John Widtsoe: Mito Popular Sobre Poligamia

O Apóstolo John A. Witdsoe desmascarou um mito popular entre mórmons sobre poligamia ao escrever em 1943, de maneira clara e inequívoca, porém esse mito ainda persiste entre muitos membros da Igreja até hoje.

John Widtsoe

John Andreas Widtsoe, Apóstolo da Igreja SUD (1921-1952)

Widtsoe dirigiu-se àqueles que querem justificar a prática de poligamia mórmon no século 19 argumentando que ela foi introduzida por causa da falta de homens, às vezes dizendo que muitos “morreram” nas “perseguições”, às vezes dizendo que muitos se “apostataram”, e às vezes citando as “viúvas abandonadas”.

“O casamento plural tem sido um assunto de muitos e frequentes comentários. Os membros da Igreja não estão familiarizados com a sua história, e muitos não-membros, criaram razões falaciosas para a origem desse sistema de casamento entre os santos dos últimos dias.

A mais comum destas conjecturas é que a Igreja, através do casamento plural, procurou oferecer maridos para seu grande excedente de membros do sexo feminino. A suposição implícita nessa teoria, que havia mais mulheres do que homens membros da Igreja, não é suportado pela evidência existente. Pelo contrário, parece sempre ter havido mais homens do que mulheres na Igreja. Famílias – com pai, mãe e filhos – são os que mais comumente entraram para a Igreja. É claro que muitas mulheres solteiras tornaram-se conversas, mas também muitos homens solteiros.

Os registros de recenseamento dos Estados Unidos de 1850 a 1940, e todos os registros da Igreja disponíveis, mostram de maneira uniforme uma preponderância de homens em Utah e na Igreja. Na verdade, o excesso em Utah tem sido geralmente maior do que para todos os Estados Unidos, como seria de esperar em um estado pioneiro. Os nascimentos dentro da Igreja obedecem à habitual regra populacional – com um leve excesso de homens. Orson Pratt, escrevendo em 1853 a partir de um conhecimento direto das condições de Utah, quando o excesso de mulheres estava supostamente em seu pico, declara contra a opinião de que as mulheres superavam os homens em Utah (The Seer, p. 110). A teoria de que o casamento plural foi uma consequência de um excedente de membros da Igreja do sexo feminino falha por falta de provas.

Outra conjectura é que as pessoas eram poucas em número e que a Igreja, desejando maiores números, permitia a prática de modo que pudesse conseguir-se um aumento fenomenal na população. Isto não é defensável, já que nunca houve excesso de mulheres.”

Se há 73 anos que é tão óbvio que essas “desculpas” para poligamia são infundadas em fatos, sendo até publicamente desmascarado por um Apóstolo, por que ainda ouvimo-la com frequência?


Referência
Widtsoe, John Andreas, Evidences and Reconciliations: Aids to Faith in a Modern Day, Bookcraft, 1943, p. 307.

6 comentários sobre “John Widtsoe: Mito Popular Sobre Poligamia

  1. Eu também desconfiava deste argumento, apesar de ser bonito,mas penso que uma argumentação realista seria de que a poligamia foi algo ordenado em D&C como parte de uma restauração ainda não totalmente compreendida, e que esse sistema familiar ainda existe no mundo atual em muitas regiões do planeta e sempre foi praticado por alguns povos da humanidade.Penso que esse argumento que estou dando nesse mundo em que o conceito de família está se tornando variável.Penso que se continuar assim o Mórmons fundamentalistas vão conseguir a legalização dessa forma familiar poligama.Outro dia vi a notícia de um enfermeiro que queria casar com uma criança.Até no dicionário Houaiss vão substituir o significado da palavra família para os tempos modernos.Se continuar nesse ritmo a igreja nunca mais vai ter que encarar a poligamia como tabu e as pessoas que se escadalizavam vão diminuir progressivamente.Vamos ver aonde esses “novos conceitos” de família vão nos levar…

    • Agora, o Houaiss adota o seguinte conceito para o verbete:
      “Núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantém entre si uma relação solidária”

  2. Acredito que o ser humanos e os membros da igreja acreditam só no que”escutam falar” ao invés de estudar e pesquisar e fica sempre essa de me falaram que foi por isso ou por aquilo quando sabemos o por que.

    • então o que vc acha que foi a poligamia, adriano?

      Não entendi sua colocação.

      Eu acho que foi uma maneira da liderança da época se perpetuar no poder e realizar o desejo masculino de ter várias mulheres, deixando para Deus a responsabilidade de justificar a “revelação”.

      As lideranças sempre agem assim. Eles tem uma “revelação”, pois é sempre dito que a nossa igreja é de “revelação”. Quando dá certo, beleza, a revelação foi de Deus, quando dá errado, é porque os membros não tiveram fé.

      Vou lhes contar uma revelação recente: A liderança, não sei se local ou de área ou geral, teve a “revelação” para iniciar as reuniões sacramentais às 08hs, com a justificativa, talvez, que as pessoas teriam pais tempo com os familiares durante o domingo ou que exerceriam mais fé ao se prepararem cedo ou até mesmo, para que todos tomassem o sacramento no mesmo horário. Bem, a tentativa foi válida, mas não durou seis meses. As reuniões sacramentais se esvaziaram e tiveram que voltar ao modelo anterior. Quando isso acontece, dizem que os irmãos não tiveram fé suficiente. Então Deus mandou voltar ao que era antes.

      • Acredito que o Adriano disse é o tema mais comentado no “Vozes Mórmons”: os membros em geral NÃO estudam as escrituras e se o fazem não é de maneira eficaz, porque ficam apenas com as fontes “oficiais” (manuais e ensinamentos dos líderes locais) em vez de realmente “examinarem” (i.e., aprofundarem-se, procurar outras fontes) o tema. Ou seja, mesmo com um apóstolo (uma fonte oficial) ensinando que o casamento plural não foi instituído pela falta de sacerdócio, a cultura oral continua ensinando isso. É um paradoxo.

  3. Eu também acho que nem tudo na igreja é por revelação

    26 Pois eis que não é conveniente que em todas as coisas eu mande; pois o que é compelido em todas as coisas é servo aindolente e não sábio; portanto, não recebe recompensa.
    27 Em verdade eu digo: Os homens devem aocupar-se zelosamente numa boa causa e fazer muitas coisas de sua livre e espontânea vontade e realizar muita retidão.
    28 Pois neles está o poder e nisso são seus próprios aárbitros. E se os homens fizerem o bem, de modo algum perderão sua recompensa.
    29 Mas o que nada faz até que seja mandado e recebe um mandamento com o coração duvidoso e guarda-o com indolência, é acondenado.

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