Maçonaria e Mórmons, Lojas e Templos, Morgan e Smith

Sobre o livro que revelaria segredos maçônicos, mas acabou revelando segredos mórmons.

Em 1827, David Cade Miller publicou um livro escrito por Willian Morgan que profundamente impactou o mormonismo para sempre e que documentou uma das grandes influências na formação mórmon para toda posteridade.

William Morgan nasceu no estado da Virginia, em 1774. Através de uma série de revézes da vida, Morgan acabou mudando-se em 1821 para Batavia, no estado de Nova Iorque, a menos de 100 km de Palmyra, junto com sua esposa então de 18 anos, Lucinda Pendleton Morgan.

William Morgan

William Morgan, cujo desaparecimento e suposto assassinato desencadeou um fervor anti-maçônico no século 19, e cuja viúva se tornou uma das primeiras esposas polígamas do Profeta Joseph Smith

Por causa de conflitos pessoais mal documentados, Morgan anunciou no começo de 1826 que havia escrito, e estava prestes a publicar, um livro expositório sobre os rituais maçônicos iniciais, incluindo os sinais, as palavras-chaves, e os apertos-de-mão secretos da fraternidade (famosamente) secreta da maçonaria.

No dia 11 de Setembro de 1826, Morgan foi preso por dívidas em haver, embora discuta-se até hoje se a prisão havia sido legal e/ou justificada. No dia seguinte, um amigo foi até onde estava preso em Canandaigua (a meros 20 km de Joseph Smith em Palmyra) pagar sua fiança, e tomando uma carruagem, viajaram até o Forte Niagara, a 100 km ao norte de Batavia, onde o rio Niagara desemboca no Lago Ontário, chegando lá no próximo dia. Depois disso, não se tem nenhuma outra notícia confiável sobre o paradeiro de Wiliam Morgan. [1][2][3]

Rápidamente, boatos espalharam-se por todo o estado, e depois para todo o país, que Morgan havia sido sequestrado e assassinado pelos maçons por causa de seu livro ainda não publicado. Alguns meses depois de seu desaparecimento, David Miller publicou o livro de Morgan com o título ‘Ilustrações da Maçonaria por Membro da Fraternidade que Dedicou Trinto Anos Ao Assunto’. [4][5]

A publicação do livro, explorando a maçonaria com um tom conspiratório e secretivo, aliado aos rumores de que Morgan havia sido assassinado por maçons justamente para proteger os segredos maçônicos, rapidamente espalhou notoriedade e infâmia para a Fraternidade, tanto por Nova Iorque, como por todos os EUA. Editoriais em jornais e livros denunciavam a Ordem, e leis e/ou projetos-de-lei anti-maçônicas proliferaram. O livro em si tornou-se um bestseller! E, ainda neste furor, criou-se um movimento formal anti-maçônico, influenciando a política americana pelas próximas décadas, inclusive levando até a formação oficial de um partido político anti-maçônico que conseguiu alguns sucessos nas eleições presidenciais de 1828 e 1832. [6][7][8]

Joseph Smith iniciou sua carreira religiosa nesse contexto.

Smith encerrou sua carreira de vidente e caçador de tesouros justamente em 1826, e iniciou o projeto do Livro de Mórmon em 1827. Publicado em 1830, ainda no meio do fervor regional e nacional contra a maçonaria, o Livro de Mórmon apresentou temas anti-maçônicos tão fortes e evidentes que era fora descrito por leitores independentes como a “Bíblia Anti-Maçônica”. [9]

Smith tanto internalizou esse sentimento de repulsa à tradição maçônica que, apesar de seu pai e seus irmãos mais velhos todos pertencerem à Ordem de Maçons, Smith jamais cogitara juntar-se à ela. Inclusive, dado a proximidade geográfica e a restrições demográficas da Fraternidade, é muito provável que os próprios Smiths conhecessem Morgan, ao menos por reputação. [10]

Não obstante, mais de uma década se passaria até que o legado de Morgan cruzasse eternamente com o de Smith.

Em 1830, a viúva de William Morgan, Lucinda, casou-se com um ourives de Batavia, George Harris, e ambos se converteram ao Mormonismo logo após. Após alguns anos, os Harris mudaram-se para a colônia mórmon no Missouri e em 1838, enquanto Joseph Smith fugia de credores em Ohio, acolheram Smith em seu lar. Neste ano, Lucinda Pendleton Morgan Harris tornou-se a segunda esposa plural de Joseph Smith (para a qual ainda há documentação que o comprove, e enquanto ainda se mantinha casada com George Harris tanto legalmente, quanto de corpo presente), vindo a ser inclusive a primeira mulher a velar o seu corpo após o assassinato de 1844, antes mesmo de sua única esposa legal, Emma Hale Smith. [11]

Mas Morgan e Smith não compartilharam apenas da mesma esposa.

Em 1841, Hyrum Smith conseguiu convencer seu irmão Joseph a se tornar um maçom, e ele foi iniciado em março de 1842. Em seguida, em menos de 2 meses, em maio de 1842, Smith estabeleceu as ordenanças do templo que ele chamou coletivamente de “investidura”. Essa “investidura” incluía sinais, rituais, roupas, e apertos-de-mão idênticos — ou quase idênticos — aos que Smith aprendera na maçonaria e as semelhanças eram tão marcantes e óbvias que os próprios iniciados (de ambos rituais) notaram-nas imediatamente. [12][13] O Apóstolo Heber C Kimball escreveu para o Apóstolo Parley P Pratt sobre sua investidura, explicando as enormes semelhanças que ele encontrou entre o ritual maçônico e as investiduras mórmons:[14]

“O irmão Joseph sente-se tão bem quanto eu o jamais vi. Um motivo para isso é que ele juntou um grupo pequeno com o qual ele se sente seguro, e com o qual ele se sente à vontade para abrir o seu coração e ainda sentir-se seguro. Eu quisera que você pudesse estar aqui conosco para que pudesse sentir e ouvir por si mesmo. Nós temos recebido umas coisas preciosas através do Profeta sobre o sacerdócio que faria a sua alma se regozijar. Eu não lhe posso escrever no papel pois elas não devem ser escritas. Então você precisa voltar e recebê-las pessoalmente. Nós organizamos uma Loja aqui de maçons, pois recebemos uma dispensação. Isso foi em março. Desde então já quase 200 foram induzidos como maçons. O irmão Joseph e o irmão Sidney foram os primeiros a serem recebidos na Loja. Todos os Doze se tornaram membros, exceto Orson Pratt, ele ainda hesita. Logo ele acordará. Há uma semelhança entre o sacerdócio e a maçonaria. O irmão Joseph diz que a maçonaria foi tirada do sacerdócio mas se tornou degenerada, mas muitas coisas ainda estão perfeitas.”

Neste quesito, William Morgan figura importantemente, não como originador das ordenanças templárias mórmons, pois Smith as recebeu de seus novos irmãos nas lojas de Illinois, 16 anos após a suposta morte de Morgan, mas como documentador desta influência. Nenhum SUD que tenha recebido suas ordenanças templárias, especialmente antes das mudanças instituídas em 1990, poderia ler as descrições de William Morgan (veja as ilustrações abaixo) sem reconhece-las dentro dos próprios Templos SUD.

Primeiro Aperto de Mão

Primeiro Aperto de Mão

P: O que é isto?
R: Um aperto de mão.
P: Qual aperto de mão?
R: O aperto de mão de um Aprendiz Maçom.
P: Tem um nome?
R: Tem sim.
P: Queres da-lo a mim?
Segundo Aperto de Mão

Segundo Aperto de Mão

Quarto Aperto de Mão, Aperto de Mão do Mestre, ou Sinal Seguro da Pata de Leão.

Quarto Aperto de Mão, Aperto de Mão do Mestre, ou Sinal Seguro da Pata de Leão.

Primeiro Sinal e sua Penalidade

Primeiro Sinal e sua Penalidade

Segundo Sinal

Segundo Sinal

Segunda Penalidade

Segunda Penalidade

Terceiro Sinal e sua Penalidade

Terceiro Sinal e sua Penalidade

Quarto Sinal

Quarto Sinal

Naturalmente, há muito mais na teologia e mitologia SUD que se pode rastrear da maçonaria do que apenas as ordenanças do Templo. E certamente há muito nestas ordenanças que são originais a Smith. O que impressiona, contudo, é a clareza com que Morgan documenta a extensão da forte influência maçônica sobre os rituais mais sagrados para o mormonismo de maneira clara e inequívoca. Este, talvez, seja o seu maior e mais longevo legado intelectual. [15][16][17]


NOTAS
[1] Ver link
[2] Ver link
[3] Ver link
[4] Ver link
[5] Ver link
[6] Ver link
[7] Ver link
[8] Homer, Michael. Similarity of Priesthood in Masonry: The Relationship Between Freemasonry and Mormonism, em ‘Dialogue: A Journal of Mormon Thought’. Vol 27, No 3, 1994.
[9] Bushman, Richard. Joseph Smith and the Beginnings of Mormonism. 1988. University of Illinois Press, pp. 119-125.
[10] Bushman, Richard. Joseph Smith: Rough Stone Rolling. 2005. Alfred A. Knopf, pp. 4494-451.
[11] Compton, Todd. In Sacred Loneliness: The Plural Wives of Joseph Smith. 1997. Signature Books, pp. 43-53.
[12] Journal of Discourses 11:327-28; 18:303
[13] Johnson, Benjamin. My Life’s Review. 1947. Zion’s Printing and Publishing Co., p. 96.
[14] Kimball, Heber Chase, em carta para Pratt, Parley Parker. 17 Jun 1842. Arquivos SUD.
[15] Ver link
[16] Ver link
[17] Mórmons consideram seus rituais templários secretos sagrados e por isso não podem ser divulgados em público. Em respeito a esta sensibilidade, abstém-se aqui de publicar fotos comparativas dos sinais, apertos-de-mão, e penalidades (abolidas com as mudanças de 1990) do ritual templário mórmon, mesmo que eles sejam fartamente disponíveis tanto em formato de vídeo como em formato de texto pela internet. Maçons também cuidam de seus rituais com sigilo, mas aqui trata-se de um documento histórico e não dos rituais e sinais atuais e utilizados presentemente. Por respeito a esta sensibilidade, tampouco se publica fotos comparativas com rituais atualizados ou presentes nas correntes e escolas mais comuns no Brasil.

86 comentários sobre “Maçonaria e Mórmons, Lojas e Templos, Morgan e Smith

  1. Caros boa noite,

    Quero levantar mais uma questão, acredito que o envolvimento de Smith com a maçonaria se deu por interesses políticos.

    Pois enquanto ele era Presidente da Igreja, ele conferia o Sacerdocio aos negros sem problema algum. Porém a maçonaria não aceitava homens que não fossem livres.
    Com a morte de Smith, Brigham Young assumiu e não conferiu o sacerdocio aos negros. Pois a maçonaria não considerava negros homens livres!

    • Marco Antonio,

      você tem razão sobre a diferença de visão entre Joseph Smith e Brigham Young. Joseph Smith pregava a abolição da escravatura e não deixou nenhuma restrição sobre a ordenação de negros ao sacerdócio. Ele aparentemente se opunha ao casamento inter-racial, no entanto. Brigham Young foi quem criou a exclusão de negros do sacerdócio.

      Mas é preciso aqui levar em conta o seguinte fato: depois do assassinato de Joseph Smith, houve uma afastamento total entre a Igreja sud e a maçonaria. A loja de Nauvoo já havia sido considerada irregular antes disso. Por isso, não se poderia explicar a exclusão de negros do sacerdócio promovida por Brigham Young como resultado da associação entre as duas instituições.

      Ainda, havia nos EUA lojas maçônicas compostas de afro-americanos. Há pelo menos um autor que sugeriu, como você, uma relação entre a exclusão do sacerdócio e a questão maçônica. Mas no sentido contrário: para o historiador Connel O’Donovan, a proeminente posição maçônica do élder negro Walker Lewis teria sido um dos possíveis motivos para que Brigham Young visse algum perigo na ordenação de negros.

      Abraços!

      • Irmão Antonio, essas informçoes são muito importantes, quanta coisa mudou de lá pra cá.
        Lendo essas informaçoes me faço concluir que Brigham Young causou um retrocesso na igreja.
        Minha pergunta é:
        Por que demorou tanto tempo para se voltar a conferir o sacerdocio aos negros.
        Já ouví algumas respostas como:
        – Era preciso esperar o fim da escravidão no mundo todo ! mas…..1978 ?
        O irmão pode falar alguma coisa a respeito ?
        Se puder acrescentar também sobre Joseph Smith e o abolicionismo também ficarei grato.
        Sendo verdadeiras essas duas afirmaçoes sobre Joseph Smith, só tenho que admira-lo mais ainda .
        Anti-mormons renegam as duas afirmaçoes e sempre “acham” citaçoes para isso .
        desde já, obrigado.

      • Um dos problemas, Maurício, é que a história sud foi fortemente editada desde o início. Brigham Young continuamente se referia a Joseph Smith para corroborar suas visões e ações. E enquanto Brigham Young de fato manteve e/ou implementou algumas das “medidas de Joseph”, algumas coisas foram erroneamente imputadas a Joseph Smith, como no caso da exclusão do sacerdócio.

      • No caso dos ramos da Igreja advindos após a morte de Joseph Smith, como por exemplo o da Igreja Reorganizada e os Williamitas (Williamite Church of Jesus Christ of Latter Day Saints), como ficou a relação de seus rituais e templos com a maçonaria e o sacerdócio aos negros?

      • Rodrigo,

        a organização de William Smith teve uma vida curta, sendo precedida por seu apoio a James Strang e deixada para trás com sua adesão à Reorganização. Não sei se nesse curto período ele buscou implementar as ordenanças do templo.

        James Strang presava o esotérico e ritualístico e teve aderentes que eram bom conhecedores das ordenanças desenvolvidas em Nauvoo. Após seu assassinato, muitos strangitas também se juntaram à Reorganização.

        Alpheus Cutler e Lyman Wight haviam recebido no Conselho dos 50 suas missões para colonizar outras áreas dos EUA e construir suas porções do Reino. Ambos viam tais designações como superiores à qualquer obrigação de seguir os Dozepara o oeste. Ambos, Cutler e Wight, administraram ordenanças templárias em suas respectivas famílias/igrejas. A colônia de Wight no Texas não foi bem sucedida e após sua morte, muitos seguidores também aderiam à RSUD. A igreja de Wight não existe mais, enquanto a de Cutler ainda conta com um pequeno grupo (talvez a menor igreja de todo o movimento mórmon) no Missouri.

        Como podemos imaginar, a RSUD passou por um longo processo de formação e negociação de crenças, frente a tantos fieis oriundos de diferentes contextos, com diferentes práticas e crenças. Em algum momento, Joseph Smith III decidiu que as ordenanças do templo não eram necessárias. (Tenhamos em mente que a investidura estava associada à doutrina da pluralidade de esposas, igualmente rejeitada pela Reorganização).

        No séc. XX, o movimento fundamentalista (décadas de 1920 e 1930) durante muito tempo apenas realizava as ordenanças de selamento. Os novos polígamos obtinham a investidura na igreja sud e ficavam nela o tempo que fosse possível. A partir da década de 1970 é que alguns grupos iniciam a administração de outras ordenanças templárias.

      • Antonio Trevisan,

        Muito obrigado pelo esclarecimento e por contribuir para nosso conhecimento da história desses ramos do mormonismo. Atualmente, os fundamentalistas realizam os ritos e ordenanças em seus templos? Ou fizeram algumas mudanças? E no caso de outros ramos de Utah ou do oeste americano como o grupo de mórmons LGBT e etc.?

      • “Fundamentalistas” é uma definição bastante ampla, que abarca diferentes grupos.

        Há fundamentalistas que não possuem as ordenanças do templo (por ex. A Igreja do Primogênito na Plenitude dos Tempos).

        Os que realizam as ordenanças, em geral, mantém a investidura próxima ao que era realizado pela igreja SUD antes de 1990. Mesmo assim, há variações, pelo fato de terem existido versões diferentes da investidura sud ao longo da história. E, obviamente, há diferenças nas interpretações das cerimônias. Alguns detalhes são muito difíceis de saber, estando do lado de fora.

        Há fundamentalistas que praticam ordenanças e possuem um templo (por ex., a comunidade de Ozumba, no México; o grupo de Peterson que possui um templo em forma de Pirâmide em Utah). A FLDS de Warren Jeffs construiu um templo no Texas em anos recentes, mas não sei dizer se além de selamentos ele realizam a investidura ou batismos pelos mortos ou segundas unções, etc.

        A AUB (segundo maior grupo fundamentalista mórmon) também administra ordenanças do templo, mas não sei nada sobre seu templo ou casa de investidura.

        Há fundamentalistas que não dispõem de um prédio exclusivo para as ordenanças. (Por ex., membros d’A Igreja do Primogênito utilizam florestas, montanhas ou suas casas para as ordenanças).

        Aparentemente, a maioria dos mórmons LGBT são membros SUD ou da Comunidade de Cristo. Houve uma “igreja gay” formada na década de 1980 e dissolvida (pelos próprios membros) em 2010 que praticou batismos vicários em favor de gays vítimas da AIDS. Não sei se realizaram outras ordenanças templárias. Oriunda desse movimento, há hoje uma pequena igreja no Uruguai que aceita homossexuais e parece administrar ordenanças do templo também.

      • Caro amigo Antônio Trevisan, interessantíssimo esse seu comentário acerca dos vários ramos mórmons existentes atualmente. Sei que é pedir de mais, mas, você teria a bondade de fazer um post comentando acerca de tais instituições, bem como, citando as fontes onde poderíamos encontrar mais detalhes acerca de suas doutrinas e organização?

      • Caro Marcos Trevisam

        Li atentamente a seu comentário sobre a FLDS, neste tópico.
        Gostaria de mais informações a respeito. Quero saber se realmente existiram membros SUD que não aceitaram a declaração oficial II e praticaram a poligamia na Igreja até a década de 1970? A Igreja fazia “vistas grossas” a estes grupos? Qual foi a reação tomada pela igreja SUD para que os mesmos se extinguissem? Até que ano realmente podem ter existidos polígamos dentro da Igreja SUD?

      • Então irmão é certo dizer que:
        1- Joseph Smith foi abolicionista ?
        2- Joseph Smith realmente conferia o Sacerdocio a negros e indios ?
        3- Brigham Young era contra as duas alternativas ?
        Agora, mais interessante ainda me vêm à cabeça a seguinte pergunta ?
        4- Estamos do lado certo, já que seguimos Brigham Young ao invés da familia Smith ?
        Conheço esse assunto vagamente, poderia elucidar para mim, principalmente a 4 ?
        obrigado, irmão.

      • Eu posso dar minha opinião Mauricio? Depois o Antônio elucida suas dúvidas.

        1-Sim
        2-Sim
        3-No começo não, depois SIM. E essa atitude dele resultou por queimar o filme da instituição para sempre!
        4-Essa eu não vou nem responder!

      • Obrigado Giovanni, mas a que mais me intriga é a 4.
        Como foi esse “racha” na realidade ?
        Pra mim a resposta ainda é sim, mas eu queria ver o assunto desenrolar e saber se o que eu ouví desde o inicio procede.
        Eu conheço muito pouco sobre o outro lado, afinal tivemos um Joseph Smith III.

      • Giovanni, ainda no mesmo assunto, pra mim é muito importante saber que Joseph foi aboliconista, isso só reforça a excelente imagem que tenho e sempre terei dele.
        obrigado.

      • Boa noite, a resposta para essa pergunta é SIM! Quem era neutro era Brigham Young.

      • Oi, Maurício,

        1. Joseph Smith era a favor da abolição da escravatura. No seu programa para a presidência dos EUA, ele propõe a abolição de forma pacífica e com a indenização do escravagistas pelo Estado.

        2. Sim. Houve um pequeno número de negros ordenados ao sacerdócio. Diz-se que Elijah Abel teria sido ordenado pelo próprio Joseph, mas não há evidência histórica disso. O que é certo é que Joseph sabia dessas ordenações e não há nenhuma evidência de ter feito uma ressalva sobre isso. O completo banimento de negros do sacerdócio não se originou com Joseph Smith. Os índios eram vistos por Joseph como nobres descendentes dos povos do Livro de Mórmon.

        3. Brigham Young sabia das ordenações de negros ao sacerdócio. Em algum momento posterior, ele reformula sua visão e passa a enfatizar a tradição protestante das três linhagens vinda de Noé e prega a exclusão de negros do sacerdócio de forma radical. Porém, Elijah Abel nunca foi destituído do sacerdócio, mesmo sob a presidência de Brigham, tendo morrido como um setenta, após sucessivas missões de proselitismo.

        4. Isso é uma questão de crença/testemunho. Eu respeito todos as organizações que reivindicam o legado de Joseph Smith. Mas na minha crença pessoal, apesar dos graves erros de Brigham Young, o corpo dos santos que tentou fugir dos EUA migrando para o oeste é o grupo que durante um longo período mais se manteve próximo aos ensinamentos de Joseph Smith. Igualmente, lamento o insucesso de Lyman Wight e Alpheus Cutler em suas respectivas organizações.

      • Irmão Antonio, suas respostas assim como as de Marco Antonio e Giovanni foram importantes pra mim.
        As pessoas tentam a todo momento denegrir a imagem de nosso grande Profeta e informaçoes como essas quatro repostas deixam bem claro sobre quem foi Joseph Smith:
        “Um homem à frente do seu tempo”, é isso…no minimo !

      • Prezados, levando em consideração todos os comentários feitos até aqui, no meu entendimento a questão que pesa é: Se a igreja SUD é guiada por revelação, e a revelação é uma das principais bases da igreja, Brigham Young teria o espírito de revelação ao negar o sacerdócio aos negros? Se ele não tinha este espírito de revelação, seria ele um profeta de Deus? Se ele não era um legítimo profeta de Deus, Deus o teria mantido na Presidencia da Igreja por tantos anos? Brigham Young também declarou que os negros eram uma raça suja e preguiçosa, e que foram amaldiçoados por não serem valentes na pre-existência? Não declarou ele que os negros só teriam o direito de receber o sacerdócio novamente depois que todos os filhos de Abel o tivessem recebido , e isto após o milênio? Tenho lido declarações como estas, tendo como base Journal of Discourses. Penso que a questão é esta, se Brigham Young não era um profeta de Deus, conforme evidencias de seus próprios sermões, esta igreja não pode ser a única igreja verdadeira e viva sobre a face da terra. Consequentemente, os homens que o sucederam não são profetas, mas homens comuns, como todos os demais, mas refinados por experiências pessoais que os tornaram pessoas excelentes!

      • Com todo o respeito irmão-amigo Antonio, não acredito que “algumas coisas foram erroneamente imputadas a Joseph Smith, como no caso da exclusão do sacerdócio”, pra mim, penso terem sido a continuidade de revelações e orientações, da qual cada Líder presidente sucessor tem o dever de fazer; através de cada presidente, o Senhor acrecenta-nos mais luz e conhecimento do evangelho!

      • David, para mim, a exclusão do sacerdócio aos negros não teve participação nenhuma de Deus, no máximo Ele permitiu, assim como permite que várias tragédias aconteçam no mundo. Isso não significa, que seja a Sua vontade, mas sim, uma demonstração de respeito ao livre-arbítrio do homem.

      • Respeito sua opinião amigo…

        Quanto a mim, penso diferente, só isso… Talvez diferente da maioria que lê este post, salvo raras exceções… rsrs
        Gentilmente, descordo parcialmente de você, por crer nesta inpirada declaração, que a despeito do Senhor respeitar o arbítrio do homem bem como entender suas limitações e imperfeições, através da instrumentalidade deste, realiza seus justos desígnios:
        “O Senhor não permitiria que nenhum homem estivesse à frente desta Igreja sem ser governado e controlado por revelação. Somos instrumentos frágeis — fracos vermes do pó — mas Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir os sábios e edificar Sião. E concede-nos revelações e dá-nos a conhecer Sua mente e vontade.” (Pres. Wilford Woodruff – Millennial Star, 5 de março de 1896, p. 148. ou o “Capítulo 19: Seguir o Profeta Vivo,” Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Wilford Woodruff, (2005)
        https://www.lds.org/manual/teachings-of-presidents-of-the-church-wilford-woodruff/023?lang=por#11-36315_059_023

        Ademais, não penso ser adequado discutirmos estes pontos neste post, que trata da maçonaria, e não do sacerdócio aos negros, poligamia, etc… como alguns conscientes ou não fizeram nos comentários, desviando o tema do assunto… Penso que cada post merece comentários relativos exclusivamente ao seu assunto…

        abs

      • No pouco que entendo, associava-se a maçonaria homens livres, o que por usa vez, os escravos não seriam aceitos, no entanto, penso eu que havia negros livres, que seria o caso da lojas afro-americanas muito bem citadas pelo Antonio… Portanto, como Bigham e muitos outros continuaram maçons, a despeito do temporário desentendimento da Igreja e a Fraternidade Maçônica dissolvido pelo Pres. kimball anos depois, penso eu não ter sido a influência maçônica em Brigham que o motivou a suspender por tempo indefinido a concessão do sacerdócio aos negros… A meu ver, Brigham não pensava diferente de Joseph, no sentido que, muito embora sob a direção de Joseph alguns negros tenham sido ordenados, ele também ensinava sobre serem “filhos de Caim” e “filhos de Cam”… Pra mim, por hora, Joseph abriu exceção nestes casos específicos, o que não contrariaria Brigham Young… Portanto, a filiação maçônica de ambos (Joseph e Brigham) em nada os influenciaram quanto a revelação do sacerdócio aos negros… A Maçonaria é neutra quanto a questões político-partidárias ou religiosas-sectárias!!!

      • David Marques, eu não sei o que você quer dizer quanto a maçonaria não ter influenciado Brigham Young , e que ela é neutra. Mas, há fatos que apontam uma maçonaria racista e segregacionista naquela época. Então, se Young era maçom, ela pode ter muito bem influenciado ele.

        Você, ao invés de ver algo bom na (segregada) maçonaria negra, deveria se perguntar porque? Porque uma maçonaria só para negros? Quem foi PRINCE HALL? Você já ouviu falar nesse homem (negro), que fundou a primeira maçonaria afro (de mesmo nome que ele)? Porque os negros eram orientados [quando procuravam a maçonaria tradicional (de brancos)] a ingressarem na maçonaria Prince Hall (de negros)?

        E como muito bem disse o historiador Connel O’Donovan (lembrado pelo Antonio), a proeminente posição maçônica do Élder negro Walker Lewis, poderia ter causado a ira, o ódio, a inveja e sentimentos de inferioridade (em posição a um negro) em Young. Ele não iria querer um negro maior do que ele na igreja. Então, é possível sim, este ter sido um dos motivos da proibição. Até que se prove o contrário, – pelo contexto histórico que envolve a maçonaria, o mormonismo e o racismo, – os estudos de Connel O’Donovan podem estar corretos.

  2. Excelente matéria! 100% justa e perfeita em todo seu contexto. Aproveito para manifestar minha admiração pelos amigos Marcello Jun e Antônio Trevisan. Sempre acompanho seus estudos e sou colecionador de todos os textos. Inclusive tomei a liberdade de publicar a matéria acima em meu Facebook (com as devidas citações de autoria) e indicar este site para meus amigos que se interessam pelo assunto. Parabéns e espero vê-los na próxima conferência para compartilhar um forte abraço!

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