A Terra é Plana

A Terra é plana, fixa no centro do universo, encerrada por um domo composto pelos céus, e ao seu redor circulam o sol, a lua, e as estrelas.

Ao menos é o que diz a Bíblia.

As sociedades de Terra Plana são sociedades modernas baseadas na crença de que a Terra seja plana. Surpreendentemente, tais sociedades proliferam-se tanto na Bretanha e nos EUA, assim como no Brasil. As hipóteses modernas pela Terra Plana se originaram no século 19 com o escritor inglês Samuel Rowbotham, que publicou o livro A Terra Não É Um Globo, onde a Terra é descrita como um disco plano, centrado no Pólo Norte, delimitado ao longo da borda sul por um muro de gelo (i.e., o continente da Antártida), tendo o Sol e a Lua a 4.800 km e o Cosmo a 5.000 km acima da Terra.

Rowbotham argumentou, como é comum entre Terra Planistas até hoje, que a “Bíblia, em conjunção com os nossos sentidos, apoiou a ideia de que a Terra era plana e imóvel e esta verdade essencial não deve ser anulada por um sistema baseado unicamente em conjectura humana”.

Invariavelmente, tais sociedades estruturam-se exclusivamente em teorias de conspiração, ignorância de princípios científicos básicos, pseudociência, e uma leitura bíblica literalista e inerrante.

Leiamos, portanto, o que realmente diz a Bíblia Hebraica sobre o formato da Terra¹:
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Plágio e as Escrituras

Plágio significa “copiar ou imitar, sem engenho, as obras ou os pensamentos dos outros e apresentá-los como originais”.

Apesar de conceito simples e claro, muitas pessoas tem dificuldade para compreendê-lo e, ainda mais frequente, reconhecê-lo.

Felizmente, a esposa do candidato Republicano a presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu o perfeito exemplo ilustrativo.

Melania Trump plagia Michelle Obama em seu discurso na Convenção do Partido Republicano em Cleveland, Ohio

Durante seu discurso na Convenção Nacional do Partido Republicano dessa semana, a candidata à primeira dama dos EUA Melania Trump liberalmente plagiou de trechos de um discurso de 2008 da então candidata à primeira dama dos EUA Michelle Obama:

Inicialmente, Donald Trump e aliados insistiram em negar que Melania Trump havia plagiado Michelle Obama. Contudo, as evidências eram tão óbvias, e foram tão rápida e amplamente divulgadas, que uma membro de sua equipe, a escritora formada pela Universidade de Utah Meredith McIver assumiu responsabilidade e culpa pelo plágio.

A empresa Turnitin, especializada em detecção de plágio em trabalhos acadêmicos, analisou os discursos e demonstrou com alto grau de confiança que Trump plagiara de Obama [ênfases nossas]:

“O tipo ‘clone’ de plágio copia de outro trabalho literalmente, palavra por palavra. O início da seguinte frase de ambos discursos de Melania Trump de 2016 e o de Michelle Obama de 2008 exemplificam isso. Ambas são exatamente as mesmas. (…) Só para oferecer um contexto… há uma chance em um trilhão que uma frase de dezesseis palavras correspondam a uma outra frase do mesmo comprimento apenas por coincidência. Quanto mais o número de palavras correspondentes aumenta, a probabilidade de uma correspondência por pura coincidência cai por ordens de magnitude. (…) O final da mesma frase, mencionada acima, fornece um exemplo de plágio do tipo “localizar e substituir”, um caso em que algumas palavras-chave ou frases são alteradas, mas o texto mantém o conteúdo ou o significado do trabalho copiado.”

A comparação lado a lado das frases em questão não deixa nenhuma dúvida para o investigador racional e imparcial dos dois tipos de plágio dentro os 10 tipos categorizados (i.e., “clone” e “localizar e substituir”) inclusos no discurso de Trump.

Plágio não é exclusividade acadêmica ou política, aparecendo com frequência no universo religioso. Thomas Monson, por exemplo, é fã pessoal de plágio, havendo plagiado de seus próprios discursos passados em Conferências Gerais de 2014 e 2016. Alguns sites de notícias SUD plagiam rotineiramente.

Plágio também ocorre nas escrituras. Continuar lendo

História Mórmon Não Ocorreu Como Ensinada Pela Igreja

Há poucos dias, publicamos a declaração do historiador e apologista Richard Bushman sobre a narrativa oficial da história mórmon não ser verdadeira.

Patriarca e ex-Presidente de Estaca, Editor para a Igreja SUD, e historiador biógrafo de Joseph Smith, Richard Lyman Bushman

Em um serão informal, ele havia sido questionado se acreditava haver espaço no mormonismo para diferentes narrativas históricas ou se a Igreja SUD manter-se-ia atrelada à sua atual narrativa oficial. Bushman respondeu (ênfase nossa):

Eu acho que para a Igreja permanecer forte, ela tem que reconstruir sua narrativa. A narrativa dominante não é verdade. Ela não pode ser sustentada. Assim, a igreja tem que absorver toda essa nova informação [histórica], ou ela vai se basear numa fundação instável, e é isso que ela está tentando fazer. E vai ser uma pressão para um monte de gente, para pessoas mais velhas especialmente, mas eu acho que tem que mudar.

Apesar da tendência recente em publicar fontes antes pouco acessíveis ou mesmo secretas, bem como incluir informações e narrativas que haviam sido marginalizadas em sua história, e até mesmo retirar uma mentira histórica de suas escrituras, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ainda sustenta e promove algumas narrativas que beiram o ficcional, distorce fatos a fim de adequá-los às suas práticas e doutrinas atuais, e falha grosseiramente em disponibilizar novas informações históricas ao seu público interno. Nesse sentido, a “narrativa dominante” na Igreja, como afirma Bushman, não é verdadeira.

Tal constatação absolutamente não implica em desacreditar ou deixar de acreditar em conceitos subjetivos e abstratos que constituem a fé religiosa em geral, ou a fé mórmon em específico. Não obstante, devido a leituras deficientes e/ou ao desejo de confirmar suas próprias crenças (acerca do mormonismo, ou de Bushman, ou destas Vozes Mórmons), alguns erroneamente atribuíram (a Bushman ou a este site) essa conclusão de natureza espiritual.

Richard Bushman publicou, há dois dias, uma nota em que reafirma suas crenças pessoais no chamado profético de Joseph Smith e nos eventos sobrenaturais por ele narrados, refutando a conclusão infundada e débil de que teria “perdido seu testemunho”.

Eis a nota, traduzida na íntegra (ênfases e links nossos): Continuar lendo

Lorenzo Snow e a Associação Brasileira de Estudos Mórmons

Muita gente não entende por que existe a Associação Brasileira de Estudos Mórmons.

O site Vozes Mórmons é a página oficial da Associação Brasileira de Estudos Mórmons, dedicada a exploração acadêmica e literária do Mormonismo no Brasil, para brasileiros, e por brasileiros.

O site Vozes Mórmons é a página oficial da Associação Brasileira de Estudos Mórmons, dedicada a exploração acadêmica e literária do Mormonismo no Brasil, para brasileiros, e por brasileiros.

“Mas não é patrocinado pela Igreja” dizem alguns. Outros pensam que a Igreja é contra os acadêmicos e tem medo do estudo sobre sua religião, pois “se você aprende demais, perde o testemunho,” pensam. E outros ainda pensam que o estudo não é importante, dizendo: “Quero viver a minha vida. Para que devo gastar meu tempo estudando? Já fiz a escolha, não vou mudar.”

Há três anos atrás eu ensinei o primeiro capítulo do manual Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Lorenzo Snow e nele achei uma resposta: Continuar lendo

Manual da Igreja Distorce Profeta

O manual oficial da Igreja SUD Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Lorenzo Snow inclui uma citação do referido profeta em seu capítulo 12 sobre dízimo.

Lorenzo Snow, Profeta e Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (1898-1901), Conselheiro na Primeira Presidência (1873-1877), e Apóstolo (1849-1898).

A citação, contudo, foi distorcida para passar uma impressão distinta de seu conteúdo original, supostamente para adequar-se melhor à lição no século 21 sobre a obrigatoriedade de se pagar dízimos.

Lê-se no manual:

“Rogo-lhes em nome do Senhor, e oro que todo homem, mulher e criança (…) pague um décimo de seus rendimentos como dízimo.18

Leitores atentos notarão que a citação é referenciada à nota de rodapé de número 18, onde descobrirão a sua fonte original:

“Conference Report, outubro de 1899, p. 28.”

Ao se procurar a fonte original, nota-se que a citação vem de um discurso do profeta Lorenzo Snow proferido na Conferência Geral Semi-anual de Outubro de 1899. Nota-se, também, que o trecho citado inclui uma cláusula que a qualifica clara e distintamente (ênfases nossas): Continuar lendo

Historiador e Apologista SUD Admite: Igreja Mente

O atual Patriarca, ex-Presidente de Estaca,  ex-Professor de História na Universidade de Columbia, autor da famosa biografia de Joseph Smith, editor e apologista ativo para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Richard Lyman Bushman admitiu, em uma sessão de perguntas e respostas, que a Igreja mente sobre seu passado e sobre sua história.

Patriarca da Igreja SUD, e historiador biógrafo de Joseph Smith, Richard Lyman Bushman

Ao defender a Igreja em seus recentes esforços na direção de maior transparência e integridade intelectual e acadêmica, Bushman reconhece que a Igreja vem promovendo narrativas sobre seu passado que não condizem com a realidade histórica e que isso precisa mudar: Continuar lendo

Lucy Mack Smith: Joseph e as Placas

Lucy Mack Smith, mãe do Profeta Joseph Smith, legou para a posteridade o seu relato pessoal de como Smith teria encontrado as “placas de ouro” contendo o texto do Livro de Mórmon.

‘O Monte Cumorah’ por C.C.A. Christensen

Lucy Mack reconta o primeiro dia de outono de 1823, após Smith haver recebido a visita noturna de um anjo, orientado-o sobre a existência das placas, seu conteúdo, e seu esconderijo. Ela explica como Smith se preparou durante um ano para poder receber custódia das placas, e ainda como ele compartilhava com sua família o conhecimento histórico e cultural que ia adquirindo durante sua educação e preparo, em antecipação para ler e traduzir o relato contido nas placas. E, finalmente, a mãe do Profeta explica o que ocorreu ao final desse um ano de preparações e muita antecipação:
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Russell Nelson: Livro de Mórmon Não é Histórico

O Apóstolo Russell Nelson, atual Presidente do Quórum dos Doze, proferiu discurso no qual ele reconhece que o Livro de Mórmon não tem o valor histórico que o seu próprio texto proclama, e o Profeta Joseph Smith lhe atribuía.

Russell M. Nelson, Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos, discursando diante dos novos presidentes de missão em 2016. (Foto: Matthew Reier)

Nesse discurso, feito há duas semanas durante o Seminário de 2016 para Novos Presidentes de Missão no Centro de Treinamento de Missionários de Provo, Utah, cuja mensagem central fora a importância dos temas religiosos, espirituais, e teológicos abordados no Livro de Mórmon, Nelson admite
problemas com relação a historicidade da narrativa do Livro de Mórmon: Continuar lendo

Entendendo: Dissonância Cognitiva

Photo by Kağan Karatay on Pexels.com

Na psicologia e nas ciências neurológicas, “dissonância cognitiva” é o estresse mental ou desconforto emocional experimentado por um indivíduo que detém duas ou mais crenças, idéias ou valores contraditórios demaiso mesmo tempo, ou executa uma ação que seja contraditória com uma ou mais de suas crenças, ideias, ou valores, ou mesmo é confrontado com novas informações que conflitem com as suas crenças, idéias ou valores pré-existentes.

 

A teoria científica da dissonância cognitiva se concentra em como os seres humanos se esforçam continuamente por um estado de consistência interna. Uma pessoa que vivencia uma inconsistência, ou dissonância, tende a se tornar psicologicamente e emocionalmente desconfortável, e estará motivado para tentar reduzir esta dissonância, bem como ativamente evitar informações ou situações que, provavelmente, poderiam aumentá-la. Ela foi postulada pela primeira vez em 1956 pelo trabalho inovador de Leon Festinger.

A teoria da dissonância cognitiva se baseia no pressuposto que indivíduos buscam a coerência entre as suas expectativas e a realidade. Devido a isso, as pessoas se envolvem em um processo chamado “redução de dissonância” para trazer suas cognições e suas ações em sintonia umas com as outras. Esta criação de uniformidade permite uma diminuição do estresse psicológico e da angústia. De acordo com Festinger, a redução de dissonância pode ser alcançada de quatro maneiras: Continuar lendo

Joseph Smith III: Revelação Sobre Negros

O Profeta mórmon Joseph Smith III, filho mais velho do Profeta fundador Joseph Smith Jr, e Presidente d’A Igreja Reorganizada de Jesus de Cristo dos Santos dos Últimos Dias (atualmente Comunidade de Cristo) anotou e apresentou a seguinte revelação concernente à ordenação de negros ao sacerdócio em maio de 1865.

O contexto histórico é o recente fim da Guerra Civil Americana e a recente emancipação dos escravos negros. Esta revelação foi incluída em Doutrina e Convênios como a seção 116:

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Brigham Young: Como Lidar com Adultério

O Presidente Brigham Young fez os seguintes comentários sobre como lidar com membros que cometem adultério, no histórico Tabernáculo Mórmon, em março de 1856:

Brigham Young

Discursando sobre a natureza da dualidade entre o corpo e o espírito, e o equilíbrio entre o intelecto e o trabalho manual, Young explicou como devemos lidar com membros que cometem adultério (ênfases nossas):
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Seminário Ensinará Origem Divina do Banimento de Negros

A mais recente publicação oficial para o ensino de adolescentes mórmons classifica a exclusão de negros do sacerdócio e das ordenanças do templo como uma lei temporária inspirada divinamente.

negros mórmons racismo seminário

Amanda e Samuel Chambers, conversos mórmons ainda no Mississippi pré-guerra, chegaram a Salt Lake City em 1870.

O novo manual para professores do Seminário sugere que os alunos situem o banimento racial mórmon (1852-1978) na mesma categoria de outras práticas e eventos, como a redução da idade para jovens saírem em missão, anunciada em 2012, e a realização de reuniões de jejum e testemunho às quintas-feiras, antes de 1896.

O novo manual do Seminário,  Continuar lendo

Mentiras Sobre Poligamia

Um vídeo explicando poligamia para o público geral publicado na semana passada está rodando as redes sociais de mórmons.

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O bispo Ira Eldredge e suas esposas Nancy Black, Hanna Mariah Savage e Helwig Marie Anderson, circa 1864. | Fotografia colorizada. Imagem: cortesia de WikiCommons.

Contudo, o vídeo inteiro é recheado de mentiras e mitos populares. Continuar lendo

Joseph Smith Mentiu Sobre Poligamia?

Na reunião sacramental de 26 de maio de 1844, Joseph Smith proferiu um discurso do púlpito ao lado do templo. Após ler do Novo Testamento em 2 Coríntios 11, o Profeta defendeu-se das acusações públicas de que ele teria várias esposas secretas.

Joseph afirmou que Emma era sua única esposa?

Joseph afirmou que Emma era sua única esposa?

Além do fato desse discurso vir quase exatamente um mês antes de seu assassinato, e de fazer parte dos eventos que levaram a isso, ele é notório porque Smith estaria mentindo abertamente. Continuar lendo

Alexander Morrison: Igreja Nunca Foi Racista

A Autoridade Geral da Igreja SUD Alexander B. Morrison, membro do Primeiro Quórum de Setenta, celebrou o fato que a Igreja sempre foi contra o racismo em toda sua história!

Em interessante artigo para a revista oficial mensal da Igreja Mórmon sobre tolerância racial e transnacional, Morrison exalta a Igreja pelo excepcional exemplo moral do seu passado histórico de nunca haver caído na tentação humana do preconceito racial: Continuar lendo