Mórmons, Maçons e Antimaçons

O segredo da maçonaria é guardar um segredo.

Joseph Smith

StairNauvoo1

Escada do atual templo de Nauvoo.

 

Na quarta ou quinta série, ouvi uma colega perguntar à professora de história se a maçonaria era a igreja do diabo. A surpresa que senti foi enorme, mas nada comparado ao que sentiria vinte anos depois, enquanto ensinava uma aula da Escola Dominical. Discutindo as combinações secretas descritas no Livro de Mórmon, alguém com décadas de experiência como membro da Igreja disse que a maçonaria se encaixava na descrição daquelas antigas conspirações.

Como filho e neto de maçons, na infância, via a maçonaria como algo divertido e atraente (com símbolos, segredos e roupas estranhas); ao longo dos anos, minha percepção continuou a ser positiva, enxergando uma instituição benéfica tanto para maçons quanto não-maçons (com a prática da caridade e o incentivo para serem pessoas íntegras) e compatível praticamente com qualquer religião. Como adulto, longe de idealizá-la, fui capaz de ver seu aspecto humano e suas relações de status social, como em qualquer outra instituição. Mas ainda levaria muito tempo para entender aquela pergunta ouvida aos 10 anos de idade como uma pergunta normal, a partir da perspectiva da nossa cultura.

Como um converso ao mormonismo, ao saber sobre a influência maçônica sobre Joseph Smith e ver no templo símbolos que conhecia como de origem maçônica, não senti nenhum conflito ou contradição, como muitos sentem ou já sentiram. Ao contrário, senti certo pertencimento ao ver símbolos que haviam sido incorporados ao meu imaginário pelo ambiente familiar e que ali tinham seus significados ampliados. Tampouco imaginei que um profeta não pudesse utilizar tradições já conhecidas para nelas encontrar verdades sublimes. Porém, para entender aquele comentário feito na Escola Dominical, e reconhecê-lo como legítimo, eu teria ainda que percorrer um caminho mais longo de leitura e reflexão, considerando o tratamento recebido pelo tema dentro da Igreja, a leitura promovida do Livro de Mórmon dentro desse contexto e a dificuldade que tem a maioria de nós, mórmons, de lidar de forma positiva com outras tradições ou organizações de natureza espiritual ou religiosa.

Estando familiarizado com a influência maçônica sobre Joseph Smith, foi interessante saber que a leitura antimaçônica do Livro de Mórmon – expressa naquele dia na Escola Dominical – não era só possível, como historicamente havia existido e influenciado conversos de renome, como Martin Harris e William W. Phelps.

A conexão histórica entre mormonismo e maçonaria é um fato reconhecido por ambas as instituições e tem sido objeto de vários estudos. A profundidade dessa conexão, seus primórdios e desdobramentos, no entanto, parecem não ter sido ainda totalmente explorados pela grande maioria de maçons e mórmons interessados no assunto. Há, muitas vezes, um reducionismo que tende a explicar a iniciação de Joseph Smith na fraternidade maçônica como uma busca de proteção política – como promovem alguns sud – ou uma cópia dos rituais maçônicos – de acordo com a visão de certos críticos do mormonismo, maçons ou não.

Em parte, tais limitações podem ser explicadas pela falta de compreensão que cada instituição tem da outra, pela necessidade de “defender” a si próprias, além da relativa falta de fontes primárias que lancem maior luz sobre a questão. Até mesmo mórmons que são também membros de lojas maçônicas muitas vezes optam por ignorar as complexidades e contradições da relação histórica entre os dois campos, optando pela mera apologia ou defesa, perante outros mórmons, de sua dupla filiação.

Entre muitos mórmons pode ser sentido um medo de lidar com informações que sugiram influências recebidas por Joseph Smith de seu meio, sua época e, especialmente, que sugiram que aspectos considerados únicos do mormonismo possam ter sido influenciados por outras tradições; ou, pior ainda, que Joseph Smith tenha deliberadamente incorporado ou feito empréstimos de conceitos e cerimônias de outras tradições ou organizações à sua volta. O receio provavelmente é de que tais informações possam comprometer a crença na origem divina da restauração e na posição de Joseph Smith como um profeta. Tal atitude contradiz a visão, tão presente no mormonismo, de que a inteligência e arbítrio humanos estão presentes no processo de aprender verdades divinas:

O mormonismo, talvez mais do que a maioria das religiões, reconhece o elemento humano no processo revelatório, seja ao iniciar aquele processo (D&C 9) ou prover as categorias conceituais e limites dentro dos quais uma dada revelação é entendida. O Livro de Mórmon prontamente reconhece “erros dos homens” em seu prefácio e as revelações em Doutrina e Convênios vêm dos servos do Senhor “em sua fraqueza, segundo o modo de sua linguagem, para que possam alcançar entendimento”, apesar da sua tendência a errar (D&C 1:24-28). Por que [esse mesmo processo revelatório que reconhece a iniciativa humana] seria diferente com as revelações sobre a obra do templo? (Armand L. Mauss, “Culture, Charisma and Change: Reflections on Mormon Temple Worship,” Dialogue: A Journal of Mormon Thought 20 (Winter 1987):p. 79)

Caso levássemos ao limite do absurdo esse mesmo receio de que certas evidências históricas possam comprometer o testemunho sobre a divindade da restauração, seríamos levados a menosprezar a influência do texto bíblico sobre a família Smith, uma vez que a Bíblia era um texto comum aos diferentes ramos do cristianismo que Joseph Smith declarava serem distorções da verdade original. É claro que nenhum mórmon pensaria isso. Isso porque a utilização do texto bíblico não compromete a crença na origem divina do mormonismo, seja frente a críticos ou seus próprios membros. Não há nenhum dedo apontado nessa direção. Aparentemente, os aspectos que nos ligam aos demais ramos do cristianismo são enfatizados pela Igreja moderna, enquanto os aspectos mais distintivos das doutrinas e práticas mórmons, em particular do passado, tendem a ser negligenciados ou subestimados na história oficial. A influência dos rituais e da simbologia maçônica sobre a tradição religiosa inaugurada por Joseph Smith parece ser um desses aspectos marginais da história mórmon, ao menos no que concerne a versão ensinada e utilizada no cotidiano da Igreja.

Quando se fala da influência maçônica sobre Joseph Smith, o sentimento de perigo pode atingir seu ápice, uma vez que tal influência ainda hoje se reflete, ainda que com menor intensidade do que antes de 1990, nos rituais considerados mais sagrados da Igreja sud, realizados no templo. Provavelmente, os templos mantidos pela Igreja sud permanecem sendo o aspecto mais controverso do mormonismo, com sua natureza secreta e seletiva até mesmo para os próprios membros. O conhecido jogo de palavras que nega haver segredos no templo e ressalta o seu aspecto sagrado expressa tão somente uma concepção negativa da ideia de segredo, desenvolvida na Igreja moderna, e uma tentativa de desassociar as ordenanças de sua referência maçônica. Na prática, porém, é requerido do membro que recebe a investidura guardar segredo sobre certos elementos da ordenança.

Ao associar as cerimônias mais sagradas da religião mórmon, realizadas em um local que ainda gera certa desconfiança entre não-membros, a uma instituição que pode gerar desconfiança tanto entre membros quanto não-membros, a atitude defensiva encontra terreno ideal para florescer. A ideia muitas vezes concebida, ainda que poucas vezes enunciada, é que ou Joseph Smith recebeu uma revelação sobre o templo ou fez empréstimos dos rituais maçônicos: uma coisa ou outra.

Aqueles que negam qualquer relação, ou argumentam que as semelhanças entre os dois [maçonaria e mormonismo] são superficiais, estão preocupados que o uso de rituais maçônicos por Joseph Smith seja inconsistente com seu papel profético. Outros se concentram nas semelhanças para fortalecer a ideia de que Smith fez muitos empréstimos da franco-maçonaria sem o benefício de inspiração. Esta abordagem “tudo ou nada” se combina com o segredo associado aos rituais para criar uma relutância em discutir o assunto em qualquer detalhe significante. (Michael W. Homer, “Similarity of Priesthood in Masonry”: The Relationship between Freemasonry and Mormonism. Dialogue: A Journal of Mormon Thought 1994: p. 02)

Um autor maçom que nega a definição da maçonaria como uma “sociedade secreta” dá esta interessante definição do segredo para o maçom: “O segredo maçônico é em si mesmo um símbolo; e, como os demais símbolos maçônicos, ele veicula uma instrução”. Alguém, como Joseph, que estava familiarizado com as “denúncias” dos rituais maçônicos, talvez pudesse imaginar que os novos rituais realizados pelos santos dos últimos dias também seriam mais cedo ou mais tarde “revelados” ao público. Onde permanece o segredo numa era em que os recursos tecnológicos tornaram sua exposição ainda mais rápida e detalhada? Ao definir tal símbolo – o segredo – como o (grande) segredo da maçonaria, estaria Joseph Smith incorporando a mesma visão às ordenanças do templo mórmon? [1]

A dificuldade ainda se intensifica com a impossibilidade histórica de datar os rituais maçônicos a um período anterior ao século XVIII. Como em outros dilemas da cultura sud, armamos a própria armadilha ao colocar de lado qualquer outra fonte de “veracidade” que não seja histórica ou muito antiga. Como se o poder simbólico de narrativas e representações pudessem depor contra nós, caso não sejam antigas o suficientes para ser exibidas como fatos. Dessa forma, a riqueza – e, simultaneamente, a simplicidade – do simbolismo maçônico é desconsiderada como um dos meios disponíveis que Joseph Smith tinha ao seu redor para expressar conceitos e princípios dos rituais do templo.

Uma vez que profetas e religiões sempre surgem e são nutridos dentro de um dado contexto cultural, também dinâmico, não deveria ser difícil entender por que mesmo as revelações mais originais devem ser expressas na linguagem da cultura e biografia do revelador. (Mauss, ibidem: p. 80)

Mas qual o preço a ser pago com esse olhar seletivo que ignora uma influência tão importante do passado mórmon e que ainda se reflete em nosso presente? Em 1974, o historiador Reed C. Durham dizia que o estudo sobre a maçonaria e sua influência sobre o mormonismo constituía uma “chave para o futuro entendimento de Joseph Smith e a Igreja”. Sua afirmação sugere que nosso entendimento atual sobre a restauração e Joseph Smith é reduzido e corre o risco, quem sabe, de ser distorcido.

Durham, à época diretor do Instituto de Religião da Universidade de Utah foi censurado pelo Sistema Educacional da Igreja e nunca mais abordou o tema em público, num claro exemplo de como a discussão sobre a influência maçônica sobre o mormonismo estava longe de ser bem recebida pelos canais oficiais da Igreja. O chamado de Durham, porém, não foi em vão, de forma que muitos acadêmicos escreveram e têm escrito sobre o mesmo tema. As novas informações disponíveis, as novas perguntas formuladas e suas possíveis respostas estão longe, no entanto, de alcançarem a maioria dos membros sud.

Em nosso país, isso é ainda mais verdadeiro, uma vez que há uma carência de publicações em língua portuguesa sobre temas de interesse histórico e cultural. Também é necessário reconhecer que a cultura majoritariamente católica do país e sua rejeição histórica da maçonaria por questões políticas que remontam ao império parece marcar a cultura nacional, o que talvez torne os membros brasileiros da Igreja particularmente mais avessos a refletir sobre a conexão entre mormonismo e maçonaria.

Grande parte dos trabalhos sobre maçonaria e mormonismo foca o período de Nauvoo, quando uma loja maçônica é formada pelos mórmons na sua nova cidade e seu profeta é iniciado formalmente na ordem. No entanto, o contato de Joseph Smith com a maçonaria antecede em muito aquele período. Sua introdução à maçonaria na década de 1840 foi “apenas o florescimento de uma relação que teve sua raiz no estado de Nova York antes da publicação do Livro de Mórmon” (John E. Thomson, The Facultie of Abrac: Masonic Claims and Mormon Beginnings. The Philalethes Society, December 1982).

A restauração levada a cabo por Joseph Smith era “cósmica em seu alcance, que penetrava o espaço até os confins da terra e os limites exteriores do próprio universo”. [2] Toda forma de conhecimento que pudesse aproximar o ser humano de seus progenitores celestiais pertencia ao mormonismo. A maçonaria foi vista por Joseph Smith como uma importante forma simbólica de conhecimento, a qual o mormonismo precisava restaurar ao seu propósito original. A restauração do evangelho original não podia dispensar uma restauração da maçonaria original.

Naquela manhã, na Escola Dominical, a única coisa que pude fazer foi dizer que Joseph Smith havia se tornado maçom para buscar um conhecimento sobre o templo que ele acreditava estar nela presente. Provavelmente, deve ter sido uma surpresa para muitos que acreditam num processo revelatório em que Deus provê respostas sem que o ser humano faça seu dever de casa ou busque as respostas à sua volta. No entanto, tenho cada vez mais me convencido de que não há melhor maneira de lidar com a falta de informação do que provendo a informação que falta. Isso deve soar óbvio demais.

A influência maçônica sobre Joseph Smith e os primórdios da Igreja sud não se limitam aos rituais do templo, mas apresentam paralelos na organização do sacerdócio de uma forma mais ampla; também é muito evidente na formação da Sociedade de Socorro, pensada originalmente como uma espécie de maçonaria feminina; e talvez mais importante e menos debatida seja a influência maçônica sobre a tentativa de Joseph Smith de “reformar” os santos em seus últimos meses de vida, proclamando uma religião alicerçada sobre “grandes princípios fundamentais” disponíveis a toda humanidade.

Leia também: Mormonismo e ciência

Hyrum, o profeta rejeitado

NOTAS

[1] MCNULTY, W. Kirk. A maçonaria: símbolos, segredos, significado. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 17.

[2] ALLEN, C. Leonard; HUGHES, Richard T. Illusions of innocence: Protestant primitivism in America, 1630-1875. Chicago: University of Chicago Press, 1988, p. 138.

140 comentários sobre “Mórmons, Maçons e Antimaçons

  1. Elder Marques, gostaria que voce ou qualquer irmão possa me ajudar em algumas questoes;
    Eu queria saber se houve mudanças na Cerimonia do Templo depois de 1990 e se houve quais foram (se for possivel cita-las aqui) essas mudanças e por que elas ocorreram ?
    Pra voce (ou voces) será que Joseph Smith foi à maçonaria verificar sinais revelados a ele (voce falou um pouco sobre isso) ou isso não procede ?
    Um membro antigo me disse que os maçons “roubaram” os sinais da “arca da aliança” e Joseph procurou a maçonaria para dialogar sobre isso. Inclusive as pedras com os nomes de geraçoes e outros segredos da arca etc.
    O que eu ando verificando e que Joseph Smith foi maçon e que a Igreja se nega a falar sobre o assunto.
    Aliás, eu disse num comentario do topico “mortalidades” que a doutrina “original” da Igreja recebida por Joseph Smith foi muito “filtrada” ao longo desses anos, ela é bem complexa, quase tão comeplexa quanto à doutrina espirita que frequentei por 16 anos e na pagina do blog “mortalidades” ainda há afirmaçoes de membros reconhecendo a reencarnação.
    Sabe, o que mais gosto na Igreja é justamente a chamada “doutrina profunda”, ou o nome mais certo deveria ser “ensinamentos mais profundos da doutrina” pois ela é uma só, sou totalmente fascinado pelos ensinamentos do inicio da igreja, vejo Joseph Smith como um grande homem à frente de seu tempo, um verdadeiro Profeta (não que os sucessores sejam falsos).
    Eu vejo muita diferença entre a figura de Smith e os Profetas atuais, os atuais meio que seguram nas maos uma grande Liahona que foi idealizada (depois da revelação divina) por Joseph Smith, ele foi o centro de tudo isso, ele teve força, junto aos pioneiros, de trazer esse Evangelho com muito sacrificio até os dias de hoje.
    Há uma grande diferença entre esse passado de lutas e o presente meio que inerte de hoje.
    Mas eu penso que está proximo o tempo em que vai haver um movimento diferente e que esse ou o proximo Profeta vai ter muito trabalho a fazer e não só segurar essa enorme Liahona na mão.
    abraço .

  2. Oi Maurício… Muito interessante suas perguntas e comentários…

    Não sou o detentor de “toda” a verdade, sou um pesquisador em busca de respostas como muitos de nós, através do “estudo e também pela fé”!

    Você vem de uma fé da qual também nutro grande respeito, e muitas das verdades do evangelho encontra-se em sua doutrina… A doutrina espírita deve ser muito respeitada, há muito o que aprender em seus ensinamentos… Alguns pontos, obviamente considero controversos com o Evangelho de Cristo, mas os pontos em comuns com o evangelho restaurado são muito mais extensos e dignos de louvor.

    Assim como você, tenho Joseph como um grande homem, de respeito e inteligência, e mais precisamente um profeta inspirado, a despeito de suas fraquezas como ser humano! No entanto, entendo que cada profeta, tem uma característica ímpar usada pelo Senhor pra atingir seus justos desígnios, onde vemos a conquista e desenvolvimento crescente a cada gestão… desde Joseph até Thomas… Cada um, sucessivamente, dando sua contribuição à Obra, revelação sob revelação, e adaptações segundo as épocas e necessidades, não ferindo em hipótese alguma à essência do evangelho… Também penso que as primeiras autoridades gerais desta última dispensação focou bastante no estabelecimento da doutrina, sustentando a base do evangelho, onde nas últimas décadas nestes últimos dias, a maior parte dos ensinamentos dos líderes tem sido mais filosóficos, princípios de vivência do dia a dia, no lar e na sociedade… Daí, não é de admirar que hoje, muito pouco seja falado de questões doutrinárias e históricas (exceto o legado do pioneiro, etc…), o que não surpreende a ausência de uma massa mais esmagadora da informações quanto a Maçonaria… No entanto, não seria correto afirmar que a Igreja se omite, o manual “História da Igreja na Plenitude dos Tempos”, uma espécie de resumo do “History of The Church”, está repleto de referências ao relacionamento de alguns líderes com a fraternidade maçônica, e mais recentemente, no Brasil (um País que de modo geral ainda é muito ignorante quanto ao assunto), a Presidência da Área enviou uma carta (12 de fevereiro de 2009) aos líderes da Igreja, onde entre outras instruções, inclui a máxima: “Lembramos que a escolha de se tornar maçom é um assunto pessoal. Não existe nenhum tipo de discriminação na Igreja quanto à associação de seus membros à maçonaria (…).” (Presidência da Área Brasil – Charles Didier, Ulisses Soares e Stanley G. Ellis)

    Pra mim, tanto a Igreja quanto a fraternidade maçônica, beberam da mesma fonte, assim como bem disserta em suas muitos artigos nosso irmão e amigo SUD-Maçom Cesóstre.

    No meu limitado entender, Joseph foi inspirado a reconhecer verdades do antigo e original drama templário, então Cristo o usou para restaurar o rito à nossa época. Como venho esboçando em meus comentários, vemos que Joseph viu bem mais além, mesmo ele próprio honrando a fraternidade maçônica. Ele também disse: “Eu asseguro-o que isto não é por causa de algumas similaridades superficiais no fraseio e nos apertos. Os dois rituais são conceptuais muito similares, e usam dispositivos similares. Eu direi que a finalidade do Endowment é um tanto diferente”.

    Existe algumas citações de antigos líderes falando de Joseph obteve a “verdadeira maçonaria”, quanto a mim, acho correto interpretar esta sentença tal como Plinder vê: “Obtém-se a verdadeira maçonaria, ou a verdadeira é composta pelo conhecimento teológico obtido na religião-teológica a que pertencemos, pelo conhecimento das ciências já desenvolvidas ao nosso momento presente que está nas universidades e pelo núcleo do conhecimento das ciências e de si próprio, que é transmitido pela maçonaria. Para entender estas citações, é preciso entender que os rituais mórmons servem p/ transmitir conhecimento teológico de pessoa para pessoas; já os rituais-maçônicos são muito mais complexos e servem p/ fazer com q/ o estudante-maçom penetre no núcleo de si-mesmo para entender as verdades e o poder que estão dentro de si-próprio, e servem p/ q/ o estudante maçom estude o núcleo de todo o conhecimento-científico, cuidando p/ sempre redirecionar todo estes conhecimentos p/ o benefício e evolução de toda a humanidade. Um mórmon/maçom ou outro maçom pertencente a outra religião-teológica, que detém tanto o conhecimento teológico e o conhecimento iniciático-maçônico, pode dizer que obteve tem a verdadeira maçonaria.”

    Para melhor elucidação, é importante entender que as características da adoração no templo são encontrados entre muitas outras culturas desde a antiguidade até os tempos modernos. Várias explicações disso pode ser oferecido. Segundo o Presidente Joseph F. Smith, algumas dessas semelhanças são melhor compreendidas como tendo se espalhado por difusão a partir de uma fonte comum antiga: Sem dúvida, o conhecimento dessa lei [do sacrifício], e de outros ritos e cerimônias foi levado pela descendência de Adão a todas as terras, e continuou com eles, mais ou menos puro, do dilúvio, e através de Noé, que era um “pregador da justiça”, para aqueles que o sucederam, espalhando-se em todas as nações e países… Se os pagãos tivessem doutrinas e cerimônias parecidas … aquelas … nas Escrituras, que só prova … que estas são as tradições dos pais transmitidas, … e que eles vão abrir caminho para os filhos até a última geração, embora eles possam andar nas trevas e em perversão, mas até uma leve semelhança com a sua origem, o que era divino, pode ser visto [JD 15:325-26].

    John A. Tvedtnes aponta igualmente outras heranças interessantes sobre outras culturas e crenças.

    Quanto as alterações no Ritual da Investidura… Houve pequenos ajustes no rito do endowment desde que foi divinamente concebido, talvez a ordem cronológica e os respectivos ajustes estejam bem descritos neste link. A meu ver, basta sabermos que os símbolos e sinais são ferramentas para se transmitir conhecimentos eternos, os meios de se transmitir o conhecimento podem mudar, tal como Cristo ensinava através de parábolas, o mesmo conhecimento poderia ser ensinado de muitas maneiras, mas ainda se trata do mesmo ensinamento, o conhecimento então continua imutável, embora sua instrumentalidade possa ser alterada de acordo com a necessidade e/ou eficiência-eficácia. A transferência de conhecimento através de símbolos e sinais é excelente por dar ao que recebe a responsabilidade de se aprofundar, se permanecerá vislumbrando a beleza da “ponta do iceberg” ou se mergulhará na desafiante e prazerosa busca de mais “luz e conhecimento” (o restante do iceberg, que é bem maior), permitindo que o espírito e a luz interior fale consigo através dos símbolos, enxergando as entre-linhas.
    Obs. Um ótimo texto de Fernando Pessoa, analisado maçônicamente através de um ótimo trabalho, trata de como podemos tirar melhor proveito dos símbolos.

    Obs. Um bom texto e debate deste tema também pode encontrar nesta página no blog.

    Espero, por hora, ter ajudado com algum esclarescimento…

    abs

      • Olá David, levei um tempinho mas ví todos os links que vc citou.
        Pra mim está otimo, nunca tive nada contra a Maçonaria.
        Eu gostei bastante de todos os links mas o primeiro em especial pois define a postura de cada membro de como se deve tratar devidamente o assunto, sem rodeios e ideias erroneas, como algumas que já compartilharam comigo.
        Vc sabe que, na verdade, ainda há uma parcela relativamente pequena aqui no Brasll, de membros que dominam esses assuntos. Na ala que frequento por ex., as pessoas em sua maioria são de formação humilde e praticamente “ainda” não dominam essas coisas, ou melhor dizendo, nem têm acesso a elas. Talvez em outras alas a coisa seja diferente , isso varia conforme as alas são mais antigas ou em regioes mais privilegiadas.
        Acho que nem seria bom que algumas pessoas recebessem certas coisas sem estarem preparadas para elas, isso poderia causar uma confusão em suas mentes, acho que cada coisa deve vir a seu tempo, talvez o nosso tempo seja agora e o de outros mais tarde, isso vai do desejo de cada um em buscar sabedoria.
        Novamente, Joseph Smith foi fantastico nesse aspecto, ele foi buscar conhecimento em todas as fontes saudaveis possiveis, em sua relativamente curta existencia, procurou por tudo que poderia trazer bem estar aos seus proximos, pensou muito nos outros, abdicou muito de sua propria privacidade em favor dos santos, deu tudo de sí e mais um pouco, deu a propria vida por isso.
        É MUITA COISA !
        E as vezes acho que, não precisamos saber de tudo, basta saber que aquele que seguimos pensou em tudo para que possamos ser felizes, nós seguimos os ensinamentos de Joseph Smith que por sua vez seguiu os ensinamentos de nosso Pai Celestial e compartilhou conosco,como deveria ser pois ele era um Profeta, mas esse Profeta também era um excelente homem e em momentos dignamente e puramente humano (momentos seus e não como Profeta) buscou sabedoria secular e espiritual, somou e dividiu conosco.
        Se me permite falar um pouco de minha fase como espirita, certa vez um “palestrante’ disse que no sec.19 houve um sopro especial de sabedoria e que muitos “respiraram” desse sopro em varios cantos do mundo, revelaçoes apareceram em todas as partes do globo, mais acentuadamente na Europa.
        Joseph Smith certamente “encheu os pulmoes” desse sopro, a historia de um rapaz chamado aos 14 anos para ser um Profeta enche os olhos daqueles que acreditam nas coisas que vem além do véu.
        Mais ainda, são incontestaveis as revelaçoes, recebidas por um rapaz que morava no interior dos Estados Unidos ainda em berço-civil, engatinhando como nação.
        Voltando ao tema,pra mim está bem claro que tudo foi necessario e aceitavel, foram dessas coisas que Joeph fez como homem e que só acrescentaram em conteudo e sabedoria.
        O que ficou bem claro também é que os rituais do Templo foram recebidos antes de Joseph ser maçon.
        É importante que busquemos informaçoes a respeito de ‘nossa’ Igreja e evitemos ser pisoteados por lontras gigantes e ignorantes (rimou) ue buscam desmerecer,desacreditar, depreciar e tudo o mais que podem e “conseguem” fazer com os desavizados.
        passemos adiante…..
        abraço irmão.

      • Amém!

        Apenas retifico e acrescento ao seu comentário nesta nossa saudável e louvável conversa, com o que o profeta Joseph Smith definiu tão bem, em sua máxima igualmente maçônica: “Há poder no conhecimento. (…) O homem é salvo na mesma proporção em que adquire conhecimento. (…) Adquirimos conhecimento das verdades eternas um pouco de cada vez; podemos aprender todas as coisas na proporção em que as pudermos suportar.” (“Capítulo 22: Adquirir Conhecimento de Verdades Eternas, Manual “Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith)

        Devemos buscar conhecimento sempre, mas na medida que o suportarmos, pra que não tenhamos uma indigestão! rsrsrs

        Há conhecimento em toda a parte, se atentarmos com cautela e perseverança, “julgando tudo e retendo o que é bom”!!!

        O volume de conhecimento é proporcional ao de responsabilidade; mas ninguém é salvo em ignorãncia!

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