O lema, copiado de um trecho do Novo Testamento, da Sociedade de Socorro, organização de mulheres apoiada por Joseph Smith em sua fundação em 1842, é “a caridade nunca falha”.
‘Cristo Curando o Doente em Betesda’ por Carl Heinrich Bloch (1883)
Uma membro da Igreja que recentemente serviu como presidente voluntária da Sociedade de Socorro em sua ala oferece pungente e inteligente introspeção sobre como essa lema norteia o dia-a-dia da organização em suas raízes locais.
Eis seu texto, anônimo por sua solicitação expressa.
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Certa vez, como presidente da Sociedade de Socorro, em uma reunião com a presidência da estaca, fui questionada quanto às ações para autossuficiência. Disse que acabara de ser chamada, mas que tinha vários projetos em mente para auxílio ao próximo.
A Igreja Mórmon cede à pressão popular e externa, motivada por protestos de alunos e ex-alunos e uma investigação formal da OAB americana, e suaviza sua política discriminatória acadêmica em sua principal universidade, a Brigham Young University.
Prédio da Faculdade de Administração na Universidade de Brigham Young
Após uma longa carreira profissional fazendo lobby político pela A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias junto à Assembléia Legislativa de Utah, e gerenciar parte da campanha política da Igreja SUD para remover direitos civis de pessoas LGBT, Bill Evans anunciou sua aposentadoria de lobista e aceitou unir-se ao conselho diretor da ONG de mórmons LGBT Afirmação.
Bill Evans, à direita, assistindo sessão da Assembléia Legislativa de Utah em 2012 fazendo lobby pela Igreja SUD (Foto: Leah Hogsten | The Salt Lake Tribune)
Evans cumpriu função integral durante a campanha mórmon de 2008 para remover os direitos adquiridos de homossexuais se casarem legalmente no estado da Califórnia, e a participação da Igreja SUD nessa eleição, tornada pública apesar de objeções da liderança da Igreja, resultou em protestos e muita mídia negativa. Além de investir em dezenas de milhões de dólares em campanhas publicitárias em 2009 para aliviar sua imagem pública, a Igreja decidiu aproximar-se da comunidade LGBT em Utah para lhes ajudar a passar leis antidiscriminação que há anos viviam obstruídas por legisladores mórmons.
Como lobista SUD junto a esses legisladores, coube a Evans concretizar essa aproximação, e a experiência mudou sua visão de mundo. Ao se aproximar da liderança Continuar lendo →
Bispo mórmon é flagrado em gravação clandestina admitindo que ele, enquanto bispo, tem a obrigação de discutir sexualidade com crianças de 8 anos de idade em entrevistas a sós e a portas fechadas.
Quando os pais de uma criança, através de sua mãe, pediram ao seu bispo que não entrasse em perguntas sobre sexualidade com seu filho de 8 anos para uma entrevista batismal, o bispo simplesmente ignorou o pedido dela, descartando suas preocupações e objeções. Perturbados com essa atitude do bispo, o pai da criança agendou uma entrevista para si e decidiu confrontá-lo e questioná-lo sobre isso.
Entrevistas de Bispo ocorrem usualmente às portas fechadas e individualmente, sem testemunhas ou outras pessoas presentes (foto meramente ilustrativa, print do vídeo publicado)
Contudo, o pai planejou gravar a entrevista com o bispo e, posteriormente, decidiu publicá-la:
O Presidente Brigham Young explicou como membros afastados ou inativos devem ser tratados dentro de comunidades predominantemente mórmons, em discurso no Tabernáculo em 27 de março de 1853.
Dentro do contexto histórico, os mórmons haviam se assentado no deserto da região de Utah havia pouco mais de 5 anos apenas, e Young estava dirigindo sua diatribe a mórmons que acreditavam que Young não deveria ter sido o sucessor profético de Joseph Smith, mas sim um homem chamado Francis Gladden Bishop. Young os chama, sarcasticamente, de “gladdenitas” e ameaça-los do púlpito com violência e turbas mórmons como retaliação por sua “apostasia”, sob aclamação e aplausos dos presentes.
Profetas vivos são a parte mais idiossincrática da história, da teologia e da tradição mórmons. Tanto que o primeiro hinário mórmon, de 1835, continha uma estrófe celebrando a natureza ímpar desse quesito fundamental:
“Uma igreja sem um Profeta, Não é a igreja para mim, Ela não tem um cabeça para liderá-la, Não pertenceria a uma assim.”
O conceito de profetas vivos permanece firme e forte, com mórmons cantando hoje “Graças damos, ó Deus, por um profeta; Que nos guia no tempo atual”. A celebração, e reverência, de profetas passados é quase tão forte quanto o culto aos profetas vivos atuais, inspirando publicações de biografias autorizadas e livros didáticos para mantê-los vivos na memória coletiva.
Profeta Isaías, de Antonio Balestro
Não obstante, seja por divergência de tradições, seja por falta de interesse ideológico ou eclesiástico, ou por apatia literária ou historiográfica, muitos profetas da história e tradição mórmons são ignorados ou esquecidos. Esta série de artigos servirá para explorar as biografias e os legados desses líderes mórmons com sucintas introduções a seus chamados proféticos.
Profetas vivos são a parte mais idiossincrática da história, da teologia e da tradição mórmons. Tanto que o primeiro hinário mórmon, de 1835, continha uma estrófe celebrando a natureza ímpar desse quesito fundamental:
“Uma igreja sem um Profeta, Não é a igreja para mim, Ela não tem um cabeça para liderá-la, Não pertenceria a uma assim.”¹
O conceito de profetas vivos permanece firme e forte, com mórmons cantando hoje “Graças damos, ó Deus, por um profeta; Que nos guia no tempo atual”. A celebração, e reverência, de profetas passados é quase tão forte quanto o culto aos profetas vivos atuais, inspirando publicações de biografias autorizadas e livros didáticos para mantê-los vivos na memória coletiva.
Profeta Isaías, de Antonio Balestro
Não obstante, seja por divergência de tradições, seja por falta de interesse ideológico ou eclesiástico, ou por apatia literária ou historiográfica, muitos profetas da história e tradição mórmons são ignorados ou esquecidos. Esta série de artigos servirá para explorar as biografias e os legados desses líderes mórmons com sucintas introduções a seus chamados proféticos.
Autoridades eclesiásticas e membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias frequentemente defendem uma posição de culpar e punir, ao menos parcialmente, mulheres vítimas de violência sexual pelo abuso sofrido.
Essa é, por exemplo, a política oficial da universidade da Igreja SUD, a Brigham Young University (BYU), determinada pela Primeira Presidência. Na BYU, moças estupradas são rotineiramente investigadas e punidas quando denunciam o abuso [ver aqui, aqui, aqui, e aqui].
Profetas [e.g., ver Spencer Kimball aqui] e Apóstolos [e.g., ver Richard Scott aqui e Dallin Oaks aqui] também pregaram o mesmo princípio. E para ver o ânimo com o qual muitos membros abraçam essa atitude, basta ler alguns dos comentários aqui e aqui.
A votação dos líderes que determinam o “Manual”.
Não obstante essa repugnante e ignóbil postura misógina, a política oficial da Igreja mudou progressivamente durante os anos, e mais profundamente entre 1985 e 2006, para corrigir essa postura alarmantemente popular. Continuar lendo →
O Presidente Brigham Young fez os seguintes comentários sobre educação universal durante a Conferência Geral de abril, 1877.
É interessante notar nesse trecho que, além de se posicionar contra educação universal (atualmente considerada, quase unânimente, como um direito humano básico) e considerá-la o equivalente a furto, Young o faz demonstrando rejeitar fatos estatisticamente comprováveis a favor de opiniões pessoais e experiências anedotais, enquanto critica aqueles que guardam 90% de doações voluntárias apenas para doar à caridade meros 10% (quem faz isso?): Continuar lendo →
O Apóstolo Dallin Oaks admitiu, em entrevista pessoal, que uma das funções de um Apóstolo d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é evitar que alguns fatos históricos, mesmo que verídicos, sejam conhecidos por membros da Igreja.
Em 1984 as historiadoras SUD Valeen Tippetts Avery e Linda King Newell publicaram uma excelente biografia acadêmica sobre a primeira esposa de Joseph Smith, Mormon Enigma: Emma Hale Smith, oferecendo uma visão ímpar do Profeta através dos olhos de sua mulher.
Enquanto a biografia recebeu vários prêmios de excelência, como o Prêmio Melhor Livro da Associação de História Mórmon, o Prêmio Melhor Livro da Associação Histórica John Whitmer, e o prestigioso Prêmio Evans para Biografias, as Autoridades Gerais da Igreja imediatamente instruíram líderes locais a proibir que as duas autoras, Avery e Newell, falassem em reuniões formais ou informais da Igreja.
Quando uma das autoras foi, finalmente, entrevistada com seu marido pelos Apóstolos Dallin Oaks e Neal Maxwell sobre a publicação da biografia e sua censura oficial pelas autoridades, Oaks lhe explicou sua motivação pessoal:
O Profeta Joseph Smith profetizou que a Segunda Vinda de Cristo ocorreria no final do século 19.
Em fevereiro de 1835, Smith anunciou 1891 como o ano quando ocorreria a Segunda Vinda de Cristo durante a reunião em que o Quórum dos Doze Apóstolos foi formado, como documentada na história oficial da Igreja e publicado pela própria Igreja em 1902 [leia a profecia aqui]. Smith confirmou esse ano com outra profecia e mais comentários durante seu discurso na Conferência Geral de abril de 1843 (ênfases nossas): Continuar lendo →
As sociedades de Terra Plana são sociedades modernas baseadas na crença de que a Terra seja plana. Surpreendentemente, tais sociedades proliferam-se tanto na Bretanha e nos EUA, assim como no Brasil. As hipóteses modernas pela Terra Plana se originaram no século 19 com o escritor inglês Samuel Rowbotham, que publicou o livro A Terra Não É Um Globo, onde a Terra é descrita como um disco plano, centrado no Pólo Norte, delimitado ao longo da borda sul por um muro de gelo (i.e., o continente da Antártida), tendo o Sol e a Lua a 4.800 km e o Cosmo a 5.000 km acima da Terra.
Rowbotham argumentou, como é comum entre Terra Planistas até hoje, que a “Bíblia, em conjunção com os nossos sentidos, apoiou a ideia de que a Terra era plana e imóvel e esta verdade essencial não deve ser anulada por um sistema baseado unicamente em conjectura humana”.
Thomas S. Monson, Profeta Mórmon e 16º Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, foi intimado a depor em processo contra a Igreja por abuso sexual infantil.
Thomas S. Monson, 16º Presidente da Igreja SUD, saúda os escoteiros.
Advogados de quatro nativos americanos solicitaram a intimação de Monson na semana passada como parte de um processo contra a Igreja por falhar em protegê-los de, e após os fatos acobertar, casos de estupros e abuso sexual de crianças sob tutela dela.
Plágio significa “copiar ou imitar, sem engenho, as obras ou os pensamentos dos outros e apresentá-los como originais”.
Apesar de conceito simples e claro, muitas pessoas tem dificuldade para compreendê-lo e, ainda mais frequente, reconhecê-lo.
Felizmente, a esposa do candidato Republicano a presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu o perfeito exemplo ilustrativo.
Melania Trump plagia Michelle Obama em seu discurso na Convenção do Partido Republicano em Cleveland, Ohio
Durante seu discurso na Convenção Nacional do Partido Republicano dessa semana, a candidata à primeira dama dos EUA Melania Trump liberalmente plagiou de trechos de um discurso de 2008 da então candidata à primeira dama dos EUA Michelle Obama:
Inicialmente, Donald Trump e aliados insistiram em negar que Melania Trump havia plagiado Michelle Obama. Contudo, as evidências eram tão óbvias, e foram tão rápida e amplamente divulgadas, que uma membro de sua equipe, a escritora formada pela Universidade de Utah Meredith McIver assumiu responsabilidade e culpa pelo plágio.
A empresa Turnitin, especializada em detecção de plágio em trabalhos acadêmicos, analisou os discursos e demonstrou com alto grau de confiança que Trump plagiara de Obama [ênfases nossas]:
“O tipo ‘clone’ de plágio copia de outro trabalho literalmente, palavra por palavra. O início da seguinte frase de ambos discursos de Melania Trump de 2016 e o de Michelle Obama de 2008 exemplificam isso. Ambas são exatamente as mesmas. (…) Só para oferecer um contexto… há uma chance em um trilhão que uma frase de dezesseis palavras correspondam a uma outra frase do mesmo comprimento apenas por coincidência. Quanto mais o número de palavras correspondentes aumenta, a probabilidade de uma correspondência por pura coincidência cai por ordens de magnitude. (…) O final da mesma frase, mencionada acima, fornece um exemplo de plágio do tipo “localizar e substituir”, um caso em que algumas palavras-chave ou frases são alteradas, mas o texto mantém o conteúdo ou o significado do trabalho copiado.”
A comparação lado a lado das frases em questão não deixa nenhuma dúvida para o investigador racional e imparcial dos dois tipos de plágio dentro os 10 tipos categorizados (i.e., “clone” e “localizar e substituir”) inclusos no discurso de Trump.
Plágio não é exclusividade acadêmica ou política, aparecendo com frequência no universo religioso. Thomas Monson, por exemplo, é fã pessoal de plágio, havendo plagiado de seus próprios discursos passados em Conferências Gerais de 2014 e 2016. Alguns sites de notícias SUD plagiam rotineiramente.