O Presidente Brigham Young fez os seguintes comentários sobre a Sociedade de Socorro em reuniões com o Quórum dos Setenta e o Quórum dos Sumos Sacerdotes em Nauvoo, Illinois, em 9 de março de 1845:

Brigham Young ao Quórum dos Sumos Sacerdotes em Nauvoo, Illinois, 9 de março de 1845 (ênfases nossas):
“Sobre se a Sociedade de Socorro vai se reunir novamente. Eu vos digo que amaldiçoarei todo homem que deixar sua esposa ou filhas se reunirem novamente, até que eu lhes diga que possam. Para que serve a Sociedade de Socorro? Para nos livrar dos nossos melhores homens. Elas nos livraram de Joseph e Hyrum. Para isso é o que elas nos vão levar. Não quero o conselho ou a opinião de nenhuma mulher. Elas nos levariam ao inferno. Não há mulher na face da terra que possa se salvar. Mas se ela quiser entrar no Reino Celestial, ela deve ser conduzida por algum homem. Deus sabia o que era Eva. Ele estava familiarizado com mulheres milhares e milhões de anos antes.”
O secretário que anotou esses trechos do discurso de Young, Lucien Foster, terminou essas anotações com um resumo:
“Ele fez algumas observações em relação ao reavivamento da Sociedade de Socorro Feminina e a desaprovou isso.”
Brigham Young ao Quórum dos Setenta em Nauvoo, Illinois, 9 de março de 1845 (ênfases nossas):
“O Presidente Brigham Young levantou-se e disse que faria comentários relativos a algo em que muitas de nossas irmãs já estiveram envolvidas.
Elas não têm o direito de se intrometer nos assuntos do Reino de Deus fora do alcance disto. Elas têm o direito de se intrometer, porque muitas delas são mais sagazes e perspicazes e mais competentes para cuidar das questões financeiras. Elas nunca podem possuir as chaves do Sacerdócio além do seu marido. Quando eu quiser que as irmãs ou as esposas dos membros desta igreja organizem a Sociedade de Socorro, eu as convocarei a meu auxílio. Mas até lá, deixe-as ficar em casa e, se vocês homens virem as mulheres se encontrando, vetem essa ocorrência. E se elas disserem que foi Joseph quem começou [a Sociedade de Socorro], diga-lhes que isso é uma mentira maldita porque sei que ele nunca a encorajou. Mas eu sei onde o broto foi plantado, mas estou determinado a suspender estes procedimentos [da Sociedade de Socorro], pois foi com isso que nossos melhores homens foram tirados de nós. Um grama de preventivo é melhor que um quilograma de cura.”
Contexto histórico
Emma Smith, esposa oficial e legal de Joseph Smith, era veementemente contra o princípio de poligamia. Smith se casara secretamente em 1833 com uma adolescente que morava com eles e trabalhava pra ela, e o resultado havia sido desastroso para a paz familiar quando Emma descobriu tudo em 1835.
Em 1841, Smith começou a retomar os matrimônios plurais, e nos próximos dois anos, casou-se com mais de 30 mulheres, sempre às escondidas, tanto do público, como de Emma. Esta continuava a se opor, e inclusive sequestrou toda a agenda da recém-formada Sociedade de Socorro, quando foi designada sua Presidente em março de 1842, para explicitamente combater poligamia. Emma organizou as irmãs da Sociedade de Socorro para investigar e denunciar os casos clandestinos de poligamia.
Não obstante sua ferrenha oposição, Emma não havia sido capaz de controlar os casamentos secretos de Smith, e nem sequer capaz de impedi-lo de se encontrar com suas esposas plurais secretas. Smith institui as cerimônias de investidura e selamento, porém proibiu Emma de participar (ou se selar a ele para eternidade) enquanto ela não o apoiasse na poligamia. Sob essa ameaça, Emma aquiesceu e permitiu o casamento dele com duas adolescentes que trabalhavam para ela e moravam com eles (e, com quem Smith já era casado secretamente). Não obstante, Emma as expulsou de casa ao flagrar atos sexuais, supostamente sob a crença que tais casamentos seriam apenas “espirituais” em natureza. Em outra ocasião, Emma descobriu de outra esposa adolescente secreta, e briga conjugal subsequente resultou em atos de violência doméstica que até jornalistas regionais cobriram.
As brigas entre os dois apenas se intensificaram com o passar dos meses. Emma passou a exigir um marido plural para ela, e para alfinetar seu marido, decidiu demandar seu Conselheiro na Primeira Presidência, William Law. Após relutar por meses, ridicularizando e ofendendo-se com a sugestão, Smith decidiu aceitar a proposta desde que Sarah Jane, a esposa de Law, pudesse ser sua. Compreensivamente, os Laws rejeitaram as propostas, ofendendo-se, e criando um racha entre ambas famílias que terminaria em tragédia. Eles publicaram um jornal, o Nauvoo Expositor, ameaçando expor todos os casos secretos de poligamia de Smith e demais líderes da Igreja SUD. Smith, por sua vez, ilegalmente ordenou o confisco e a destruição do jornal dos Laws, que fugiram de Nauvoo temendo violência. Os irmãos Joseph e Hyrum Smith foram presos por este ato ilegal, e uma turba aproveitou-se dessa prisão – e da revolta pública agitada em torno deste ato ilegal – para assassina-los.
É nesse contexto que, menos de um ano após o assassinato dos irmãos Smith, Young acusara a Sociedade de Socorro, liderada por Emma Smith, de contribuir com a morte deles.
Referências
Bushman, Richard, Joseph Smith: Rough Stone Rolling, Alfred A. Knopf, 2005
Compton, Todd, Fanny Alger Smith Custer: Mormonism’s First Plural Wife? em Journal of Mormon History Vol. 22, No. 1, 1996
Compton, Todd, In Sacred Loneliness: The Plural Wives of Joseph Smith, Signature Books, 1997
Foster, Lawrence, Review of Todd Compton, In Sacred Loneliness: The Plural Wives of Joseph Smith em Dialogue: A Journal of Mormon Thought 33:184–86.
Johnson, Benjamin F. Johnson, My Life’s Review, Zion’s Printing and Publishing Co., 1947
Ludlow, Daniel (ed.), Oliver Cowdery em Encyclopedia of Mormonism, Brigham Young University, 2001
Newell, Linda e Avary, Valeen, Mormon Enigma: Emma Hale Smith, University of Illinois Press, 1994
Van Wagoner, Richard, Mormon Polygamy: A History, Signature Books, 1989
Evidências materiais, registros, etc.. de que aconteceu como falei, não tenho nenhuma. tudo o que disse, foi baseado no que imagino ter sido o mais razoável ter acontecido. Lógico, pode ter sido o inverso.
Foster poderia ter sido fiel a young, ter sido excomungado por motivos outros que não a rebeldia, ou até mesmo expulso por inimigos na liderança. Pode mesmo ter havido uma tal carta de Smith nomeando Strang como lider, Foster pode ter tido acesso a tal documento, enfim, só eles mesmos é que podem dar a resposta.
Em tempo:
Foster chegou a navoo em de abril de 1844 e Strang excomungado em agosto de 1844. Strang trabalhava com impressão de jornais, e Foster fotografia. Ambos conheceram JS. Nada mais natural em supor que se conheceram.
“Evidências materiais, registros, etc.. (sic) de que aconteceu como falei, não tenho nenhuma.”
Pronto, Marco. Você precisa acabar o seu raciocínio aqui. Fim.
Todo o resto de sua confabulação nada mais é que especulação e fantasia imaginativa.
“Supor” não é evidência, especialmente quando não há evidências sequer para sustentar tal suposição.
Como você mesmo disse, não há nenhum motivo racional ou lógico para sequer suspeitar que em março de 1845 Foster 1) conhecesse Strang, 2) fosse seguidor de Strang, 3) fosse seguidor secreto de Strang, 4) tivesse interesse em prejudicar Young, 5) estivesse adulterando documentos atuariais para prejudicar Young junto a historiadores 100 ou 200 anos mais tarde.
Em conclusão, em absolutamente nada “[c]onvém lembrar que Foster [seria] e[x]comungado” 18 meses após anotar esses comentários de Brigham Young. Se você encontrar “[e]vidências materiais, registros, etc[.]” do contrário, avise-nos e revisitaremos o assunto.