projeto de Bem Estar d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias será, então, transformada em imponente investimento comercial imobiliário na cidade de Riverton, Utah, incluindo shopping center de luxo e condomínios para famílias de classe média alta, além de torres comerciais para escritórios e restaurantes de grife. Ao invés de produzir alimentos para os pobres nessa propriedade, a Igreja Mórmon construirá centros comerciais e residenciais para os ricos.

A empresa com fins lucrativos ‘Reserva de Terrenos Suburbanos’ (‘Suburban Land Reserve’ ou SLR) de propriedade da Igreja SUD está se preparando para desenvolver uma faixa de 540 acres de terras agrícolas de propriedade da própria Igreja no lado oeste de Riverton a tornarem-se bairros residenciais e de uso misto comercial e residencial.

O empreendimento está sendo muito bem visto por líderes políticos locais, e tanto prefeito como vereadores cooperaram para conseguir as aprovações legais e técnicas. Os planos da subsidiária da Igreja, a SLR, incluem 3,500 residências de classe média alta divididas em unidades variáveis de casas de pequeno, médio e grande porte, a complexos de prédios pequenos interconectados por parques e áreas de lazer abertas. Além disso, planos para construção futura de veículo leve sobre trilhos cruzando essa cidade dentro da cidade serão considerados aparte do projeto inicial.

Esse empreendimento imobiliário da Igreja Mórmon coincide com a recente autorização para a construção de um shopping center de céu aberto de 85 acres, o Mountain View Place, cedido para a empresa californiana CenterCal, em terreno comprado diretamente da SLR, que intermediou o negócio para o shopping em conjunto com a Property Reserve Inc. (PRI), outra subsidiária com fins lucrativos da Igreja SUD.

Fazendas de Bem-Estar

A compra de terras por parte da Igreja SUD começou no final da década de 1930. A intenção era dar às pessoas desempregadas a oportunidade de trabalhar e produzir mercadorias para ajudar pobres e necessitados. Na década de 1940, estacas e grupos de estacas começaram a comprar fazendas como projetos de bem-estar aprovados. Às vezes, a Igreja comprava uma fazenda, e a unidade local reembolsava o empréstimo à Igreja com as receitas agrícolas. Na década de 1970, as fazendas foram adquiridas em uma base compartilhada, com metade dos fundos provenientes da unidade local e metade da sede da Igreja. Todos os novos terrenos agrícolas são adquiridos exclusivamente pela Igreja desde os anos 1990. A Igreja é dona e opera centenas de fazendas de bem-estar localizadas através de mão-de-obra voluntária, gerando muitos tipos de mercadorias para o seu Programa de Bem-Estar. Além disso, ela vem adquirindo extensas propriedades agrícolas no seu sistema de reserva de Bem-Estar e em suas carteiras de investimento imobiliário e agrícola.

Projetos agrícolas variam de acordo com a localidade, necessidade, clima e condições do solo. Fazendas de bem-estar produzem grãos, frutas e legumes. Há também carne bovina, suína, e aves, bem como tais projetos especializados como a produção de mel, e também como a reservas de caça esportiva e reservas florestais.

Empresas com Fins Lucrativos

Deseret Ranches, administrada pela Deseret Cattle and Citrus, é uma das muitas empresas com fins lucrativos de propriedade da Igreja SUD. Seu foco principal é a pecuária de corte. Segundo o site da empresa, a fazenda possui mais de 42 mil vacas, que produzem 36 mil novilhos por ano. A produção anual de carne passa de 8 mil toneladas, o que lhe dá a reputação de maior fazenda de gado de corte do mundo. Na agricultura, há destaque para citros, com 200 mil pés de laranjeiras. A fazenda ainda tem outras culturas, como a batata.

O interesse da Deseret Ranches em um projeto de urbanização na Flórida foi noticiado pela primeira vez em 1991, em reportagem do jornal The Arizona Republic e reproduzida em parte no Deseret News, de propriedade da Igreja SUD. Tal como a SLR em Utah, a Deseret Ranches está migrando de fazendas de bem-estar e fazendas com fins lucrativos para investimentos imobiliários comerciais para maximizar o retorno financeiro para a Igreja.

Agronegócio

Silos da AgroReservas Argentinas S.A.

Silos da AgroReservas Argentinas S.A.

A Igreja SUD é considerada uma das maiores proprietárias de terras para agropecuária nos Estados Unidos. De acordo com reportagem da revista Bloomberg Businessweek, outras empresas de agronegócio da Igreja SUD incluem a Sooner Cattle Co., em Oklahoma, com vendas anuais estimadas em US$ 760 mil; a Agrinorthwest, com vendas estimadas em US$ 68 milhões anuais, sediada no estado de Washington; a Deseret Land and Livestock, que atua em Utah e Wyoming, possuindo cerca de 8.500 cabeças de gado, além de uma reserva de caça e pesca; e a AgReserves, com fazendas no Canadá, Austrália, Grã-Bretanha, Argentina, Chile e Brasil.

Brasil

A AgReserves atua discretamente no país como AgroReservas do Brasil Ltda. O escritório da empresa está localizado na cidade de Formosa, em Goiás. Em 2005, sua fazenda em Unaí, noroeste de Minas Gerais, foi invadida por integrantes do MST, depois condenados a indenizar a empresa. Estima-se que a empresa “possui cerca de 4,3 mil hectares de pastagem para 7,6 mil cabeças de gado e que ainda produz nos outros 100 mil hectares, cerca de 170 mil toneladas de laranja a cada ano”. Perfis de funcionários da AgroReserva no site LinkedIn também mencionam plantações de soja, feijão, sorgo, milho e batata.


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26 comentários sobre “Nova Vitória Política, Financeira para Igreja Mórmon

  1. Quanto mais uma igreja cresce de mais dinheiro necessita para manter as estrutura e como a maioria são pobres só tem duas maneiras de manter a estrutura ( capelas, templos e etc…) uma explorar seus membros inventando novas ofertas e incentivando dar mais ofertas que tem condições ou fazendo investimento para que aqueles que tenham dinheiro possam ajudar. A igreja Mórmon prefere fazer investimento do que explorar seus membros. Parabéns a igreja ótima decisão.

    • Interessante, eles devem estar tendo problemas com essas empresas então, pois já tem tempos que criaram a regra de que ‘dignidade’ é estar no templo o tempo todo e para poder fazer isso só sendo dizimista integral.

      Também reduziram ao máximo qualquer ajuda a missionário que, inclusive no Brasil, vivem ficando doentes e ao invés de mandar ao hospital ou dar remédios (falo até de coisas simples), mandam chupar limão ou parar de choramingar. Quando não mandam pra casa e a família que se vire sem qualquer ajuda da igreja.

      Parece que essas empresas milionárias devem estar em dificuldades financeiras a ponto de sobrar dinheiro só para novos investimentos e nada para aqueles que com fé, de um modo ou de outro, permitiram que elas hoje existam.

      Sua teoria é plausível, pode até ser em parte verdade em parte, mas é preciso ver que ricos e pobres vêem o mundo de um modo bem distinto. Ricos (e aqui incluo empresas) tem muita pouca empatia sobre os menos afortunados (não é fim nem natureza dos tais) para ter essa preocupação filantrópica e tão abnegada.

      • Nossa é tanta ajuda aos pobres que fecharam o armazém do bispo em SP.
        E ao invés de doar o que tinham para membros necessitados, preferiram chamar a cruz vermelha.
        Claro para que ajudar se prefiro investir.
        Essa é a nova metodologia da igreja.

    • A lógica é inversa: quando mais a igreja cresce mais ela arrecada, ao contrario que muitos pensam o mandamento mais cumprido pelos membros ativos e inativos de todas as igrejas cristãs é o dizimo, conheço muitos membros inativos de minha ala que “pagam” o dizimo, tenho exemplo disto em minha família, é de natureza do ser humano querer agradar suas divindades com ofertas e comprar bençãos e terrenos no Céu, indulgências, e os mais fiéis em contribuições financeiras são os mais pobres, pois assim são porque não sabem dar valor ao seu suado dinheiro e não pensam em investir,não são apegados aos bens materiais, se ao invés pagar ofertas e dízimos investissem tornariam ricos como a igreja, pois deveriam aprender com ela. O mais ricos são os mais avarentos, por isto são ricos, pois são apegados a bens materiais, e os mais pobres são mais liberais com seus bens por isto assim são.
      Tenho uma pergunta porque todo o dinheiro vai para Salt Lake, para depois voltar, porque não deixam nos administrarmos, aqui no Brasil, com nossos próprio recursos? Eu repondo é para não termos noção do quanto arrecadamos.
      Aos que duvidam eu desafio a fazer uma pesquisa sociológica utilizando metodologia cientifica, com métodos empíricos já conseguimos esquematizar uma resposta racional sem achismo.
      Os pastores mais ricos do mundo estão nos países mais miseráveis.

  2. Como explicar as pessoas que dinheiro não da em árvore? Os custos para a igreja se manter são muito maiores dos que o que é arrecadado. Não se pode sair por ai construindo e dando dinheiro sem que ele acabe.

    • Como explicar?

      Que tal explicando que a renda anual estimada de dízimos e ofertas da Igreja SUD é de USD 7 bilhões.

      Não USD 7 milhões. Bilhões.

      Você acha que “os custos para a igreja se manter são muito maiores” que USD 7 bilhões anuais?

      Quanto será que a Igreja realmente precisa de OPEX (borderô anual de despesas operacionais totais)? USD 1 bilhão? USD 2 bilhões?

      Mesmo que a Igreja gastasse USD 6 bilhões anuais (para comparação, o OPEX mundial da FORD é de USD 7 bilhões), o que parece excessivo para uma igreja que tem isenção de impostos em quase todos os países onde opera, ainda assim sobrariam USD 1 bilhão por ano. Mesmo que a Igreja guardasse esse dinheiro na caderneta de poupança brasileira, seria difícil imagina-la passando apertos financeiros.

      Colocando o resto das aventuras capitalistas da Igreja SUD em perspectiva:

      A renda anual de uma de suas subsidiárias com fins lucrativos, a Deseret Management Company, fatura anualmente USD 1,5 bilhões.

      A Igreja SUD diretamente investiu USD 5 bilhões no seu complexo imobiliário City Creek Center em torno do famoso shopping.

      A Igreja SUD está diretamente investindo mais bilhões de dólares em outros empreendimentos imobiliários.

      A Igreja SUD é considerada a segunda igreja mais rica do mundo com ativos estimados em mais de USD 30 bilhões.

      Antes que sua fantasia completamente divorciada da realidade sobre “custos… muito maiores dos que o que é arrecadado” lhe cause aflições sobre “da[r] dinheiro [até] que… acabe”, a Igreja SUD “dá” em média entre USD 46 e 84 milhões (não bilhões) anuais em ajuda humanitária. Nesse ritmo, se a Igreja continuasse doando USD 84 milhões por ano e nunca mais aceitasse um tostão em dízimos e ofertas, ela tardaria 84 anos para gastar tudo que arrecadou em 2015 apenas em doações e dízimos.

      • Não há nada de errado em a Igreja gastar mais do que arrecada. Ela está colocando em prática o princípio da autossuficiência.

    • Emanuel, o custo operacional da igreja é muito baixo devido ao fato de ela ser isenta de impostos e contar com um exército de voluntários para quase tudo que faz. Mesmo em projetos humanitários a igreja gasta muito pouco, sendo que grande parte dos bens providenciados vem dos membros e não dos cofres da igreja. A obra missionária também conta com grande apoio financeiro das famílias dos missionários que, além de pagarem o dízimo, também contribuem com ajuda de custo para manter os missionarios. Se isso não fosse o suficiente, muitas famílias americanas, além de pagarem as missões de seus filhos, ainda enviam mais dinheiro para a missão. Sem contar que os missionários também recebem ajuda com alimentação providenciada por membros locais. Somente o fato de a igreja ter tantos investimentos demonstra que ela arrecada muito mais do que necessita para sua operação.

      • Muito bem colocado, Fábio.

        No seu comentário ainda ficou faltando lembrar todos os membros voluntários não remunerados que servem nas empresas de fins lucrativos da Igreja.

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