O atual Patriarca, ex-Presidente de Estaca, ex-Professor de História na Universidade de Columbia, autor da famosa biografia de Joseph Smith, editor e apologista ativo para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Richard Lyman Bushman admitiu, em uma sessão de perguntas e respostas, que a Igreja mente sobre seu passado e sobre sua história.

Patriarca da Igreja SUD, e historiador biógrafo de Joseph Smith, Richard Lyman Bushman
Ao defender a Igreja em seus recentes esforços na direção de maior transparência e integridade intelectual e acadêmica, Bushman reconhece que a Igreja vem promovendo narrativas sobre seu passado que não condizem com a realidade histórica e que isso precisa mudar:
“Eu acho que para a Igreja permanecer forte, ela tem que reconstruir sua narrativa. A narrativa dominante não é verdade. Ela não pode ser sustentada. Assim, a igreja tem que absorver toda essa nova informação, ou ela vai se basear numa fundação instável, e é isso que ela está tentando fazer. E vai ser uma pressão para um monte de gente, para pessoas mais velhas especialmente, mas eu acho que tem que mudar.”
Assista o clipe aqui:
Há alguns meses publicamos um artigo explorando justamente essa questão, levantada em plena Conferência Geral, do problema de se vincular ignorância histórica com narrativas religiosas, e como isso pode sair pela culatra. Com a recente admissão pública do Presidente dos Doze Apóstolos que o Livro de Mórmon não teria o mesmo valor histórico que “a narrativa dominante” impunha aos membros, é possível inferir que há uma tendência entre os líderes e os apologistas para afastar a Igreja do literalismo histórico que a definiu por quase dois séculos?
Leia aqui a nota escrita por Bushman, posterior a esta publicação.
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É notório que existe uma tendencia, de historiadores e autoridades gerais, para abrir de forma mais completa e verídica a história da igreja.
No entanto eles esbarram em um problema gigantesco, que é o fato de muitas doutrinas e aspectos missionários terem sido construídos em cima de “meias verdades” ou uma “pseudo-história mórmon”. Neste caso, desconstruir a narrativa vigente é também mexer no cânone doutrinário, e isso é simplesmente um “nó”.
Outro problema que a igreja Sud também deve enfrentar é o fator econômica e financeiro. Uma alteração histórico doutrinário teria impacto direto na obra missionária principalmente na América latina e Africa (países onde existe maior número de conversões). Precisariam haver adequações no processo de proselitismo, doutrinas como “Única Igreja verdadeira” orar para saber se o livro de mórmon é verdadeiro, testemunho, batismo válido apenas na igreja Sud, tudo isso sustenta a organização financeiramente e operante nestes países, uma vez que as próprias reuniões e aulas não possuem um elemento agregador e trabalham contra a própria instituição.
Precisaria haver uma reforma doutrinária, uma reforma politica e financeira e isso daria trabalho, teríamos grandes perdas, muita coisa ficaria meio confusa de inicio mas por fim seria saudável, benéfico, bom e um ato de profundo amor por parte daqueles que nos lideram e se dizem representantes do Cristo.
A pergunta é bem simples: “Eles” possuem esse amor?
Uma doutrina sustentada na mentira não gera amor. Só princípios ensinados pela própria boca Salvador Jesus Cristo.
Penso que a história Cristã sempre foi narrada e escrita por amadores,observamos isso a respeito da religião no Velho Testamento e nas narrativas do Novo Testamento com inúmeras versões, extensamente editadas de modo favorável por autores apologistas da fé.No Livro de Mórmon, Moroni demonstrou o temor de ser zombado no futuro a respeito de seus relatos.
Eter Cap 12
23 E eu disse-lhe: Senhor, os gentios farão zombaria destas coisas, em virtude de nossa deficiência na escrita; pois, Senhor, tu nos fizeste poderosos na palavra pela fé, mas não nos fizeste poderosos na escrita; pois fizeste com que todo este povo muito pudesse falar, por causa do Espírito Santo que lhe deste;
24 E fizeste com que pudéssemos escrever só um pouco, em virtude da inabilidade de nossas mãos. Eis que tu não nos fizeste poderosos na escrita como o irmão de Jarede, porque fizeste com que as coisas que ele escreveu fossem poderosas como tu, a ponto de dominar o homem que as lê.
25 Tu também fizeste nossas palavras poderosas e fortes, a ponto de não as podermos escrever; portanto, quando escrevemos, observamos nossa fraqueza e tropeçamos por causa da colocação de nossas palavras; e eu temo que os gentios zombem de nossas palavras.
26 E depois de eu ter dito isto, falou-me o Senhor, dizendo: Os tolos zombam, mas lamentarão; e não se aproveitarão de vossa debilidade, porque minha graça basta aos mansos;
27 E se os homens vierem a mim, mostrar-lhes-ei sua fraqueza. E dou a fraqueza aos homens a fim de que sejam humildes; e minha graça basta a todos os que se humilham perante mim; porque caso se humilhem perante mim e tenham fé em mim, então farei com que as coisas fracas se tornem fortes para eles.
28 Eis que mostrarei aos gentios sua fraqueza e mostrar-lhes-ei que fé, esperança e caridade conduzem a mim — a fonte de toda retidão.
37 E aconteceu que o Senhor me disse: Se eles não têm caridade, a ti isso não importa; tu tens sido fiel; portanto, tuas vestes se tornarão limpas. E porque viste a tua fraqueza, serás fortalecido até que te sentes no lugar que preparei nas mansões de meu Pai.
A edição favorável dos relatos não seria uma novidade para nós cristãos.Penso que devemos nesta época em que a ciência da informação se encontra em um estágio avançado possamos desfrutar mais de relatos providos de integridade.Abrir mão das edições ou maquiagem dos relatos pode trazer uma experiência interessante para todo nós membros da igreja.Creio que a liderança poderia meditar sobre isso.Estamos na era do excesso e disponibilidade de informação, chega a ser constrangedor para a Igreja a vã missão de alterar relatos ou fatos historicamente comprovados.Oro para que vejamos com franqueza os fatos que ocorrem com nosso povo e nossa história.E através dos erros, aprender algo e melhorar.