Discutindo o assunto da baixa taxa de retenção de membro na Igreja SUD no Brasil, recebi os seguintes comentários de um amigo.
Comentários, não. Desabafo!
Eu gostaria de compartilhar publicamente essa carta que, ao meu ver, expressa bem algumas frustrações comuns entre SUDs no Brasil. Além disso, é honesta, bem humorada, positiva, e excelente início para uma discussão franca.
Ele apenas solicitou que lhe protegera a identidade, não por si, mas para evitar o risco de ferir os sentimentos dos membros de sua Ala ou Estaca.
PORQUE SE AFASTAM?
Alexandre Silva Mil
(pseudônimo)
O que faz as pessoas se afastarem da Igreja?
Esse é um tópico da maior importância, pois ao aborda-lo, talvez nos capacitemos a melhor ajudar outras pessoas.
A pergunta “o que faz as pessoas se afastarem da Igreja” é tão ampla que fica difícil eleger apenas uma resposta.
Coloco aqui algumas considerações pessoais, inteiramente baseadas nas minhas próprias impressões e na minha experiência anedotal. Não presumo expor considerações acadêmicas ou baseadas em pesquisas ou estudos sociológicos.
Primeiramente, noto que a Igreja apresenta-se mais como “empresa” que como entidade “espiritualista”. No dia que a Igreja mudar esse ar corporativo e passar a fornecer alguma coisa realmente espiritual para os membros, ao invés de ficar com esse número infindável de reuniões (focadas em análises de números e estatísticas) que mais parecem reuniões de “marketing-de-rede”; no dia em que a Igreja deixar de ser a Igreja da “diplomacia” e dos “delegados”, com certeza as pessoas não vão querer se afastar tanto.
A pergunta que se deve fazer aqui é o que as pessoas que deixam de ir a Igreja estão procurando lá fora e não encontraram aqui dentro? Com o quê elas se decepcionaram na Igreja?
É incrível como entra ano, sai ano, a inatividade na Igreja aumenta e os métodos continuam os mesmos! Não é preciso fazer um estudo muito aprofundado para se intuir o por quê das pessoas se afastarem, pelo ao menos aqui no Brasil. Basta frequentar uma capela por uns três meses que a maioria das pessoas vai, eventualmente, se desiludir.
A Igreja hoje não oferece espiritualidade em uma época em que as pessoas estão sedentas por espiritualidade. O cidadão entra pra Igreja, começa a frequentar aquele monte de reuniões chatérrimas, que só falam de números, que parecem reuniões de empresa, e junto a isso recebe um pacotão de tarefas que inclui: almoço para os missionários, limpeza das capelas, visitas de mestre familiar, e outros bônus mais. Daí um tempo ele começa a sacar, e aí vem a diplomacia que citei acima, uma ou duas famílias, usualmente as mais antigas na Igreja, se encarregam de ajudar os membros novos a se afastar. Uma ou duas famílias, lá do púlpito, começam a falar com voz mansa que temos que fazer isso, temos que fazer aquilo, temos que fazer mais aquilo outro, que o Senhor esta vendo tudo, e Ele vai cobrar um dia, etc., e além desses membros “antigos” não “pegarem no pesado”, começam com aquela estória de que desde que eles entraram para a Igreja “não sei quantas pessoas entraram e saíram”, mas eles e suas famílias ficaram firmes, e os “fracos” não aguentaram e se afastaram! E aí, tudo que parecia lindo e perfeito começa a cair por terra: você vê que a família do Presidente da Estaca é mais desorganizada que a sua, e mesmo assim os “líderes” delegam. É a Igreja dos “delegados e diplomatas”. Não raro em reuniões de liderança ouvi-se o seguinte: Olha, dá esse cargo para tal pessoa, que é membro novo, por que ele é “sangue novo” e ainda tá animado…
Não tem nada de sangue novo, é que o cara ainda tá fascinado com a imagem dos missionários, e ele demora um pouco pra sacar a jogada. Um pouco de gente dá um monte de ordens, faz um monte de reuniões, uma atrás da outra, manda o cara preparar reunião de integração, visitas isso e aquilo. É claro, somos uma Igreja que prometemos nada mais, nada menos que a eternidade da família. Claro, desde que o indivíduo goste de sua família e queira passar a eternidade com ela.
Uns demoram mais, outros demoram menos, mas cedo ou tarde percebem que toda essa “atividade” (já que a palavra aqui é “inatividade”) faz mais mal do que bem. O cara percebe que o Bispo, além de pedir o dízimo, pede também para ajudar a financiar a missão de alguém, e dai em pouco ele percebe que está sendo completamente sugado, não tem tempo de ficar com sua família, os membros de sua família que não são da igreja se tornam uma espécie de “os outros”, ai ele começa a ter algum problema, conversa com o Bispo e a receita é sempre a mesma: Quando não fala que ele é um portador do Sacerdócio e, portanto, tem que “aguentar firme ” por que alguém não sei onde e não sei quando caiu de uma carroça, morreu, foi atacado pelos índios, e que esses são os pioneiros e que ele também deve ser valente como os pioneiros; ou então manda ele orar, jejuar, e ler as escrituras. Então ele vê aquele líder, que lhe pediu dar do seu dinheiro pra financiar a missão de alguém, usar de alguma forma o dinheiro da Igreja e a “diplomacia” da Igreja para, com o dinheiro da Igreja, pagar um curso de inglês para um filho, arrumar uma bolsa na BYU pra outro filho, e o coitado do membro-novo não tem um Sábado pra passar com a família por que, quando não é missionário, é visita de mestre familiar, é limpeza de capela, é reunião de treinamento, etc. Ufa, eu já estou até cansado só de pensar em toda essa atividade!
E ainda nos perguntamos por que as pessoas se afastam da Igreja. Ainda temos a coragem (principalmente entre os membros antigos) e a covardia de falar que fulano saiu por que é fraco. Que aquela menina que ficou esperando 10 longos anos por um portador do Sacerdócio digno, e se casou fora da Igreja, fez isso por que não tem fé, por que não é fiel!
Sinceramente, esse assunto é muito serio e é cruel a maneira com a qual a liderança de diplomatas e delegados tratam essas pessoas. É por isso que as outras igrejas como a Batista, a Quadrangular, a Renascer, a Universal, o Espiritismo estão cada vez mais cheias. As pessoas chegam, ouvem que Jesus as ama, que a maldição da vida delas vai ser retirada AGORA, e não num futuro distante, numa eternidade incrivelmente inatingível. O cara não precisa entrar nessa espécie de “Big Brother”, no que a nossa Igreja se tornou, onde os próprios membros se encarregam de eliminar uns aos outros, onde a lista infindável de tarefas como Sacerdócio, missão, cargo, casamento no templo, visitas, etc., são pontos que contam pra você vencer o jogo!!!
Eu, como Mórmon, fico preocupadíssimo. Nossa Igreja tem que repensar varias coisas. Líderes da Igreja no Brasil, onde estão? Alguém aqui, por favor, pode repassar essa mensagem para a liderança da Igreja no Brasil, para que possam pensar e refletir em quais mudanças poderiam ser benéficas para a Igreja.
Todo mundo aqui sabe que a nossa Igreja não é uma Igreja de amor, não é uma Igreja de espiritualidade. Muitas vezes você chega em casa pior do que foi. Eu, que sou nascido na Igreja, e passei a minha vida inteira na Igreja, já encontrei maior espiritualidade em visitas a reuniões da Seicho-No-Ie, de igrejas evangélicas, e de igrejas espíritas, do que encontro todo Domingo nas minhas reuniões dominicais. Hoje em dia, você não encontra nenhuma espiritualidade numa reunião da Igreja Mórmon.
Será que precisamos, realmente, perguntar por que as pessoas se afastam???
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Há algumas semanas visitei uma ala relativamente próxima à minha casa pela primeira vez na VIDA e ainda estou digerindo a experiência… de tão negativa que foi! De um lado juntou-se uma galera que praticamente queria me prender naquela ala, falando sobre suas expectativas a meu respeito na minha frente, e de outro um monte de olhares tortos… Para completar, quando fui perguntar se podia participar da Reunião Sacramental apesar de não ter sido batizada como mórmon (sou cristã não-denominacional, mas fui batizada na Igreja Presbiteriana), o indivíduo deu uma longa explicação cheia de termos que eu desconhecia, sem explicar nenhum, e ainda veio com essa pérola: “Para nós é algo importante, mas para você não vai ter significado nenhum.”
Essa foi demais. Ainda consegui dizer a ele que no dia seguinte faria dez anos de batismo, mas ele saiu de perto sem se importar se tinha me ofendido. Bom pra ele, que pelo menos escapou do risco de eu perder a cabeça e ter uma atitude nada cristã, mas ruim pra mim, que me senti discriminada. Pra encurtar a história: participei da Santa Ceia (ou Reunião Sacramental, Eucaristia, Ceia do Senhor, Comunhão, whatever) orando de forma praticamente constante, com a certeza de que Deus estava ali comigo, e posso dizer que fui ouvida, porque de repente senti uma imensa paz e redenção pairando sobre mim, uma paz inquieta, tão real que faz você querer perguntar pro mundo se ele também está sentindo. Mas esse é um crédito que eu não posso dar ao mormonismo, nem aos mórmons nem à Igreja SUD, e sim ao amor de Deus por mim – o mesmo amor que me concedeu a graça de ser pega de surpresa numa noite de véspera de Natal com a notícia de que finalmente eu seria batizada.
Conclusão (porque eu ainda não tinha acabado, mas me atrapalhei): Deus me deu mais um motivo para serví-Lo e adorá-Lo mais de que antes, mas a Igreja SUD, com essas mostras de arrogância espiritual, perdeu um potencial membro. Que Deus os abençoe, em nome de Jesus, e que a arrogância espiritual seja curada. Em todos nós. Amém!
Danka, diria eu que você não perdeu absolutamente nada. Sou membro, mas sou realista pois na Igreja ninguém liga para você a menos que você tenha algo que faz eles (membros) se interessarem em você, como riquezas, status, ou coisas do gênero. Além do mais, grande parte dos membros não tem sentimentos e acabam falando coisas que não tem nada a ver.
Voltando aos comentários!
Uma nova análise me faz registrar o que atualmente me veio em reflexão devido a pergunta inicial.
As pessoas se afastam da igreja por muitos motivos. Que pode ser desde a falta de fé e testemunho e eu não estou julgando ninguém por isso pois eu aprovo o afastamento.
Mas se afastam também por se tocarem de algumas coisas que vou enumerar:
1- Toda religião é um celeiro enorme de discórdias, as pessoas dizem que amam umas às outras apenas da boca para fora.
2- Os religiosos normalmente se tornam juízes de seus pares. Tornam a vidas das pessoas que se associam com eles tão horríveis quanto suas próprias vidas.
3- As pessoas que se afastam das religiões algumas vezes é por deixarem de acreditar em magica, em fantasias inúteis como as geradas no templo. Mundo espiritual, três graus de gloria e todas essas bobagens. Tem gente que acredita, por exemplo, que Caim está vivo, que os 3 nefitas estão vivos e que João (o apostolo) está vivo, são muito nonsense estas crenças como toda e qualquer crença é nonsense. E além disso os idiotas acreditam que Caim existiu literalmente o que não é verdade.
4- As religiões existem apenas para tirar dinheiro via dízimos das pessoas, elas não ensinam o que é dizimo de forma correta.
5- Por fim, porque também não tenho todo tempo do mundo para escrever aqui. As religiões trabalham os egos das pessoas, a parte do ser humano que precisa de autoafirmação, de segurança, de imaginar que é melhor que o outro (ou pior) o resultado é um estado de letargia completo em que a pessoa não diferencia mais a realidade do sonho.
6- Toda religião é um sistema autoritário de pensamento.
Parabéns aos que se afastam deste lixo, pois D’us não instituiu religião aos homens.
Caim existiu literalmente Sr. Silvio Nunes dos Santos.
Você nunca leu a Bíblia Sagrada??
E se você leu a Bíblia Sagrada, nessa parte onde relata sobre Caim você se fez de sonso ou ignorante.