2016: Livro de Mórmon – Dia 4

2016 é o ano curricular do Livro de Mórmon para membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Imagem inspirada na descrição das Placas de Ouro por Joseph Smith

Estamos dedicando uma postagem diária durante o ano cobrindo todo o texto do Livro de Mórmon com comentários adicionais aos que os membros da Igreja SUD teriam em seus manuais curriculares correlacionados. Postagens passadas podem ser encontradas aqui.

O trecho de hoje é: 1 Néfi 2

Primeiro Livro de Néfi

Capítulo 2

Pois eis que aconteceu ter o Senhor falado a meu pai, sim, num sonho, dizendo: Bendito és tu, Leí, pelas coisas que fizeste; e porque foste fiel e declaraste a este povo as coisas que te ordenei, eis que procuram tirar-te a vida.

O tema de revelações em sonhos era recorrente na família de Joseph Smith durante sua infância.

E aconteceu que o Senhor ordenou a meu pai, num sonho, que partisse com a família para o deserto.

A versão em português traduz a expressão “and it came to pass” como “e aconteceu”. Nessa versão traduzida é difícil notar o quão bizarra é a simples e opressiva frequência dessa arcaica construção literária em inglês. Ela ocorre 396 vezes na Bíblia usada por Smith (Versão do Rei Tiago), mas incríveis 1070 vezes no muito menor Livro de Mórmon. O grande autor americano Mark Twain brincou que, tirando essa expressão, o Livro de Mórmon não seria mais que um panfleto. [1] A tradução para o português esconde bem essa muleta literária, que Twain caracteriza como uma tentativa de roubar seriedade da Bíblia para o Livro de Mórmon (especialmente com outras expressões repetidas em inglês, como exceedingly sore, que são variadas em português). A versão francesa antes da atual simplesmente colocava um asterisco no lugar da expressão “et il arriva que” para evitar essa grotesca distração literária.

E aconteceu que ele foi obediente à palavra do Senhor; fez, portanto, o que o Senhor lhe ordenara.

Obediência absoluta e inquestionável é um tema recorrente do Livro de Mórmon, que reapareceria repetidas vezes na história e na cultura Mórmon.

E aconteceu que ele partiu para o deserto. E deixou sua casa e a terra de sua herança e seu ouro e sua prata e suas coisas preciosas; e nada levou consigo, a não ser sua família e provisões e tendas; e partiu para o deserto.

A narrativa exalta aqueles que abandonam tudo para literalmente seguir um sonho.

E desceu pelos limites perto da costa do Mar Vermelho; e viajou pelo deserto, do lado mais próximo do Mar Vermelho; e viajou pelo deserto com sua família, que consistia em minha mãe, Saria, e meus irmãos mais velhos, Lamã, Lemuel e Sam.

Enquanto Saria, Lamã e Sam são nomes bíblicos, ou versões discretamente alteradas de nomes bíblicos, Lemuel era o nome do proprietário de terras que arrendou a fazenda da família Smith (Lemuel Durfee Sr.) quandos eles perderam a hipoteca da fazenda. O enorme revéz econômico ocorreu depois da trágica morte precoce do filho mais velho dos Smith, Alvin, que servia como principal ganha-pão da família por causa do alcoolismo do pai (Joseph Smith Sr.). Durfee, de simples bondade e caridade, permitiu que os Smith seguissem vivendo na pequena cabana rústica dentro da propriedade, para que não se tornassem sem teto, deixando a casa recém completada e eventualmente abandonando a fazenda. Inclusive, esse falência familiar levou-os à caça de tesouros e à vidência de Smith. [2]

E aconteceu que depois de haver viajado três dias pelo deserto, ele armou sua tenda num vale, à margem de um rio de águas.

A narrativa descreve a impossível façanha da família inteira cobrindo os mais de 400 km de deserto de Jerusalém até o Mar Vermelho em apenas três dias. Uma viagem através de estradas modernas em 2016 levaria aproximadamente 84 horas a pé, o que traduziria em sete dias considerando caminhadas de 12 horas diárias. Tomando em conta a frota de animais de carga arrastando toneladas de suprimentos, mulheres e crianças, e uma família como a de Lehi 2.500 anos atrás dificilmente conseguiria atravessar esse trecho em menos de três semanas (estimativas de travessia de deserto põe 15-40 km por dia como média ).

E aconteceu que construiu um altar de pedras e fez uma oferta ao Senhor e rendeu graças ao Senhor nosso Deus.

Afinal, ninguém faz uma viagem de 3 semanas em 3 dias sem ajuda divina.

E aconteceu que deu ao rio, que desaguava no Mar Vermelho, o nome de Lamã; e o vale ficava nas margens, perto de sua desembocadura.

Não existem rios que desaguam no Mar Vermelho. Não existem traços arqueológicos ou rastros científicos de rios antigos que desembocavam antigamente no Mar Vermelho.

E quando meu pai viu que as águas do rio desaguavam na fonte do Mar Vermelho, falou a Lamã, dizendo: Oh! Tu poderias ser como este rio, continuamente correndo para a fonte de toda retidão!

Tu poderias ser como este rio que não existe!

E também disse a Lemuel: Oh! Tu poderias ser como este vale, firme, constante e imutável em guardar os mandamentos do Senhor!

Firme e constante é uma frase do Apóstolo Paulo. (Constante e imutável na Versão do Rei Tiago)

Ora, isto ele disse por causa da obstinação de Lamã e Lemuel; porque eis que murmuravam a respeito de muitas coisas contra seu pai, que ele era um visionário e os havia tirado da terra de Jerusalém, fazendo-os deixar a terra de sua herança e seu ouro e sua prata e suas coisas preciosas, para morrerem no deserto. E diziam que ele havia feito isso por causa das loucas fantasias de seu coração.

A expressão “obstinação” é uma recente atualização na tradução da expressão “stiffnecked”, outrora traduzida como “dura cerviz”.  “Stiffnecked” ocorre apenas 9 vezes na Versão do Rei Tiago, porém aparece 19 vezes no Livro de Mórmon (e mais 4 vezes como substantivo).  A expressão, que ilustra obstinação através da imagem metafórica de um pescoço tão duro que é incapaz de se curvar, já era arcaica em inglês em 1829, e profundamente arcaica em português. Na tradução atual de 1995, ela só aparece 3 vezes no Livro de Mórmon em português, enquanto ela era traduzida em quase todas, senão todas, as 23 aparições originais.

E assim Lamã e Lemuel, sendo os mais velhos, murmuravam contra o seu pai. E murmuravam por desconhecerem a maneira de proceder daquele Deus que os havia criado.

Smith, apesar de receber o mesmo nome do pai, era apenas o quarto filho, terceiro filho homem (exatamente como o protagonista principal, Néfi). Um de seus irmãos mais novos, e desses o que lhe era mais próximo e mais cria em seus poderes proféticos e visionários, chamava-se Samuel, ou Sam (exatamente como o irmão mais novo de Néfi). Lamã e Lemuel, em nenhum momento, são descritos com personalidades próprias, servindo apenas como ferramentas literárias de contraste e oposição a Néfi.

Nem acreditavam que Jerusalém, aquela grande cidade, pudesse ser destruída conforme as palavras dos profetas. E assemelhavam-se aos judeus que estavam em Jerusalém, que procuravam tirar a vida de meu pai.

Anacronismo inteiramente inverossímil, considerando que o Rei da Babilônia havia acabado de conquistar Jerusalém,  instaurar Zedequias como Rei dos Judeus, saquear o Templo, e raptar o Rei Jehoaquim e sua família e sua corte e milhares de Judeus para o cativeiro na Babilônia. Nenhum Judeu em Jerusalém tinha, nesse momento, qualquer fantasia de que pudessem se defender do exército babilônico. Novamente, vê-se o têrmo anacrônico “os Judeus” sendo usado como pejorativo para infiél e descrente.

E aconteceu que meu pai lhes falou no vale de Lemuel, com poder, estando cheio do Espírito, até tremerem diante dele; e confundiu-os, de modo que não ousaram falar contra ele; portanto, fizeram o que ele lhes ordenou.

Lamã e Lemuel são personagens tão unidimensionais e desprovidos de personalidade que é impossível para o narrador considerar que eles pudessem ser persuadidos pelo “poder do Espírito” ou mesmo por argumentos racionais (afinal, Nabucodonosor já havia conquistado a Judéia), mas apenas são “confundidos”.

E habitou meu pai numa tenda.

Óbviamente a viagem fora planejada o suficiente para carregar provisões e tendas, o que demanda animais de carga. 400 km de deserto com suprimentos e materiais pesados como uma tenda em apenas 3 dias?

E aconteceu que eu, Néfi, sendo muito jovem, embora de grande estatura, e tendo também grande desejo de saber dos mistérios de Deus, clamei, portanto, ao Senhor; e eis que ele me visitou e enterneceu meu coração, de maneira que acreditei em todas as palavras que meu pai dissera; por esta razão não me revoltei contra ele, como meus irmãos.

Novamente, nota-se facilmente como a narrativa do texto é mais condizente com uma narração espontânea oral do que uma anotação premeditada e laboriosa de quem entalha palavras em metais de ouro. A desnecessária verbosidade ou prolixidade sugere que o texto não fora entalhado em placas, posto que tal trabalho promoveria um maior laconismo ou mesmo concisão. Por que Néfi se preocuparia em descrever-se como “sendo muito jovem, embora de grande estatura”? Como isso avança sua narrativa ou influência em sua mensagem?

E falei a Sam, contando-lhe as coisas que o Senhor me havia manifestado por meio de seu Santo Espírito. E aconteceu que ele acreditou em minhas palavras.

Sam, assim como Lamã e Lemuel, serve apenas de figura literária de escudeiro fiel e silencioso, sem quaisquer outras atribuições.

Mas eis que Lamã e Lemuel não quiseram dar ouvidos às minhas palavras; e aflito pela dureza de seu coração, roguei ao Senhor por eles.

“Dureza de coração” é uma expressão bíblica popular.

E aconteceu que o Senhor me falou, dizendo: Bendito és tu, Néfi, por causa de tua fé, porque me procuraste diligentemente, com humildade de coração.

Como o Senhor teria falado com Néfi aqui é deixado expressamente ambíguo. Teria Deus aparecido a Néfi? Ouviu Néfi apenas Sua voz? Teria sido em um sonho?  Teria sido uma “voz interna”?

E se guardares meus mandamentos, prosperarás e serás conduzido a uma terra de promissão; sim, uma terra que preparei para ti; sim, uma terra escolhida acima de todas as outras terras.

Deus promete o continente Americano para Néfi, preparado por Deus para Néfi e seus descendentes através do sangue de milhares de Jareditas (ver Livro de Éter), e apesar de milheres de Ameríndios que jamais são mencionados pelo Livro de Mórmon.

Terra prometida é um tema bíblico popular, especialmente na Bíblia Hebraica.

E se teus irmãos se rebelarem contra ti, serão afastados da presença do Senhor.

Os “irmãos” devem obedecer a Néfi sem questioná-lo jamais. A Néfi cabe obedecer a Deus, mas aos “irmãos” repousa a condição de obedecer a Néfi.

E se guardares meus mandamentos, serás feito governante e mestre de teus irmãos.

A Néfi é prometido governar e ser mestre de seus irmãos e seus descendentes. Mais tarde, Néfi se surpreende e choca-se quando eles se irritam com ele e o acusam de tentar ser mestre e governante deles. É mister notar que a cláusula condicional aqui não explicitamente alude à cláusula condicional prévia, ou em outras palavras, independe da rebelião dos irmãos mencionados.

Pois eis que no dia em que se rebelarem contra mim, eu os amaldiçoarei com dolorosa maldição e não terão poder sobre a tua semente, a menos que ela também se rebele contra mim.

“Amaldiçoar com dolorosa maldição”. [1]

E se acontecer que ela se rebele contra mim, eles serão um flagelo para teus descendentes, a fim de levá-los aos caminhos da lembrança.

2 Pedro 3:1: “…eu agora vos escrevo, a fim de levá-los aos caminhos da lembrança…”


[1] Análise de Mark Twain sobre as qualidades literárias do Livro de Mórmon:

“O livro parece ser apenas um detalhe proseado de história imaginária misturada com o Velho Testamento servindo de modelo, seguido por um plágio tedioso do Novo Testamento. O autor se esforçou para dar às suas palavras e frases a sonoridade e estrutura antiga e pitoresca da nossa tradução do Rei Tiago das escrituras. O resultado é uma verbosidade híbrida, metade moderna e metade simplicidade e gravidade antiga. Este último é desajeitado e constrangido, e aquele natural, mas grotesco em contraste. Sempre que ele encontrava seu discurso crescendo em tons modernos, o que ocorria a cada frase ou duas, ele enfiava algumas poucas frases bíblicas como “exceedingly sore“, “and it came to pass“, etc., e assim tornava as coisas satisfatórias novamente. “And it came to pass” era seu animal de estimação. Se ele tivesse deixado isso de fora, a sua Bíblia teria sido apenas um panfleto.

[2] Bushman, Richard, Joseph Smith: Rough Stone Rollingp. 47


Leia o texto do Livro de Mórmon aqui em sua última versão em português publicada pela Igreja SUD.

Leia os nossos comentários adicionais do Livro de Mórmon aqui.

4 comentários sobre “2016: Livro de Mórmon – Dia 4

  1. ha alguns erros nesse texto que o vozes não costumam cometer. Primeiro, o texto pre dispõe a observar a escrita do livro de mórmon apenas como se fosse inventado por Joseph Smith, usando como argumento “revelação por sonho era comum na família de Joseph Smith”. Porém o mesmo argumento seria usado caso ele tivesse recebi revelação pessoal, por meio de um mato pegando fogo ou o que seja, usando uma conjectura para um texto “acadêmico”.

    Segundo ponto, ao dizer que não existe um rio desaguando no mar vermelho, comete um erro grande pois ao norte há a península do Sinai, o golfo de Aqaba e o canal de Suez. Lei não diz ter chego em 3 dias ao Mar Vermelho e sim num “rio de muitas águas” que se derrama no Mar Vermelho. Ambos volumes de agua são condizentes com “rio de muitas águas”, demonstrando que seria muito maior do que um rio comum.

    Infelizmente esse artigo ficou parecendo o que evangélicos usam de argumento para “refutar” o livro de mórmon ou as doutrinas da Igreja, usando argumentos fracos. Sem contar batendo bastante numa tecla comum, referente a linguagem emprega por Smith, que por sinal, era a linguagem que ele estava habituado e iria usar as palavras que para ele condizem com o sentido empregado pelos profetas antigos.

    • Muito bem colocado, João. Aos seus pontos:

      1) “o texto pre dispõe a observar a escrita do livro de mórmon apenas como se fosse inventado por Joseph Smith”

      O texto se predispõe a avaliar o Livro de Mórmon exatamente como está escrito. Qualquer crítica textual racional e lógica deve avaliar um texto assim como ele está composto e discutir os rastros literários internos ao texto em si para rastrear sua produção e composição.

      Um bom exemplo disso é como nós sabemos que as epístolas pastorais (i.e., 1 e 2 Timóteo, Tito) e a epístola aos Hebreus não foram escritas pelo Apóstolo Paulo.

      2) “usando como argumento “revelação por sonho era comum na família de Joseph Smith”.”

      Absolutamente nenhuma avaliação do Livro de Mórmon racional pode ignorar as influências culturais sobre Joseph Smith, mesmo que se acredite parcial ou totalmente na sua narrativa central. Mesmo os apologistas mais fanáticos admitem que Smith usou o texto e o linguajar da Versão do Rei Tiago ao invés de ler traduções inglesas literalmente inspiradas (como descrito por testemunhas oculares contemporâneas).

      Ademais, nós temos evidência absolutamente inconfundível da influência literária de um dos sonhos de Joseph Smith Sr. no Livro de Mórmon. Nenhuma avaliação racional pode ignorar essa influência.

      3) “Porém o mesmo argumento seria usado caso ele tivesse recebi revelação pessoal, por meio de um mato pegando fogo ou o que seja, usando uma conjectura para um texto “acadêmico”.”

      Enquanto crente e religioso, pode-se perfeitamente acreditar que Deus deu o mesmo exato sonho para Lehi e para Joseph Smith Sr. com 2.400 anos entre eles.

      Enquanto acadêmico e pesquisador, o fator sobrenatural simplesmente é uma abordagem irracional a ser evitada, pois ela é a antítese do inquérito racional. Nós temos o relato de uma estória contada oralmente por uma pessoa e o texto dessa estória sendo publicada pelo filho dessa pessoa, e a conclusão mais racional, lógica, e coerente é a de uma relação de interdependência textual.

      4) “Segundo ponto, ao dizer que não existe um rio desaguando no mar vermelho, comete um erro grande pois ao norte há a península do Sinai, o golfo de Aqaba e o canal de Suez.”

      O canal de Suez é artificial e foi construído no século XIX. Outros canais foram construídos na Antiguidade, rastros arqueológicos dos quais foram encontrados pelos séculos, inclusive pelo exército de Napoleão.

      Os Golfos de Suez e de Aqaba são golfos, não rios. Golfos são baías formadas por uma continuação de mar ou oceano, e não são em nada similares a rios.

      A península de Sinai não contém rios que desembocam no Mar Vermelho.

      Não há rios que desaguam, e não há rastros arqueológicos de rios antigos que desaguavam, no Mar Vermelho.

      5) “Lei não diz ter chego em 3 dias ao Mar Vermelho e sim num “rio de muitas águas” que se derrama no Mar Vermelho. Ambos volumes de agua são condizentes com “rio de muitas águas”, demonstrando que seria muito maior do que um rio comum.”

      Além do Golfo de Aqaba não ser um rio, ele é pouca coisa mais próxima de Jerusalém que o ponto mais ao norte do Mar Vermelho em si, talvez 10 ou 20 km a menos. Ou seja, 2,5 a 5% mais próximo, mesmo que fosse razoável confundi-lo com um rio. Em nada reduz o problema do tempo de viagem.

      Se houvesse um rio que passasse por Rafah, no sul de Gaza, e desembocasse no Mar Vermelho, talvez até fosse plausível, considerando os 120 km até Jerusalém. Contudo, não há tal rio. Como mencionado acima, não há rios atravessando o Sinai até o Mar Vermelho. Se houvesse um rio compatível com o Rio Lamã, para o qual ainda não encontrou-se rastros arqueológicos, ele seria pequeno e muito próximo ao Mar Vermelho em si.

      6) “batendo bastante numa tecla comum, referente a linguagem emprega por Smith, que por sinal, era a linguagem que ele estava habituado e iria usar as palavras que para ele condizem com o sentido empregado pelos profetas antigos”

      Note como você contradiz a sua própria queixa. A influência cultural de Joseph Smith é obviamente uma parte determinante da construção literária do Livro de Mórmon. Linguagem influencia tanto como as pessoas pensam, assim como as ideias que pensam. Nada mais racional que esperar que a linguagem, as ideias, as crenças, e as noções filosóficas com as quais Smith “estava habituado” seriam as usadas por ele. Se elas “condizem com o sentido empregado pelos profetas antigos” é inteiramente uma questão de fé posto que não há evidências textuais dos escritos desses, e cada um crê religiosamente como lhe melhor aprouver. Se houver um argumento racional ou lógico para determinar isso com o texto como o temos (e devemos procurar isso juntos durante o ano), devemos discuti-lo, também.

    • EM TEMPO:

      É importante notar que a fonte de argumentos deve ser uma consideração completamente irrelevante para a avaliação da validade racional deles. Se Evangélicos citam a inexistência de rios desaguando no Mar Vermelho, o fato deles citarem o fato é irrelevante para a importância ou validade do fato em si. Se o fato é relevante ou importante, devemos considerá-lo independentemente quem o cita, ou mesmo quem o descobre.

      Isso em nada significa que estamos “a refutar” como “Evangélicos”. Citamos, aqui, o fato academicamente determinado de 4 livros do Novo Testamento serem forjados* como um exemplo da avaliação racional de crítica textual, o que dificilmente se encontraria em manuais “Evangélicos”.

      Encontre um rio (antigo) que sai(a) de Gaza e desemboca(va) no Mar Vermelho, e nós seremos os primeiros a atualizar esse artigo para indicá-lo como um possível (talvez até provável) candidato para o Rio Lamã. Enquanto a evidência não existe, devemos discutir os fatos como eles estão presentemente constituídos.

      [*Apenas as epístolas pastorais são obviamente forjadas. A epístola de Hebreus é anônima, sendo a atribuição a Paulo posterior e externa, assim sua autoria Paulina seria tecnicamente melhor categorizada como má-atribuição.]

  2. Confesso que a leitura desse capítulos do Livro de Mórmon inteligentemente comentados e argumentados fortalecem a minha fé. Gostaria que no final, vocês dos Vozes Mórmons pudessem transformá-los em livro pois ajudaria muita gente a entender o Livro de Mórmon. Tenho muito tempo de Igreja e só através de vocês foi que eu passei a entender o Livro de Mórmon em sua totalidade literária, religiosa e cultural. Parabéns.

Deixe um comentário abaixo:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s