Dieter Uchtdorf: O iPhone de Joseph Smith

O Apóstolo e Conselheiro na Primeira Presidência Dieter F. Uchtdorf publicou nota hoje afirmando que Joseph Smith tinha uma espécie de celular do tipo smartphone.

Uchtdorf iPhone

De acordo com Uchtdorf, em mensagem postada em sua página pessoal do Facebook, Smith teria traduzido o Livro de Mórmon com uma pedra que funcionaria exatamente como um celular moderno:

Uchtdorf iPhone

Não muito tempo atrás, a Igreja publicou fotos e informações de fundo sobre pedras de vidente. As pessoas me perguntam: “Você realmente acredita que Joseph Smith traduziu com pedras de vidente? Como algo como isso seria possível?” E eu respondo: “Sim! Isso é exatamente o que eu acredito” Isso foi feito como disse Joseph: Pelo dom e poder de Deus.

Na realidade, a maioria de nós usa uma espécie de “pedra de vidente” todos os dias. Meu celular é como uma “pedra de vidente.” Eu posso obter o conhecimento coletado do mundo através de algumas simples tecladas. Posso tirar uma foto ou um vídeo com o meu telefone e compartilhá-lo com a família do outro lado do nosso planeta. Eu até posso traduzir qualquer coisa em ou a partir de muitas línguas diferentes!

Se eu posso fazer isso com o meu telefone, se os seres humanos podem fazer isso com seus telefones ou outros dispositivos, quem somos nós para dizer que Deus não poderia ajudar Joseph Smith, o Profeta da Restauração, com o seu trabalho de tradução? Se é possível para mim acessar o conhecimento do mundo através do meu telefone, quem pode questionar que pedras de vidente são impossíveis para Deus?

Muitas religiões têm objetos, lugares e eventos que são sagrados para eles. Nós respeitamos as crenças sagradas de outras religiões e esperamos ser respeitados por nossas próprias crenças e o que é sagrado para nós. Nós nunca devemos ser arrogantes, mas sim educados e humildes. Nós ainda devemos ter uma confiança natural, porque esta é a Igreja de Jesus Cristo.

A pedra em questão foi anunciada formalmente pela Igreja SUD apenas no ano passado, após décadas e décadas negando-a e escondendo-a de escrutínio público. Durante todo esse tempo, a Igreja publicava imagens passando a impressão que Smith teria utilizado o bíblico Urim e Tumim, quando historiadores sabiam que ele havia utilizada uma pedra que ele havia encontrado cavando por tesouros vários anos antes. [Ver imagens aqui e aqui]

A tradição de esconder as origens mágicas do Livro de Mórmon começou já em 1830, quando Smith alterou a narrativa do encontro de Martin Harris com o Dr. Charles Anthon sobre os caracteres de “egípcio reformado”, mudando a descoberta do poder dos “óculos” encontrados com as placas para após o retorno de Harris. Em 1832, Smith e discípulos passaram a usar a expressão “Urim e Tumim” ao invés de “óculos”, e em 1838 Smith removeu todas as menções aos “óculos” ou à pedra de vidente em documentos, diários, e textos para substituí-las por “Urim e Tumim”, além de mudar a história da descoberta dos “óculos” de 1827 com as placas para 1823 com o anjo. Foram necessários quase dois séculos, e muita divulgação em livros, artigos e, finalmente, na internet para encorajar a liderança da Igreja a finalmente admitir que o Livro de Mórmon fora traduzido com uma pedra dentro de um chapéu.

De acordo com Uchtdorf, a pedra de vidente não seria muito diferente de um smartphone como o iPhone que ele segura na mão (ver foto acima tirada hoje em 2016), porém de tecnologia tão avançada (ou mágica) que ele é indistinguível de uma simples pedra para o nosso ainda retrógrado conhecimento tecnológico de 2016.


Leia também: A Pedra e a Vidraça

17 comentários sobre “Dieter Uchtdorf: O iPhone de Joseph Smith

  1. Só pode ter sido em tom de brincadeira ou como figura de linguagem, espero sinceramente que ele não ponha literalmente sua fé nisso. Se bem que tem pessoas com crenças muito estranhas e cada um acredita no que quiser, mas não ficaria legal para um ancião da liderança maior.

    Até porque, se a tecnologia era tão boa assim, porque os senhores ali nunca mais usaram para revelar qualquer coisa nova?

    Deve ser pra fazer graça mesmo.

  2. “Foram necessários quase dois séculos, e muita divulgação em livros, artigos e, finalmente, na internet para encorajar a liderança da Igreja a finalmente admitir que o Livro de Mórmon fora traduzido com uma pedra dentro de um chapéu.”

    Na verdade, nunca houve tradução. As placas nunca existiram. A estória fantasiosa foi inventada por Joseph Smith, o marqueteiro, para vender o livro.

    • Fantástica a percepção que Joseph teve para ganhar dinheiro naquela época, criarei uma estória e depois a publicarei e certamente ganharei milhões e não precisaremos mais viver nesta pobreza sem fim. Tenho certeza que não foi somente ideia dele, outros jovens da mesma idade fizeram o mesmo, era uma região com um grande incentivo a leitura e a escrita, certamente saíram grande escritores de lá.

  3. Caro quintinomelo,

    Você nunca leu O Livro de Mórmon, por isso seu engano e comentário sem nexo. E outra coisa o Livro é gratuito. Posso conseguir um pra você 🙂

  4. É isso mesmo…Joseph foi um homem à frente de seu tempo. Acredito que nem ele sabia onde isso tudo iria acabar. Ele mesclou ritos maçônicos com cristianismo. E se contar que esteve envolvido com muitos problemas financeiros na época. Quando as placas estavam sendo traduzidas e Martin Harris levou uma parte para casa e sua esposa engenhosamente disse para ele pedir para joseph traduzir novamente as placas que supostamente ele teria perdido, Joseph disse que já não mais poderia traduzir as mesmas pois não estavam mais nos planos de Deus. Ele foi um mais desses líderes religiosos astutos. E a igreja através de sua PNL vai mantendo em alienação seus membros.

  5. Pelo que entendi ele está tentando apaziguar um certo deboche que pode ter lido ou ouvido. Culturalmente mórmons não são íntimos de objetos místificados, exceto templos, garments (e manuais, kkkk, desculpa, não resisti). Logo, eu teria ficado calado.

    A fala dele só serve a crianças ou um público em igual idade mental. Eu teria usado na primária.

  6. Taí talvez um dos grandes problemas com a nossa religião, essa mania irritante e sem sentido de tentar transformar o mistico o espiritual em racionalidade. Isso estraga a fé destrói o efeito que o mito tem sobre a emoção e psique humana . Não há necessidade de transformar a religiosidade em racionalidade nunca houve podemos e devemos ser racionais e no entanto ter espaço para o espiritual quando tentamos misturar e anular uma das partes com a outra a perca é gigante. Conheci um engenheiro indiano pós graduado em mecatrônica que possuía uma estatueta de shiva em seu escritório. Tive um professor na faculdade que era padre e ensinava história antiga e antropologia exibindo seu lindo crucifixo dourado no pescoço. Quando vamos amadurecer como povo religioso e entender que existe espaço para as pedras do vidente em nossa cultura, existe espaço para visões de anjos, existe espaço para traduções misticas, e não precisamos avaliar a radioatividade das ditas pedras ou testá-las com “carbono 14” deixa o “raio”da pedra ser pedra de rio mesmo ,deixa o anjo mudar de nome (néfi para Moroni) deixa o profeta traduzir funeral egípcio e chamar “Anúbis” de Abraão, o simbolo é o importante o efeito e sentido sagrado é o que conta.

    • Bem isso mesmo. Mas é difícil convencer os mórmons abolir a pseudociência da fé.

      Deve ser um estigmatismo de não quererem ser vistos como religiosos ‘comuns’, mas tropeçamos justamente ao fazer isso. Se fôssemos uma religião no sentido da palavra menos explicações teríamos que dar. Mas parecem que querem não fazer feio ao convencer o cético cientista ou empresário.

      • “…estigmatismo de não quererem ser vistos como religiosos ‘comuns’…” É Gerson traduziu bem nosso grande pecado como povo.

  7. Quando perdemos o espírito perdemos até a sensibilidade de compreender ou interpretar uma analogia. De fato eu creio que o homem não inventa, apenas descobre,pois tudo que existe em nosso mundo Deus já criou e o fez melhor.

    • Ironicamente, Evandro, você simplesmente confirmou a nossa “compreen[são]” ou “interpreta[ção]” da “analogia”.

      Uchtdorf supõe que a pedra que Smith encontrou no leito de um poço possuía propriedades tecnológicas avançadas como o celular moderno. Tão avançadas a ser considerado “sobrenatural”.

      Evandro Santos supõe que o celular moderno não foi “invent[ado], apenas descob[erto]” pois “Deus já criou e o fez melhor”. Haja visto a pedra de vidente de Smith.

      Obrigado.

      (Em tempo: A desculpa “você precisa ter o espírito/fé inabalável/santo daime para compreender” é popular entre aqueles desprovidos de argumentos factuais, racionais, ou lógicos para argumentar sua crença ou opinião.)

  8. Acredito que ele tentou dizer que se nós seres humanos, conseguimos inventar algo que nos dá acesso há quase todas informações deste mundo, por que Deus não seria capaz de fazer algo tecnológico/químico para disponibilizar informações para Joseph Smith?

Deixe um comentário abaixo:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s