Abuso Infantil na Igreja Mórmon

[Ontem], a Igreja [SUD] divulgou um comunicado de imprensa intitulado ‘Eficácia da Abordagem da Igreja para Prevenir Abuso Infantil‘. Eu estou literalmente tremendo tanto que mal consigo digitar. Estou com tanta raiva. Como ousam.

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Comecemos pelo título, que é uma manipulação ridícula pois não oferecem nenhuma informação sobre a real eficácia de seus métodos e nenhuma informação sobre as taxas de prevenção.

O que querem realmente dizer é: Isto é o que nós tentamos. E se esse fosse o título, eu talvez não estivesse tão brava. Se eles não tivessem referido a estes esforços como “o padrão ouro”, então talvez eu pudesse digitar uma palavra sem a necessidade de esfaquear a tecla “backspace” tantas vezes. Porque, como o comunicado de imprensa continua, eles não mentem exatamente, tudo o que eles estão dizendo é verdade no papel, na medida do possível. Mas este comunicado de imprensa pinta uma imagem de que não há nenhum problema. E isso é imprudente na sua exposição ao perigo.

Eu escrevi publicamente repetidas vezes sobre a minha própria infância abusiva, e porque eu fui a público com isso, as pessoas vêm desabafar comigo. Quase diariamente. Eu carrego minhas próprias experiências e as experiências de centenas e centenas de outras pessoas. E quem diz que não temos um problema de abuso prefere viver em sua ficção confortável, mesmo que isso signifique ignorar o sofrimento de mulheres e crianças para conseguir fazê-lo.

Eu contei ao meu bispo. Em 1995. Quando já havia uma central de atendimento. E ele não acreditou em mim. Minha irmã contou-lhe. Ele não acreditava nela. Minha mãe contou a ele. Ele não acreditava nela. Eu contei a um outro bispo em 1997. Ele foi simpático mas percebi que não havia mais nada a fazer posto que eu já tinha fugido de casa nessa época. Eu contei a meus bispos na BYU. Eu contei a um terapeuta na BYU. Eu tive que dedurar meus próprios pais à polícia porque ninguém me ajudava.

Em cada caso, e eu sei porque eles me disseram, eles ligavam para a central de atendimento. E em cada caso, eles foram informados em como proteger a Igreja [SUD] de responsabilidade, mas não em como me ajudar. Você pode ver a verdade disso no comunicado de imprensa. “A central de atendimento oferece assessoria jurídica para ajudar o clero a estar em conformidade com a lei e trabalhar com a polícia.” Só que o aconselhamento jurídico parece ser, repetidamente, não alerte a polícia.

Minha história não é excepcional. Centenas e centenas de mulheres e homens me contaram suas histórias. Um Bispo molestou-os e o Presidente da Estaca tomou partido do Bispo. Um criminoso sexual registrado foi em sua ala e o Bispo estava apenas preocupado com “arrependimento” que praticamente enviou vítimas a seus braços. Mulheres estupradas por seus maridos e, em seguida, repreendidas por não terem submetido-se. Meninas estupradas por alguém com que elas estavam saindo e então forçadas a se arrepender por isso, enquanto o menino foi enviado em missão. Bispos fazendo perguntas inadequadas em entrevistas de dignidade que faziam as adolescentes se sentirem violadas sem a linguagem para explicar o porquê. Um sistema hierárquico em que todo homem tem mais autoridade do que qualquer mulher e que precondiciona as mulheres para que sejam suscetíveis a predadores enquanto elas negam suas próprias vozes e experiências para alinharem-se com o que lhes é dito todos os domingos.

“Prevenir e responder a abuso infantil é o assunto de uma lição regular ensinada durante as reuniões dominicais.”

Eu tive que procurar por isso porque eu sinceramente não tinha idéia do que se estava referindo. Eu nunca encontrei do que eles estavam falando. Indo pelos títulos, eu não vi nada no Manual de Princípios do Evangelho, e toda outra “lição regular” para adultos ou é Ensinamentos dos Profetas baseada em história ou Escola Dominical organizado por escrituras. Nos manuais de jovens não encontrei nenhuma menção. No manual Joseph F. Smith eu encontrei uma aula chamada “A Maléfica Estrada de Abuso”, o que significa que ele foi ensinado uma ou duas vezes em 2011. É isso que se classifica como “regular”?

“Bispos são chamados pelos líderes eclesiásticos mais sênior, mas antes que um Bispo seja oficializado, todos os membros da congregação antes votam para apoiar a sua seleção. A Igreja toma alegações de abuso tão a sério que até mesmo um membro com uma preocupação crível pode inviabilizar a seleção. E mesmo depois que um Bispo assume o poder, qualquer alegação crível de abuso contra ele rapidamente resultaria na terminação do chamado pela Igreja e outro Bispo selecionado. Porque rescisão não resulta em perda de acordos salariais ou de sustento (o clero local não é remunerado), não há necessidade de um processo interno demorado. Esta abordagem de tolerância zero corre o risco de problemas com falsas acusações, mas a Igreja escolheu errar do lado da cautela.”

Referindo-se ao processo de sustentação como um “voto” é um pouco engraçado. Qualquer pessoa que tenha testemunhado alguém se opondo a um voto de apoio sabe como escandaloso isso é na prática. Que, para se opor, a ala inteira vai testemunhar e quer saber o que motivou e tudo o que “roupa suja” terá que ser arejada. Eu estive em muitas, muitas conversas onde as pessoas recontaram a estranhos as histórias de “oposição” que testemunharam como um artefato engraçado do mormonismo. O processo por si só não é necessariamente abusivo, mas não chega ao nível de escolha e consentimento informado e livre necessário para se contar como um voto, então o Relações Públicas não pode chegar a usá-lo como evidência de quão eficaz suas estratégias de prevenção do abuso são.

“O resultado é que abuso pelo clero SUD é excessivamente raro e rapidamente resolvido.”

Onde está a evidência para essa afirmação? Onde estão os dados? Eu NUNCA. Nem uma vez. Em todas as vezes que eu falei com sobreviventes de abuso. NEM UMA VEZ. Jamais alguém me disse algo sobre as suas experiências que se alinhe com esta descrição como sendo verdadeira. O melhor que podemos esperar é algumas desajeitadas boas intenções. Isto é pura manipulação. Eles precisam estar usando uma definição de “clero SUD” que é tão específica a ser risível. Eles precisariam ter provas de que é filtrada através das camadas de burocracia investidos na aprovação da liderança. Eles precisariam estar usando “rapidamente resolvidas” para significar “eles foram desobrigados do seu chamado e enviamos a vítima o nosso amor, mas nenhuma ferramenta ou apoio.”

“Quando um abusador de crianças ameaça a segurança de sua congregação, o bispo não tem incentivo, financeira ou outra, para fazer além de proteger a sua família da Igreja como ele faz com a sua própria.”

Isso não é verdade. Um bispo tem muitos, muitos incentivos. Eles querem “manter a paz” dentro da Ala, eles temem assustar a congregação, eles não entendem como o arrependimento precisa pesar as necessidades da vítima e não apenas o pecador, eles não têm formação e não sabem o que fazer, eles estão se protegendo a si mesmos, eles não se importam. Algumas pessoas são horríveis com suas famílias todos os dias. Presumindo que um bispo irá tratar a Ala como sua própria família não é um padrão aceitável. Não quando estamos falando sobre a eficácia da prevenção do abuso. O abuso ocorre dentro das famílias. Ele ocorre dentro das nossas próprias famílias.

“A sugestão de que a Igreja instrui membros para manter problemas de abuso exclusivamente dentro da Igreja é falsa.”

É difícil não sentir que a Igreja está nos chamando de mentirosos. Aqueles de nós que contam suas histórias pessoais. Aqueles de nós que viveram carregando o peso de um estupro apenas para que o futuro do estuprador não seja “desperdiçado”. Aqueles de nós que andam pelos corredores com predadores sexuais, porque o Bispo quer ajudá-los “arrepender-se”. Aqueles de nós que têm sido orientados a “perdoar” os nossos pais por sua violência. Toda vez que eles são violentos.

“Porque o seu clero são leigos sem treinamento profissional ou qualificações no trabalho social, em 1995 A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias estabeleceu uma central de atendimento aberto 24 horas por dia e instruiu seus líderes eclesiásticos para ligar para ela imediatamente quando eles descobrem o abuso.”

Esta declaração aqui é o que entrega toda a declaração de distância como uma simples manipulação prejudicial. Aqui eles confessam querer ter a manteiga e o dinheiro da manteiga também. Ao longo deste documento, diz-se que o clero sempre ajudará o abusado, para envolver a polícia quando apropriado, para tratar adequadamente o abuso. E então aqui eles admitem que esses membros do clero, com quem estão contando para fazer tudo esse direito, não têm nenhuma formação. Então, como eles poderiam possivelmente saber se alguma de suas alegações são verdadeiras? Eles não estão oferecendo treinamento nessas políticas, o que significa que eles não valem o papel em que estão escritas. Eles alegam que os Bispos não têm qualquer incentivo, que a alegação de que a igreja mantém sigilo é falsa. MAS COMO ELES PODERIAM SABER DISSO? Eles não oferecem nenhum dado, não há estudos, nem mesmo uma anedota. Eles estão apenas a fazer afirmações com base em políticas que escreveram e não implementaram. A verdade é que o clero SUD faz apenas o que lhes vem a mente. E às vezes isso é a coisa certa, mas muitas vezes é a coisa errada, e é frequentemente a coisa errada por causa de como o sistema está configurado.

“Relatar abuso pode levantar questões legais e pessoais difíceis. Leis estaduais regulando delação variam muito. Uma grande maioria de estados isentam comunicações confidenciais com o clero de deveres de delação. Por quê? Porque os formuladores de políticas públicas concluíram que a confidencialidade ajuda a vítimas e perpetradores ambos a vir confessar e obter ajuda. A confissão confidencial a uma pessoa do clero muitas vezes quebra o ciclo de abuso e é o primeiro passo em um processo que leva a comunicação voluntária por parte do autor, da vítima ou outros.

As próprias vítimas de abuso muitas vezes exigem confidencialidade. Muitas vítimas de abuso que revelam experiências trágicas ao clero – alguns dos quais podem ter ocorrido décadas antes – não querem ser traumatizados novamente por uma investigação criminal e acusação pública. Ao navegar estas situações complexas e dolorosas, o clero da Igreja são instruídos a cumprir a lei. A Igreja rotineiramente relata o abuso de crianças à polícia. E mesmo quando a notificação não é obrigatória, a Igreja geralmente encontra maneiras de relatar o abuso, respeitando ainda o desejo da vítima para a privacidade.”

Esta é uma interpretação bizarra da questão. 27 estados [norte-americanos] e [o território de] Guam legalmente obrigam o clero a delatar abusos. Portanto, isso é matematicamente inexato, bem como manipulativo. Existem 50 estados. Como são 23 deles a ampla maioria?

Em toda a minha experiência, os formadores de políticas NÃO acreditam que confidencialidade ajuda alguém. Certamente não filhos menores que não têm a segurança para fazer uma escolha informada sobre quais opções legais que eles gostariam de prosseguir. Leis de delação obrigatória existem explicitamente para que as vítimas não tenham que enfrentar o ônus do sistema legal, mas ainda pode haver uma interrupção do abuso e supervisão do menor. Para tentar afirmar que não delatar é realmente uma boa prática? Eu não sei mais do que chamá-lo, mas é uma mentira.

“A Igreja é uma das únicas organizações religiosas que ativamente desassociam e excomungam membros ordinários por abuso infantil. Excomunhão termina filiação de uma pessoa na Igreja, que é a mais dura punição eclesiástica possível. Seu propósito é induzir a pessoa a parar seus crimes e buscar o perdão de Deus, para proteger outros membros da Igreja e para demonstrar condenação institucional de tal má conduta. Depois de muitos anos, infratores que realmente mudam suas vidas podem ser readmitidos como membros da Igreja, mas a sua ficha de membro é permanentemente marcada com uma anotação que lhes opõe de nunca mais se associar com crianças ou jovens da Igreja.

As políticas e práticas da Igreja têm evoluído ao longo dos anos. A central de atendimento, por exemplo, tem sido muito bem sucedida desde a sua criação há mais de 15 anos. A Igreja continua a procurar maneiras para refinar e melhorar a sua abordagem ao abuso. Com certeza, situações trágicas surgiram. A resposta da Igreja é sempre ajudar as vítimas de abuso. Às vezes a Igreja tem de se defender em tribunal contra alegações falsas e demandas excessivas, a maioria decorrente de situações que supostamente ocorreram décadas atrás. Mas por muitos anos a Igreja tem tido os mais altos padrões entre as organizações religiosas.”

Outras igrejas treinam o seu clero. Outras igrejas fazem verificações de antecedentes. E fazem muito mais pelas crianças ao seu cuidado de que apenas dizer aos pais para tomarem cuidado. Esta declaração afirma que temos os mais altos padrões, mas que só poderia ser verdade na teoria. Porque o nosso clero está inventando tudo na improvisação. Claro, existe excomunhão como uma opção, mas apenas para ser usado a critério do Bispo e Presidente de Estaca, que não são obrigados a usá-lo. Abuso só ascende a necessidade de um conselho de disciplina obrigatória se foi cometido pelo Bispo ou um cargo mais elevado de “posição proeminente na Igreja.” O que significa que nenhuma mulher e nenhum líder Sumo Sacerdote, líder escoteiro, professor do seminário, etc., precisa passar por um conselho disciplinar a menos que um destreinado Bispo ou Presidente de Estaca decida ter um.

“Às vezes a Igreja tem de se defender em tribunal contra alegações falsas e demandas excessivas, a maioria decorrente de situações que supostamente ocorreram décadas atrás.”

Esta afirmação é cruel. E expõe a incompreensão dos efeitos de longo prazo do abuso. “Supostamente ocorreu décadas atrás” não faz qualquer diferença para os fatos. Esta é uma injúria mesquinha sobre uma defesa falha ao invés de introspecção honesta sobre como proteger as vítimas em potenciais.

“Um último ponto: A Igreja não tomou estas medidas para proteger a sua reputação, mas para proteger as crianças.”

É difícil escolher uma declaração que seja o maior responsável pelas lágrimas de raiva que racham as minhas bochechas, mas esta certamente está no alto dessa lista. Eu tenho sido uma defensora contra abuso por quase duas décadas. Por duas décadas eu implorei para que janelas e olhos-mágicos fossem instalados em salas de aula. E agora eles estão acontecendo. Agora. Quando a igreja está enfrentando tamanha censura pública pela forma como ela trata os filhos de pessoas casadas com outro membro do mesmo sexo. Pela sua política de exclusão. Por declarar pais amorosos como apóstatas. Eu, pessoalmente, faço o argumento de que chamar pais amorosos de apóstatas – o que os coloca na categoria de “conselho disciplinar obrigatória“, enquanto o abuso não é – é nojento em todos os sentidos e tentar dizer que isso está sendo feito pelas crianças é uma mentira quando há tão pouco sendo feito para combater abusos [reais que ocorrem] na igreja. E agora vem esta declaração. Agora temos janelas nas salas de aula. Depois que uma grande conferência bate nos noticiários mostrando o quão ruim o nosso problema de abuso realmente é (veja a cobertura nos noticiários aqui). É nojento. E nada Cristão. Serve unicamente para proteger sua reputação.

Se a Igreja estivesse realmente interessada em proteger as crianças, eis o que deveria ser instituído, e só depois de ter sido devidamente instituído, emitir declarações públicas a respeito.

1. TREINE SEU CLERO

Treine os para usar os profissionais de saúde mental, especialistas em violência doméstica, ou mesmo as pessoas como eu que têm essa experiência de vida infeliz. Eu sei de centenas de mulheres nestas categorias que tenham chegado ao clero [SUD] para oferecer os seus serviços voluntários apenas para ouvir “o Espírito me guiará, porque eu tenho o manto [do Sacerdócio].” Nossas contribuições eram vistas como minar a autoridade do Sacerdócio. Quando, na realidade, talvez nossas ofertas voluntárias eram guiadas pelo Espírito, mas o Bispo não queria enxergar isso. Revelação não funciona da maneira que esperamos. Revelação não recompensa a preguiça.

2. INSTITUA MELHORES PRÁTICAS

O mundo secular tem feito muito progresso aqui. Professores de escolas públicas são submetidos a verificação de antecedentes. Campus escolares têm protocolos de segurança. Eles têm checagens. Pare de somente fazer o mínimo para contar como não sendo legalmente vulnerável. Proteja, de verdade, as crianças.

3. PARE DE ENTREVISTAR MENORES SOBRE SEXO

Se um diretor escolar estisse chamando estudantes sozinhos ao seu escritório para perguntar-lhes sobre os seus hábitos de masturbação, ele seria expulso da cidade e talvez até mesmo enfrentaria acusações criminais. Se um treinador de futebol [juvenil] chamasse seus jogadores um por um ao seu escritório para perguntar-lhes o que tinham feito com suas namoradas ontem à noite, ninguém iria defendê-lo. Mas porque é confissão, ela é sagrada e defendida como a coisa certa, igual a uma ordenança. Os menores não têm a experiência e as ferramentas necessárias para corrigir uma figura de autoridade que se aventura longe demais. Eles não têm o apoio para dizer “Isso não é uma pergunta aprovada e você está me deixando desconfortável.” Os membros do clero são seres humanos (sem formação), que vão ter respostas humanas normais à uma discussão excitante. Pedir a menores para se envolver um a um em uma sala fechada com uma figura de autoridade é entregá-los para o abuso. Delegue essa responsabilidade a uma presidente ou líder da Sociedade de Socorro ou Organização das Moças e dos Rapazes. Incentive uma política de proteção com redundâncias lá. Convide os pais ou adultos confiáveis para o processo. Crie um sistema de segurança.

4. MUDE TUDO SOBRE COMO ENSINAMOS CASTIDADE E MODÉSTIA

Pare de culpar as meninas pelos desejos de meninos e homens. Ensine consentimento. Para homens e mulheres, meninos e meninas. Pare de falar sobre o perdão como se fosse um pedaço de pano que pode enxugar uma bagunça. Na verdade, fale sobre abuso e como não ser culpados por isso [quando vítimas]. Ensine a partir de um lugar de poder, não medo. Crie um modelo saudável, holístico, que seja sobre castidade e modéstia como santo por causa de como ele nos beneficia, não por causa de como ele impede catástrofe. Porque catástrofe ainda vai acontecer com uma frequência alarmante.

5. RECONHEÇA QUE NÓS TEMOS UM PROBLEMA DE ABUSO

Utah tem a oitava maior taxa de abuso infantil entre todos os estados. De onde é que esse número vem? Será que os não-membros em Utah são de alguma forma tão bizarramente malignos que eles cometem todo o abuso só? As pessoas estão viajando para lá apenas para cometer o abuso? São os motoristas da Califórnia?

6. OFEREÇA UMA CENTRAL DE ATENDIMENTO REAL

Uma que exista para atender as vítimas. Uma que não contam com a crença do Bispo ou do seu amigo, o Presidente da Estaca. Uma que toma decisões longe de pessoas chamadas para julgar e coloca-os nas mãos de alguém chamado para ajudar.

7. PARE DE LUTAR CONTRA DELAÇÃO COMPULSÓRIA

Nos estados delação compulsória para o clero, assim como para médicas e terapeutas e professoras, se o clero tem razão para suspeitar de abuso infantil esteja acontecendo, eles têm que denunciá-lo. Independentemente do que escolherem as vítimas, independentemente de haver ou não esta suspeita surgido através de confissões do autor dos crimes. A Igreja tem argumentado contra isso vez após vez nesses processos judiciais com “acusações espúrias e demandas excessivas”. Pare com isso. O verdadeiro arrependimento ocorre com a prestação de contas e restituição. Delações às autoridades competentes é parte desse processo. Sem responsabilidade e restituição isso só nunca pode deixar de ser mais que um mero argumento legal. E não um argumento ou uma postura pastoral.

Não há nenhuma maneira de encontrar a graça sobre esta questão, para esta nota oficial. Esta nota oficial é simplesmente nojenta. Ele reescreve a história e política e cultura e doutrina para alegar que a Igreja seja melhor do que realmente é nesta questão, e eles estão fazendo isso pisando nos mais feridos e vulneráveis. E isso não é aceitável.


Texto original por Resse Dixon, republicado com permissão. Reese Dixon é o pseudônimo literário da autora, designer de artesanatos, e ativista Tresa Edmunds.

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8 comentários sobre “Abuso Infantil na Igreja Mórmon

  1. De certa maneira, e até onde posso observar ( visão limitada é claro por não ter acesso a dados ou relatos mais amplos e de localidades diferentes) não vejo grandes brechas da instituição que favoreça abuso sexual infantil. Do contrario, observo certa assertividade em termos de manuais e instruções documentais afim de que ao menos durante as reuniões dominicais as crianças sejam salvaguardadas de tais crimes hediondos,basta verificar o manual onde fala sobre professores homens na primária e você observa cuidado. Agora, eu sempre toco na mesma tecla : nossos líderes locais são extremamente despreparados para lídar com os assuntos mais rotineiros, imagina com assuntos como este,

  2. Como membro da igreja,posso afirmar que independente de onde viesse o abuso é minha responsabilidade primordial ir a policia,não importa que chamado ou posição na igreja o abusador tiver,dificilmente eu pensaria em recorrer a igreja pra resolver o que é caso de policia…bom mesmo seria ter bom senso..Pra mim a igreja é e sempre será a igreja de Cristo com homens comuns liderando e sendo passiveis ao erro..mas a verdade inegavel é que eu como cidadã tenho também que estar disposta a viver as leis do país onde moro!
    Então o importante é fazer minha parte,que os líderes não resolvam o problema,isso não é minha responsabilidade,nesse caso a decisão certa é buscar autoridades civis legais.!

  3. Prezados,

    Peço a gentileza de deixar anônimo o meu relato.

    Ao ler o texto acima, não consegui nem trabalhar, quem ja sofreu ou presenciou algum tipo de abuso sabe que cicatrizes nunca são curadas. E existem feridas tão profundas que jamais deixam de doer…

    Quase nem consigo escrever o relato.

    Quando eramos pequenas eu e minhas irmãs e uma parente próxima participamos de uma atividade na igreja. Na época tinha 11 anos, minha parente tinha 10, as minhas irmas eram menores.

    Minha mae se ausentou por 1 ou 2 horas, enquanto um bispo ficou olhando, mas como nao fui com a cara dele me afastei e deixei ele com minhas irmãs e parente, ele levou minha parente para uma sala e pediu para que ela tirasse a roupa. Ela assustada, sem saber o que fazer, o chutou e saiu correndo.
    Ela me chamou no banheiro aos prantos e me contou o que havia ocorrido, juro fiquei sem chão, eu era a mais velha e responsavel.

    Quando minha mae chegou nos levou embora. Mais tarde, esse bispo foi na nossa casa. Nunca vou me esquecer da cena.

    Nao havia arrependimento, ele confessou. Minha vó quase o enforcou e mais tarde esse bispo foi excomungado, nos as crianças e familiares, nunca recebemos apoio da igreja, minha parente com 10 anos sofreu por anos e frequentou um psicólogo. Os lideres não deixaram chamar a policia.

    Ainda continuamos na igreja por um tempo. Minha vó e parente nunca mais pisaram dentro dela.

    Por mais que isso tenha ocorrido há 22 anos, nunca saiu da mente de nenhum de nos.

    Encontramos esse ex-bispo novamente, ele teve a cara de pau de nos dar bom dia.

    Fiz missão, casei e hoje sou mãe.

    Não consigo deixar meu filho sozinho na capela, nas aulas fico aflita.

    Esse bispo, mesmo apos excomungado, continuou a pegar e levar moças e rapazes.

    Reclamamos por anos, nada foi feito.

    Há alguns anos os lideres nos pediram uma carta por escrito, perdoando-o para que ele pudesse ser batizado novamente.

    Me desculpe, mas que audacia pedir isso!

    Nunca nem tratamento pagaram. Não fizemos a carta, deveria ser da minha parente que nem membro da igreja é, nunca foi. Não sei se ele foi batizado, mas sei que esta na igreja, tem cargo, ajuda os jovens.

    A vitima sofre, e os criminosos seguem sem culpa.

    A esposa dele o perdoou, nunca se divorciou, e os lideres assim aconselharam.

    Na ultima conferencia la estava sentando ao lado da esposa, sinceramente não fico no mesmo lugar que esse cara.

    Ao ler o relato acima senti angustia, dor, lembrei de tudo novamente.

    Quantas vitimas ainda teremos?

    Meu conselho? Jamais deixem seus filhos sozinhos, nem por um minuto.

    Não confiem em ninguem, nem bispo, nem lideres, se tiver que ir em algum lugar, vai junto.

    E que crimes como esse sejam punidos pelas devidas autoridades.

    • Os líderes das igrejas (todas as igrejas) sempre passam a mão na cabeça desses criminosos por acharem que se o caso for levado às autoridades civis o nome da igreja ficará “sujo”. Hipócritas, não se importam com as vítimas, mas com a instituição.

      • Exato Quintino, eles só pensam neles mesmo, essa igreja é como qualquer outra empresa, tudo é por baixo dos lençóis pra ninguém ficar falando e continuarem com esse falso manto de igreja perfeitinha!

  4. “…“All members, especially parents and leaders, are encouraged to be alert and diligent and do all they can to protect children and others against abuse and neglect.” Members are taught to be aware of the issue and to alert law enforcement and Church leaders if they believe a child is in danger….”
    Para mim, este extrato tirado do texto orginal, mostra claramente o esforço por parte dos líderes no tocante á proteção de crianças. Excomunhão torna-se proforma, uma vez que o dano já foi feito.

  5. MESMO SENDO MEMBRO SUD….Ñ PPDERIA DEIXAR DE DIZER Q ISSO TUDO É UM HORROR….O EVANGELHO É VERDADEIRO A IGREJA TAMBEM, SOU MEMBRO NOVO E ESTOU INDIGNADA…

  6. Sou membro da igreja a 30 anos e tenho 34 anos de idade, já fui líder em varias organizações da igreja, também missionário por dois anos, vi vários absurdos, já fiz parte do sumo conselho de minha estaca por 8 anos, participei de muitos conselhos disciplinares vi coisas que nenhum membro comum da igreja viu e muitos nunca irão ver, e posso declarar com toda a convicção que não existe na igreja um sistema falho contra esse tipo de situação e crime, o que essa pessoa expôs no seu artigo é uma experiencia própria e não generalizada, todos os lideres da igreja mórmon servem de forma voluntaria, nenhum bispo ou líder esta preparado para lidar com algumas situações extremas, não são especialistas formados, buscam sempre orientação divina para ajudar as pessoas e em alguns casos não conseguem pois falta a experiencia e sentem medo de tomar decisões que possam prejudicá-los pessoalmente ou a igreja. o manual de ADMINISTRAÇÃO da igreja que é direcionado para os BISPOS e LIDERES da ESTACA tem detalhadamente todos os passos e recursos para ajudar pessoas que sofrem abusos e violência, os BISPOS são orientados a ler esses manuais e consultar sempre seus lideres maiores sobre duvidas de como proceder em algumas situações, mas temos que lembrar que esses homens e mulheres (LIDERES) são tao falhos como nos e podem cometer pecados e deslises tanto quanto nos podemos, é muita presunção achar que podemos julgá-los como esse artigo esta fazendo. Creio em CRISTO e sei que ele nos ama e pode nos ajudar.

    Julgar uma fé ou uma religião por experienciar negativas de algumas pessoas ou pessoais esta diretamente ligada ao que o salvador ensinou. Bem aventurado os pacificadores (sera que buscamos ser pacificadores ou julgadores) pois sei por experiencia própria que julgar de forma desmedida é MUITO MAIS FÁCIL do que PACIFICAR

    Sou Anderson de Lima professor do SEMINÁRIO JOVENS DA IGREJA tenho atualmente 40 alunos de 14 a 18 anos, e sou líder do RAPAZES da minha unidade. e SOU MÓRMON.

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