“Mórmon”, “Mormonismo” e “SUD” são termos a serem evitados, de acordo com o presidente e profeta d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Em anúncio feito em 16 de julho, pela Sala de Imprensa Mórmon, Russell M. Nelson retoma inesperadamente uma tendência compartilhada por algumas Autoridades Gerais na Igreja SUD e exposta pelo próprio Nelson na década de 1990.

Russell M. Nelson (centro) e seus dois conselheiros na Primeira Presidência, Dallin H. Oaks (esquerda) e Henry B. Eyring (à direita), em janeiro de 2018. | Imagem: Cortesia de Intellectual Reserve.
A nova diretriz de Nelson soa gratuita e contrasta com o uso publicitário da palavra “mórmon” durante a administração de seu antecessor, Thomas S. Monson. A Igreja fez marketing do termo com a campanha multi-milionária “Eu Sou Mórmon” entre 2011 e 2014, e o documentário “Meet the Mormons” de 2014. Em anos recentes, a Igreja SUD processou legalmente empresas e organizações pelo uso do termo “mórmon” por suposta violação de direitos de propriedade intelectual.
No anúncio oficial, Nelson afirma que a decisão lhe foi inspirada por Deus:
Recebi do Senhor uma inspiração referente ao nome que Ele revelou para Sua Igreja, sim, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Temos a tarefa de nos colocar em harmonia com a Sua vontade.
Por mais inesperada, a decisão do atual profeta mórmon não é inteiramente inconsistente com um discurso que proferiu em Conferência Geral em abril de 1990 e referenciado novamente cinco anos depois.
Outras Autoridades Gerais influentes no mormonismo contemporâneo, como Gordon B. Hinckley, Boyd K. Packer e M. Russel Ballard, pregaram a favor do uso do nome oficial e contra a expressão “Igreja Mórmon”, ainda que admitindo a legitimidade de “mórmon” para se referir aos membros da denominação. Ballard, em discurso de 2011, afirmava:
Embora mórmon não seja o nome correto e completo da Igreja e tenha originalmente sido dado por nossos detratores nos primeiros anos de perseguição, ele tornou-se um apelido aceitável, quando aplicado aos membros, em vez da instituição. Não precisamos parar de usar o nome mórmon, quando adequado, mas devemos continuar a enfatizar o nome completo e correto da Igreja propriamente dita. Em outras palavras, devemos evitar e desencorajar o termo “Igreja Mórmon”.
Já de acordo com a nova decisão de Russell Nelson, “mórmon” nem sequer deve ser utilizado com referência aos membros da Igreja:
Quando nos referimos aos membros da Igreja, é preferível utilizar o termo “membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias” ou “santos dos últimos dias”. Pedimos que o termo “mórmons” não seja utilizado. [Ênfase nossa]
A política linguística almejada por Nelson ainda inova ao desaconselhar o uso da sigla SUD (em inglês, LDS) para “Santos dos Últimos Dias”, seja para membros ou a Igreja, além de afirmar que o termo “mormonismo” é inadequado. Ironicamente, a palavra “mormonismo” consta no cânone sagrado do mormonismo.
Joseph Smith e os Mormonitas
No século 19, seguidores de Joseph Smith Jr. ganharam o apelido pejorativo de “mormonitas“, devido à sua crença no Livro de Mórmon. O apelido rapidamente foi reduzido a “mórmons”, sendo aceito e utilizado pelos membros do novo movimento religioso. O próprio Smith usava em seus discursos e escritos os termos “mórmon” “e “mormonismo”, como neste exemplo:
Um dos grandes princípios fundamentais do Mormonismo é o de receber a verdade, de onde quer que ela venha.
A Igreja de Cristo, organizada por Smith em 1830, não possuía um nome muito peculiar ou distinto, se comparado ao de outras igrejas na época, e tampouco apresentava uma consistência absoluta, com o uso alternativo de “Igreja de Deus”, “Igreja dos Santos dos Últimos Dias”, e “Igreja de Jesus Cristo” em alguns de seus documentos. O nome “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias” foi estabelecido apenas em 1838, em uma revelação recebida por Joseph Smith.
Vai Emplacar?
“Eu não acho que isso vai impedir nossos amigos de fora da igreja de nos chamar por apelidos”, declarou Richard E. Bennett, professor de História da Igreja na BYU ao jornal The New York Times. “Mas, com certeza, entre os membros da igreja, faremos um esforço maior para seguir as instruções”, afirmou otimista.
A dificuldade imposta pela decisão de Nelson não é pequena e desafia padrões culturais e linguísticos que obviamente não podem ser regulados pela Igreja SUD. Além disso, desrespeita barreiras do jornalismo e do universo acadêmico, ao sugerir, por exemplo, que ao invés de “mormonismo”, use-se “o evangelho restaurado de Jesus Cristo”.
Sempre me identifiquei como sendo membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, não aprecio ser chamada de Mórmon, pois ele foi um Profeta. Sou sim Santo dos Ultimos Dias.
Muito bom, mas cada um tem a liberdade de se auto-denominar o que quiser seja sendo membro mormon, membro sud,ou membro da ijcsud. O que está em debate é a orientação do Presidente Nelson a qual praticamente impôe aos membros que não utilize mais o termo “mormon”.
Como membros da igreja, somos obrigados a aceitar as revelações do Presidente Nelson como sendo do Senhor. Isso é fato. Mas não quer dizer que concordamos. Historicamente falando, a igreja sempre foi e sempre será conhecida como Igreja Mórmon. Não vai mudar nunca, até porquê as pessoas que não são membros sempre nos conhecerão como Mórmons. Agora teremos outro nome: Os mórmons que não querem ser chamados de mórmons. Estranho, mas teremos que aceitar a “revelação”.
Jr Silva
Nenhum membro da Igreja é obrigado a seguir o que a liderança diz mesmo porque é de conhecimento de todos que grande parte dos membros não obedece as regras, leis ou revelações que seja. Além domais se você dizer na igreja que é Mormon, ninguém seja bispo ou presidente de estaca irá colocar você no conselho disciplinar. O Presidente Nelson ou qualquer membro da primeira presidência pode dizer o que quiser, mas quem acata ou decide sobre isso é você. Você não irá para inferno só porque você disse que é Mormon e não membro da IJCSUD.