Lucy Mack Smith: Joseph e as Placas

Lucy Mack Smith, mãe do Profeta Joseph Smith, legou para a posteridade o seu relato pessoal de como Smith teria encontrado as “placas de ouro” contendo o texto do Livro de Mórmon.

‘O Monte Cumorah’ por C.C.A. Christensen

Lucy Mack reconta o primeiro dia de outono de 1823, após Smith haver recebido a visita noturna de um anjo, orientado-o sobre a existência das placas, seu conteúdo, e seu esconderijo. Ela explica como Smith se preparou durante um ano para poder receber custódia das placas, e ainda como ele compartilhava com sua família o conhecimento histórico e cultural que ia adquirindo durante sua educação e preparo, em antecipação para ler e traduzir o relato contido nas placas. E, finalmente, a mãe do Profeta explica o que ocorreu ao final desse um ano de preparações e muita antecipação:

“No dia seguinte, meu marido, Alvin, e Joseph, foram colher juntos no campo, e como eles estavam colhendo, Joseph parou de repente, e parecia estar em um estudo muito profundo. Alvin, observando-o, apressou-lhe, dizendo: “Nós não devemos afrouxar nossas mãos ou não seremos capazes de completar nossa tarefa.” Nisso, Joseph passou a trabalhar novamente, e depois de trabalhar um curto espaço de tempo, ele parou tal como tinha feito antes. Isso sendo bastante incomum e estranho, atraiu a atenção de seu pai, e ele descobriu que Joseph estava muito pálido. Meu marido, supondo que ele estava doente, disse-lhe para ir para a casa, para que sua mãe cuidasse dele.

Ele consequentemente deixou seu trabalho, e começou, mas ao chegar em um verde bonito, debaixo de uma macieira, parou e deitou-se, pois ele estava tão fraco que não conseguia ir adiante. Ele estava ali não mais que um curto período de tempo, quando o mensageiro que ele viu na noite anterior visitou-o novamente, e a primeira coisa que disse foi: “Por que não contou ao seu pai, o que te ordenei contar a ele?”

Joseph respondeu: “Eu estava com medo que meu pai não me acreditaria.”

O anjo respondeu, “Ele vai acreditar em cada palavra que você disser para ele.”

Joseph, então, prometeu ao anjo que ele iria fazer o que ele tinha sido ordenado. Diante disso, o mensageiro partiu, e Joseph voltou para o campo, onde ele tinha deixado o meu marido e Alvin; mas quando chegou lá, seu pai tinha acabado de ir para a casa, ele já estava um pouco indisposto. Joseph então pediu para Alvin ir direto ver o pai, e informá-lo que ele tinha algo de grande importância para comunicar a ele, e que queria que ele viesse para o campo onde eles estavam trabalhando. Alvin fez como lhe foi solicitado, e quando meu marido chegou lá, Joseph recontou a ele tudo o que se passara entre ele e o anjo na noite anterior e naquela manhã. Depois de ouvir esse relato, seu pai lhe ordenou que não falhasse em atender estritamente à instrução que havia recebido deste mensageiro celeste.

Logo após Joseph ter essa conversa com seu pai, dirigiu-se ao local onde as placas estavam depositados, qual lugar ele descreveu assim:

“Próximo à vila de Manchester, Condado de Ontário, Nova Iorque, existe uma colina de considerável tamanho, sendo a mais alta que qualquer outra na vizinhança. No lado oeste dessa colina, não muito longe do topo, sob uma pedra de tamanho considerável, estavam as placas, depositadas numa caixa de pedra Esta pedra era espessa e arredondada no meio, no lado superior, e mais fina em direcção às extremidades, de modo que a parte central era visível acima do solo, mas as bordas ao redor estavam todas cobertas com terra.

Tendo removido a terra, arranjei uma alavanca, que eu fixei sob a borda da pedra, e com um pouco de esforço, levantei-a. Olhei, e lá, de fato, vi as placas! O Urim e Tumim, e o peitoral, como afirmara o mensageiro”. (Times and Seasons vol. III, p. 729; Supp. a Millennial Star, vol. XIV, p. 5; História da Igreja, pp. 15, 16.)

Enquanto Joseph permaneceu ali, o anjo mostrou-lhe, por contraste, a diferença entre o bem e o mal, e também as consequências de uma obediência e desobediência aos mandamentos de Deus, de uma forma tão marcante, que a impressão estava sempre viva na sua memória até o fim de seus dias; e ao relatar tal fato, não muito tempo antes de sua morte, ele observou, que “depois sempre estava disposto a guardar os mandamentos de Deus.”

Além disso, o anjo lhe disse, na entrevista mencionada por último, que o tempo ainda não havia chegado para as placas serem trazidas ao mundo; que ele não poderia levá-las a partir do local onde estavam depositadas até que ele tivesse aprendido a guardar os mandamentos de Deus – Não só até que estivesse disposto, mas capaz de fazê-lo. O anjo ordenou a Joseph que fosse àquele lugar todos os anos, na mesma época do ano, e ele iria encontrá-lo lá e dar-lhe mais instruções.

Naquela noite, quando a família estava toda junta, Joseph deu a conhecer a eles tudo o que ele tinha comunicado a seu pai no campo, e também que encontrara o registro, bem como o que se passara entre ele e o anjo enquanto ele estava no lugar onde as placas estavam depositadas.

Ficando acordado até tarde naquela noite, a fim de conversar sobre essas coisas, juntamente com o excesso de esforço mental, Joseph tinha ficado muito cansado; e quando Alvin observou-o, disse:

“Agora, irmão, vamos para a cama, e levantemos cedo de manhã, a fim de terminarmos o nosso trabalho do dia uma hora antes do pôr do sol, então, se a mãe trouxer as nossas ceias cedo, vamos ter uma noite bem longa, e vamos todos nos sentar com o propósito de ouvir você, enquanto você nos conta as grandes coisas que Deus revelou para você.”

Por conseguinte, ao pôr do sol no dia seguinte, estávamos todos sentados, e Joseph começou a contar-nos as grandes e gloriosas coisas que Deus tinha manifestado a ele; mas, antes de prosseguir, ele nos ordenou que não mencionássemos fora da família o que ele estava prestes a nos contar, pois o mundo era tão mau que, quando chegassem a um conhecimento dessas coisas, tentariam tirar nossas vidas; e que quando fôssemos obter as placas, os nossos nomes seriam descartados como o mal por todas as pessoas. Daí a necessidade de suprimir essas coisas, tanto quanto possível, até que viesse o tempo para que elas fossem anunciadas para o mundo.

Depois de nos dar esse aviso, ele passou a recontar mais pormenores acerca da obra que ele fora nomeado a fazer, e que os recebeu com alegria, nunca mencionando-os, exceto entre nós, compatível com as instruções que tinha recebido dele.

Deste momento em diante, Joseph continuou a receber instruções do Senhor, e nós continuamos a juntar as crianças todas as noites, com o propósito de ouvir enquanto ele nos dava um relato das mesmas. Eu presumo que nossa família apresentava um aspecto um tanto singular quanto qualquer outra que já viveu sobre a face da terra – todos sentados em círculo, pai, mãe, filhos e filhas, e dando a mais profunda atenção a um menino, dezoito anos de idade, que nunca tinha lido a Bíblia inteira em sua vida: ele parecia muito menos inclinado para a leitura de livros do que qualquer uma das nossas outras crianças, porém muito mais dado à meditação e ao estudo profundo.

Estávamos agora confirmados na opinião de que Deus estava prestes a trazer à luz algo sobre o qual poderíamos fixar nossas mentes, ou que nos daria um conhecimento mais perfeito do plano de salvação e redenção da família humana. Isso nos causou grande alegria, a união e felicidade mais doce permeava nossa casa, e tranquilidade reinava em nosso meio.

Durante nossas conversas às noites, Joseph ocasionalmente nos dava alguns dos mais interessantes relatos que poderiam ser imaginados. Ele descrevia os antigos habitantes deste continente, suas roupas, modos de viajar, e os animais sobre os quais viajavam; suas cidades, seus edifícios, com todos os detalhes; seus modos de guerra; e também a sua adoração religiosa. Isso fazia com enorme facilidade, aparentemente, como se tivesse passado a vida inteira entre eles.

Em 22 de setembro de 1824, Joseph voltou a visitar o lugar onde encontrara as placas no ano anterior; e supondo neste momento que a única coisa necessária, a fim de possuí-las até o tempo para a sua tradução, era ser capaz de guardar os mandamentos de Deus – e ele acreditava firmemente que poderia guardar todos os mandamentos que tinham sido dados a ele – ele totalmente esperava levá-las para casa com ele. Portanto, tendo chegado ao local, e descobrindo as placas, ele estendeu a mão e as levantou, porém, enquanto as estava levantando, o pensamento infeliz disparou em sua mente que, provavelmente, havia algo a mais na caixa, além das placas, que seria de alguma vantagem pecuniária para ele. Assim, nesse momento de excitação, ele colocou-as no chão com muito cuidado, com a finalidade de cobrir a caixa, a menos que alguém pudesse por coincidência passar por ali e conseguisse pegar o que quer que tivesse ter ficado nela. Depois de cobrí-la, ele virou-se para pegar o registro novamente, mas eis que ele sumira, e aonde ele não sabia, e nem sabia os meios pelos quais ele tinha sido tirado dele.

Então, como consequência natural, ele ficou muito alarmado. Ele ajoelhou-se e perguntou ao Senhor por que o registro havia sido tirado dele; No qual o anjo do Senhor lhe apareceu, e lhe disse que ele não tinha feito como tinha sido ordenado, pois em uma revelação anterior ele tinha sido ordenado que não pusesse as placas no chão, ou as colocasse por um momento além de sua mãos, até que ele entrasse em casa e depositasse-as em uma caixa ou baú, com uma boa chave e fechadura, e, ao contrário disso, ele tinha colocado-as no chão com o fim de obter algum tesouro suposto ou fantasiado que permanecera.

No momento de excitação, Joseph foi sobrepujado pelos poderes das trevas, e esqueceu a ordem que foi colocada sobre ele.

Tendo alguma outra conversa com o anjo, nesta ocasião, Joseph foi autorizado a levantar a pedra outra vez, quando ele viu as placas, como tinha feito antes. Ele imediatamente estendeu a sua mão para pegá-las, mas em vez de fazê-lo, como ele esperava, ele foi arremessado de volta ao chão com grande violência. Quando se recuperou, o anjo se foi, e ele se levantou e voltou para a casa, chorando por tristeza e decepção.

Como ele estava ciente de que estaríamos esperando que trouxesse as placas para casa consigo, ele estava muito perturbado, temendo que pudéssemos duvidar que as tivesse visto. Assim que ele entrou em casa, meu marido perguntou se ele tinha obtido as placas. A resposta foi: “Não, pai, eu não pude obtê-las.”

Seu pai então disse: “Você as viu?”

“Sim”, respondeu Joseph, “Eu as vi, mas não pude pegá-las.”

“Eu as teria pegado”, replicou seu pai, com muita seriedade, “se eu estivesse em seu lugar.”

“Oras”, retrucou Joseph, em um tom muito abatido, “você não sabe o que está dizendo. Eu não pude obtê-las, pois o anjo do Senhor não me deixou.”

Joseph então relatou a circunstância na íntegra, o que nos causou muito mal-estar, pois estávamos com medo de que ele pudesse fracassar completamente na obtenção do registro por causa de alguma negligência da sua parte. Nós, portanto, redobramos a nossa diligência na oração e súplica a Deus, a fim de que ele pudesse ser mais instruído em seu dever e a ser preservado de todas as artimanhas e maquinações daquele “que jaz à espreita para enganar”.”


Referência
Smith, Lucy Mack. History of the Prophet Joseph Smith by his mother Lucy Mack Smith. Cap. 19.

10 comentários sobre “Lucy Mack Smith: Joseph e as Placas

  1. O relato de uma mãe que acreditou nas histórias fantásticas do filho, já que não presenciou nenhuma manifestação sobrenatural.

    De qualquer forma, ela afirma que, mesmo antes de obter as placas, Joseph Smith já tinha conhecimento do seu conteúdo, com detalhes. Então, qual a utilidade das placas?

    Por fim, que dizer de alguém que é capaz de aproveitar-se da credulidade da própria família?

  2. Hoje vendo a posteriori tais relatos, vejo satisfeito tais acontecimentos narrados e preparação que se deu a JS para traduzir o LM, com seus meros 18 anos. Ficaria feliz se ocorresse novamente algo extraordinário… Tais aparicoes e preparações parece ser algo comum…lembro do relato das meninas Jacinta, Lucia e o menino Alexandre onde surgiu na igreja católica, em Portugal, com os encontros no povoado de Fatima, de Maria mãe de Jesus…todo dia 13 de vários meses.
    Tal preparação de JS, me mostra além de tudo que anjos responderam a curiosidade de JS sobre o tema.

  3. Gostei muito do relato! O que me faz acreditar na divindade do chamado de Joseph Smith é justamente os fracassos de sua vida e suas debilidades humanas.Em doutrina e convenios seção 5 o Senhor iria “demití-lo” como profeta e chamar outro em seu lugar.Penso que neste blog muitos usam os pecados de Joseph para remôve-lo de seu chamado.Mas isso deveria trazer mais esperança e fé para todos nós também disfrutarmos da misericórdia e paciência do Senhor para com nossos pecados, erros e fraquezas para podermos servi-lo de modo perseverante e ainda sim através do arrependimento receber suas
    bênçãos constantemente.Quando todas as pessoas assumirem suas debilidades sejam grandes ou pequenas, abomináveis ou
    não.A partir desse momento estaremos prontos para nos santificar e reconhecer o Senhor nos moldando para cumprir seus
    desígnios.Joseph foi chamado pelo Senhor não pelo seus pecados, paixões ou fraquezas.Mas pela sua perseverança, fé e submissão ao Senhor mesmo enfrentando inúmeras provações, críticas, dores,ausências e perseguição.Penso que qualquer
    membro desta igreja não pode ser exaltado nem aceito pelo Senhor sem ter passado pelo forno purificador e santificador à semelhança das provações passadas pelo Salvador.Quando mantemos nosso caráter firme em meio a rejeição do mundo
    sendo fíeis ás revelações recebidas de Deus, então mereceremos o respeito dos céus.Se sabemos que esta igreja é de Deus e Joseph Smith e outros erraram ENTÃO EU VOU TENTAR NÃO ERRAR! temos que trabalhar dentro da esfera que o Senhor
    nos colocou, realizar uma obra melhor e maior do que os líderes passados.Se o “iníquo” Joseph como dizem alguns,conseguiu receber algumas revelações de Deus, quanto mais nós que não temos tantos pecados como o “iníquo” Joseph Smith.

    • A meu ver os pecados de JS não negam a possibilidade de o mesmo apresentar sinais de paranormalidade.
      A questão é que nada sustenta a versão apresentada por ele para obter o livro de mormon.

    • A questão é : até que ponto estas revelações do dito “iníquo” Joe Smith são verdadeiras, “quem mente no pouco, no muito mente”, o Livro de Mórmon diz que a mentira vem de Satanás. Há de se fazer um filtro. Como, de que maneira? Este é o grande desafio.

      • Discípulo Sincero,
        Quem te disse que revelações precisam ser “verdadeiras” no sentido que conhecemos?

        Você acha realmente que Moisés abriu o mar vermelho em dois blocos, um de um lado e outro do outro?

        E Noé encheu sua arca com “todos” os animais do planeta?

        É o simbolo que importa, e ele é o elemento vital nisso. A moral e ética (que se metamorfoseia a cada avanço da humanidade) então passa ser o filtro que discerne a beleza de Alma 32 (o ensino da semente crescendo) e a besteira da poligamia, ambos vindo do mesmo coração.

        Para que se obtenha tal discernimento de espirito é preciso sair da “caixinha” romper com o pensamento que foi doutrinado e implantado na sua cabeça durante tanto tempo e que te faz ver a vida de maneira “dual” como se tudo fosse branco e preto, negando a realidade das várias cores e tonalidades que a compõem.

    • Belo comentário,concordo
      Quanda as pessoas pensam em profetas elas imaginam um ser perfeito e se esquecem de que são humanos,confesso qqueeu tambem pensava assim,mas não é assi que funciona,ele errou,pecou,moises tambem e todos os profetas da antiguidade,é um chamado de muitas responsabilidade

  4. Uma vez eu li (é uma pena pois esqueci a referencia) que o mormonismo antes de se tornar uma religião mundial ele era uma religião familiar. Tal relato colabora com essa frase, o berço do mormonismo começa com um adolescente caipira relatando histórias interessantes a sua família cristã e também mistica.Nesse ambiente acolhedor distante da ortodoxia religiosa e erudição de seus sacerdotes, o mormonismo é forjado na cabeça Jovem de seu futuro líder e profeta. Quanto da influencia familiar Joseph recebeu desde as histórias de um de seus avôs aventureiro e universalista que dizia que um profeta surgiria na família, até as visões e sonhos de seu pai e mãe? Ou quanto ele mesmo influenciaria sua própria família com tais relatos e futuras profecias? Que começo belo e lindo o cristianismo nunca foi homogêneo nunca foi algo de “um dono só” que faceta maravilhosa ele toma forma no mormonismo, anjos, visões, profecias tudo voltando atona dentro de uma obscura familia do interior americano. Como eu ficaria feliz se a maioria destes elementos “orgânicos” desta religião tivessem permanecido na maior representação deste movimento, talvez e certamente não seria tão grande, mas como certeza absoluta seria mais tocante e profunda.

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