História das Mulheres Mórmons

Historiadoras mulheres contratadas pelo Departamento de História da Igreja SUD fazem parte de um movimento recente para reconhecer e celebrar as contribuições de mulheres para a história do Mormonismo.

Jenny Reeder, Kate Holbrook e Lisa Tait na Biblioteca de História da Igreja SUD (Foto: Kristin Murphy)

Há alguns anos, o Departamento em questão anunciou uma posição

oficial para historiadora especializada em história feminina. Kate Holbrook inicialmente foi contratada para a posição, porém novas vagas se abriram após 2 anos e Jenny Reeder foi contratada como especialista em história de mulheres no século 19, Lisa Tait como especialista de história das mulheres mórmons, e Brittany Chapman Nash para fechar o quadro de historiadoras oficiais da Igreja SUD.

Lisa Tait explica o motivo para esses projetos:

 

“Nós todos sabemos que há muita sensibilidade relacionada a perguntas sobre as mulheres na igreja agora. Fazer história das mulheres na igreja é uma maneira, pelo menos indiretamente, de falar sobre essas preocupações e mostrar que a igreja está ciente e preocupada em investir em histórias e experiências das mulheres na igreja. Se a história das mulheres pode realmente informar os problemas de hoje, isso é outra questão, mas acho que a igreja quer mostrar-se consciente e sensível às questões de gênero, e assim incluindo mulheres na narrativa histórica é uma forma de fazer isso.

A abordagem compensatória é a ideia de que as mulheres foram deixadas de fora da história no passado, e que precisamos recuperar e tornar as mulheres visíveis, precisamos compensar a falta de mulheres no registro, concentrando-se especificamente em mulheres e história das mulheres. O ímpeto por trás de especialistas em história da mulher, como fazemos aqui no departamento, é que nós temos que ter algum equilíbrio, e que a história das mulheres tem de ser uma área de foco para que não percam isso de vista.

A outra abordagem é o que eu chamaria de integração, ou seja a ideia de que vamos simplesmente tratar as vozes das mulheres e as mulheres e as histórias das mulheres como parte da narrativa maior. Não é uma história separada em si, mas é uma parte essencial para se contar toda a estória da história.”

Enquanto Tait se identifique como historiadora integrativa, não há uma separação clara entre as quatro. Em um esforço colaborativo compensatório, a equipe produziu um vídeo sobre missionárias pioneiras, inclusive publicando um site chamado “Mulheres de Convicção“.

Uma de suas funções é auxiliar historiadores que usem os serviços da Biblioteca de História da Igreja a uma historiografia mais integrativa. Nash, por exemplo, direciona pesquisadores a documentos primários que abordem temas femininos históricos. Além disso, é co-autora do livro em três volumes “Mulheres de Fé nos Últimos Dias“.

A exposição de Tait apenas serve para confirmar o impacto acadêmico da preocupação da liderança da Igreja em tentar aumentar a visibilidade de mulheres em contraposição a desastres de relações públicas potencialmente vistos pelo público em geral como sexista. Essas mudanças recentes são tão conspícuas como são óbvias reações à nova onda de feminismo SUD. Por exemplo, mulheres agora oferecem orações em Conferências Gerais, e podem até sentar-se ao púlpito. Essas mulheres líderes têm seus retratos pendurados no Centro de Conferências , e a sessão da reunião geral das mulheres tornou-se parte oficial da Conferência Geral (talvez, a maior ilustração de como essas mudanças fazem parte de uma reação e resposta à pressão das membros da Igreja). A idade missionária para mulheres caiu de 21 para 19 anos (embora ainda seja maior que para os rapazes), aumentando o número de missionárias para 20 mil (ou mais de 1/4 da força de proselitismo). E, no ano passado, as mulheres líderes das auxiliares foram incluídas  em alguns dos principais conselhos executivos da Igreja.

Outras mudanças menos conspícuas incluem a expansão das responsabilidades das esposas dos Presidentes de Missão (embora sem assumir tal posição elas mesmas), novas oportunidades de liderança para missionárias (embora ainda sempre subalternas à liderança dos rapazes) e uma ênfase maior para contribuições das mulheres nos conselhos das alas e estacas. Autoridades como o Apóstolo Dallin H. Oaks passaram a admitir que mulheres exercem a autoridade do Sacerdócio sem ordenação formal, e a liderança da Igreja publicou um artigo sobre o tema secreto sagrado da Mãe Celestial.

O movimento para incluir mais as mulheres e reduzir o impacto da percepção sexista da Igreja vem resultando em bons frutos acadêmicos, além dos (pequenos) avanços sociais citados acima. No dia 29 deste mês, o Departamento de História da Igreja publicará uma nova obra entitulada “Os Primeiros 50 Anos da Sociedade de Socorro: Documentos-Chave na História das Mulheres Santos dos Últimos Dias“, que incluirá uma coleção importantíssima de documentos primários sobre a organização feminina no século 19.

Novas obras em andamento, como uma coleção de discursos por mulheres entre o 1831-2014, prometem enriquecer não apenas a historiografia Mórmon como um todo, mas também fazer maior justiça a um grupo de pessoas que tem sido negligenciado nesses quase 200 anos de história. Certamente, essa é uma época de progressos, deixando para trás eras passadas em que historiadoras Mórmons e ativas na Igreja como Juanita BrooksValeen Tippetts AveryLinda King Newell, Maxine Hanks, Lavina Fielding Anderson, Janice Allred e Lynne Kanavel Whitesides eram perseguidas por Autoridades Gerais ou locais por pesquisar e publicar sobre história Mórmon e mulheres. Quem sabe até a recente perseguição contra intelectuais feministas como Kate Kelly e Kristy Money, de 2014 e 2015, fique permanentemente no passado, considerando que seu ativismo na última década tem auxiliado em todo esse progresso núpero.

Um comentário sobre “História das Mulheres Mórmons

  1. Menos positivismo e mais annalismo. Interessante essa busca por maio destaque na história das mulheres. Mas, há outras áreas que ainda são tabus e que deveriam ser estudadas e vistas as mudanças entre os pioneiros e hoje em dia. A sexualidade é um exemplo pra mim…

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