Onde há mais Jedis que Mórmons

Há anos estamos publicando dados estatísticos para demonstrar que o crescimento da Igreja Mórmon vem declinando consideravelmente nas últimas décadas, tanto no Brasil como no mundo. [Ver aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui]

Jedi

A situação chegou a tal ponto que há um país de primeiro mundo com mais praticantes da religião Jediismo, baseada nos Cavaleiros Jedi da franquía Star Wars, que membros ativos (ou semiativos) d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

E, ironicamente, os dados estatísticos ainda demonstram que a Igreja está melhor lá que no Brasil.

No censo australiano de 2011, 64.390 pessoas autodeclararam sua religião como “Jedi”, fazendo deles 0,3% de toda população nacional. Em termos de comparação, nesse mesmo censo 59.800 pessoas se autodeclararam como mórmons ou Santos dos Últimos Dias.

O movimento Jedi data de 2001 com uma famosa campanha de emails jocosa para obrigar a incluir a fictícia religião nos respectivos censos governamentais. Após estrondosos sucessos iniciais na Austrália, Canadá, Nova Zelândia, República Tcheca, Inglaterra, e Escócia, vários grupos se organizaram formalmente para criar ou manter organizações religiosas sérias em torno dos temas característicos àquela, de acordo com o personagem Han Solo, “religião supersticiosa”.

Confrontado com os fatos, o personagem Han Solo mudou de crença e aceitou a religião como legítima. Na Austrália, considerando o crescimento do número de aderentes em uma década, em contraste com os demais países citados, parece que a Força segue forte por lá.

Enquanto isso, os censos australianos mostram que a Igreja SUD segue mantendo crescimento mínimo nos últimos 30 anos, adicionando em média apenas 810 pessoas por ano à Igreja e oscilando entre 0,23 e 0,27% da população total, conseguindo meramente igualar a taxa de crescimento populacional da Austrália nas últimas duas décadas. Em outras palavras, a Igreja investe com 6 missões e 5 templos no país e apresenta crescimento nulo em 20 anos, crescendo naturalmente no mesmo ritmo que a população autóctone.

Como a Igreja estaria melhor na Austrália que no Brasil, se ela não cresce lá há 20 anos? A Igreja atualmente se gaba de 146.433 membros de registro lá, quando há apenas 59.800 (no censo de 2011) de fato, o que se traduz em uma taxa de retenção de 41%. Como nós já demonstramos, a Igreja tampouco cresce no Brasil significativamente (i.e., além da taxa natural de crescimento populacional), com 34 missões e uma taxa de retenção de apenas 22%.

O próximo censo australiano será realizado na semana que vem. Assim que saírem os dados dessa nova contagem nacional, reportaremos os seus achados para reavaliar a taxa de retenção deles. Enquanto isso, não seria importante parar para ponderar por que a Igreja investe tanto em esforços missionários somente para apresentar crescimento suficiente apenas para não ser negativo? E por que a Igreja insiste em publicar números estatísticos e demográficos inflacionados que não correspondem com dados realistas e públicos?

 

5 comentários sobre “Onde há mais Jedis que Mórmons

  1. Eu estou nem ai para a Igreja e seus membros fanáticos. Eles estão se auto destruindo ao agir dessa maneira com mentiras nos números.

  2. Há muita coisa interessante em relação ao “real” número de membros da igreja. O número de membros é inflacionado por diversos fatores PRINCIPALMENTE pois muitos dos membros preferem deixar seus registros na Igreja do quê pedirem resignação e enfrentarem um processo burocrático e, por vezes, desgastante. (Apesar de muito ter sido feito para agilizar esse processo, como a criação do https://quitmormon.com/)

    A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias anda perdendo membros numa velocidade alarmante. Em muitos países da Europa, o número de membros encolheu em tal ponto que o número atual de membros está bem menor do quê a metade do valor que já atingiu.

    Outra coisa, me lembro que há poucos anos fizeram uma pesquisa na BYU Provo no qual os estudantes poderiam responder anonimamente se continuariam na religião após se graduar e para a surpresa da direção mais da metade respondeu que assim que se graduassem deixariam a igreja.

    Ainda, devido ao problema em relação a perda de membros há uma lenda urbana, dizendo que o preço da BYU iria aumentar nos próximos anos (mas aumentar meeeesmo). Apesar da lenda, por enquanto, só presenciei a redução das bolsas de estudos…

  3. Realmente está difícil competir com o excesso e acesso de informações hoje em dia, percebo que as distrações estão por toda a parte, estamos lendo e vendo coisas que jamais imaginaríamos! Espero que a liderança da igreja saiba como lidar com isso.Eu pessoalmente vejo a fé como algo “profundo” e “íntimo” não sei se seria o caso de rever como estamos buscando manter essa chama da fé dentro de nós.Penso que a igreja não pode ter mais o mesmo relacionamento com os membros e a sociedade que existe a 200 anos.Eu faço uma reflexão como RELAÇÕES PÚBLICAS que sou e penso que existe toda uma abordagem que precisa ser revista.Certos paradigmas podem ser quebrados.A inter-relação com as diferentes comunidades sociais poderiam ser aprimoradas.O Livro de Mórmon que é um passo inicial para o desenvolvimento da fé dos SUD pode ser um ponto chamativo para novos conversos.Ele não é um livro muito inserido na cultura moderna.Seria uma proposta louvável uma campanha de divulgação emoldurada para os tempos atuais.A igreja e seus membros tem um grande desafio de mostrar que sua luz brilha bem forte e as pessoas irão ver essa luz.

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